Um novo futuro

Ewylla Santos, 20, perdeu o noivo e o futuro ao lado dele depois de cortar o cabelo

Ewylla Santos, 20, perdeu o noivo e o futuro ao lado dele depois de cortar o cabelo. Mesmo assim, seguiu em frente com a transição. Foto: Amanda Souza

Algumas mulheres sentem a necessidade de cortar o cabelo para demonstrar que estão passando por uma nova fase em suas vidas. Os diferentes estilos, geralmente mais radicais do que os usados antes, são apenas mais uma mudança, entre tantas outras. Para a auxiliar administrativa Ewylla Eduarda Santos de Melo, 20 anos, essa ação foi o ponto de partida para um novo momento. Após passar a tesoura nas partes alisadas, perdeu o noivo e o futuro ao lado dele. “Sua vida virou um inferno depois que fez esse corte”, falou a mãe. Apesar da perda, Eduarda não pode discordar mais desta afirmação. Continua a aparar os fios lisos, que representam o passado.

Ela começou a alisar os cabelos aos 12 anos porque achava bonito. Desde a primeira vez, sentiu que estava entrando em um ciclo vicioso que não compensava. Gastava dinheiro com progressiva, perdia horas passando chapinha, tudo para, no fim, ficar insatisfeita com o resultado. Em agosto de 2015, realizou o primeiro corte, em casa mesmo.

“Mudei minha personalidade, hoje estou mais leve, divertida e me sinto mais bonita. Muita gente reparou nisso e me incentiva a continuar com a transição. Toda vez que vejo alguém crespo ou cacheado, sinto mais motivação”

“Eu assistia a vídeos de meninas que davam orientações sobre a transição. Desde março já havia parado de alisar. No dia 19 de agosto, não aguentei e cortei uma parte do liso. Não era o big chop, só um corte gradativo, ficou na altura dos ombros. Fui encontrar meu namorado e ele não reagiu da maneira que esperava. Disse que eu estava estranha, ficou com raiva e com vergonha de mim. No mesmo dia, terminou comigo. Deu outros motivos, mas sei que foi por causa do cabelo. Estávamos juntos havia mais de um ano”, afirma Eduarda.

Eduarda alisava os cabelos desde os 12 anos

Eduarda alisava os cabelos desde os 12 anos. Foto: Reprodução/Instagram

As mudanças trazidas pela atitude da auxiliar administrativa não pararam por aí. Encontrou resistência da mãe também. Entretanto, apesar das dificuldades no caminho, a jovem garante que está se sentindo melhor do que nunca. “Mudei minha personalidade, hoje estou mais leve, divertida e me sinto mais bonita. Muita gente reparou nisso e me incentiva a continuar com a transição. Toda vez que vejo alguém crespo ou cacheado, sinto mais motivação. Vou persistir até recuperar o formato original dos meus fios”.

O futuro que antes reservava um casamento, hoje está cheio de novos planos. Eduarda quer fazer faculdade de jornalismo. “O sentimento é de que me encontrei. Estou construindo minha identidade. Minha expectativa é poder dizer que tudo valeu a pena”, deseja.