Processo

A transição capilar tem o objetivo de recuperar a forma natural dos fios. Na maior parte dos casos, o processo é longo e vagaroso. Vários métodos auxiliam as pessoas que tomaram a decisão de passar por esta experiência. As técnicas não só ajudam na regeneração, mas também a dar formato e até a fortalecer a autoestima.

O tempo de duração varia de acordo com a quantidade de química usada e do tipo de cabelo. Algumas pessoas passam até dois anos se recuperando da agressividade de alguns agentes usados em métodos de alisamento, como a escova progressiva, que contém formol em sua composição, apesar de ser proibido. Existem substâncias específicas para alisar os cabelos cacheados e crespos. Entram pela cutícula do fio e quebram as pontes de dissulfeto, responsáveis por determinar o formato, influenciadas pela genética. Confira no vídeo abaixo alguns componentes de métodos alisantes.

“A guanidina e o hidróxido de sódio deixam os cabelos secos, por isso, muitas vezes, os alisantes vêm com uma camada extra de formol para dar brilho. Esta substância é proibida pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e seu uso pode acarretar em danos à saúde. Geralmente, os pacientes só procuram o dermatologista depois que o estrago foi feito”, explica a dermatologista Marcella Figueira, especialista em doenças do cabelo pela Universidade de Miami. Ela acrescenta ainda que hidratação e alimentação saudável são fundamentais para manter a saúde dos fios.

“As pessoas chegam querendo uma fórmula mágica, mas para recuperar o cabelo natural tem que passar por um processo”

Entretanto, o início é o mesmo para todos: a suspensão do uso dos cosméticos. Nos primeiros meses, o cabelo fica sem forma. Aos poucos, algumas mechas vão se modelando, dividindo espaço com partes lisas com química remanescente. É comum aparecer dois tipos de textura, até que toda a substância seja removida. Alguns produtos ajudam e aceleram a retirada da parte com química, mas a eliminação completa só é possível com o corte.

Ana Nascimento

Cabeleireira Ana Cristina Nascimento, especialista em cabelo afro. Foto: Amanda Souza

“As pessoas chegam querendo uma fórmula mágica, mas para recuperar o cabelo natural tem que passar por um processo. O cabelo por fora parece muito bonito, mas por dentro está todo quebrado. É preciso usar regularmente uma boa hidratação para que o fio cresça saudável. Há outros métodos, como as tranças, que dão forma e fazem o cabelo crescer”, relata a cabeleireira Ana Cristina Nascimento, do salão especializado em cabelo afro Anastasia, no Centro do Recife.

Veja outros métodos para passar pela transição capilar

Mesmo depois de tirar a parte do cabelo que está com resíduos dos produtos químicos, o resultado não é imediato. Antes que se possa ver qual a textura que os fios vão ter quando todo o processo acabar, existe o scab hair (veja mais), que é a parte do cabelo entre a química e o naturalmente saudável. O termo foi criado nos Estados Unidos e ainda não tem tradução no Brasil. Nesse ponto, as madeixas ainda não têm o formato que terão no fim de toda a transição, já que ainda sofre influência da química.

As tranças, ou box braids, são uma boa opção para quem espera o cabelo natural crescer

As tranças, ou box braids, são uma boa opção para quem espera o cabelo natural crescer. Foto: Amanda Souza

Vale lembrar que a recuperação dos fios também depende do tipo de cabelo da pessoa que está passando pela transição. Existe uma tabela (veja mais), numerada de um até quatro, que explica cada textura de cabelo. O um enumera cabelos lisos, o dois, cabelos ondulados e o três e o quatro, os cacheados e crespos, respectivamente. Dentro de cada grupo, há três tipos de texturas básicas (que não definem o cabelo em tudo, já que ele pode ser a mistura de mais de um, mas ajuda a saber quais os cuidados necessários no período de recuperação capilar, dependendo da estrutura).

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