Não há vagas

Larissa em visita ao Rio de Janeiro. (Foto: Arquivo pessoal)

Após quase seis meses de conclusão de seu curso em Fisioterapia, Larissa Rego Barros de Queiroz, 23 anos, se depara com obstáculos não vividos em seus cinco anos de estudos: a faculdade ainda não disponibilizou a colação oficial do grau, ou seja, ela não pode dar entrada na solicitação de seu registro do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Crefito), necessário para exercer sua profissão, tampouco entregar seu currículo em clínicas especializadas ou distribuir cartões de visita para atendimento em domicílio já que, se assim o fizesse, estaria agindo de forma ilegal.

Ainda que tivesse seu diploma em mãos, a situação de Larissa provavelmente não seria tão diferente da vivida por ela hoje. “O mercado de trabalho em determinadas áreas como respiratória é amplo. Porém, a minha que é Urologia, dizem que existem muitas oportunidades, mas até agora não encontrei nenhuma. As pessoas imaginam que é uma profissão que paga bem. Até pode ser, mas é raro. Os salários iniciais ficam em torno de R$ 800 por mês, dificilmente esse valor ultrapassa R$ 1,2mil. E, hoje em dia, pra você sair da faculdade e imediatamente abrir uma clínica é inviável, não só por questões financeiras, mas também porque ainda não tem seu nome no mercado”, conta.

Ouça o que o coordenador do curso de Economia da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), José Alexandre Ferreira Filho, tem a dizer sobre a falta de oportunidade para os jovens:

De mãos atadas, só resta a Larissa esperar. Ela acredita que ter uma especialização é fundamental para preencher seu currículo e ganhar uma vaga no mercado de trabalho. Por isso, neste meio tempo, pretende iniciar sua pós graduação e assim incrementar seu currículo, que ela considera com poucas qualificações: “Não tenho nenhum curso de língua estrangeira ou de extensão. Tive apenas a oportunidade de ser monitora na faculdade e de apresentar um trabalho em uma Jornada de Iniciação Científica e acabei recebendo o primeiro lugar. Fatores que em determinados concursos e residências contam pontos”, afirma.

Em situação parecida com a de Larissa estão jovens que o IBGE classifica como geração “nem-nem”: nem trabalha, nem estuda, o que no Brasil representa um a cada cinco jovens com idade entre 15 e 29 anos. Na divisão por Estados, Pernambuco fica em terceiro lugar com um contingente de 26,9% dos jovens, sem trabalho e que atualmente não estão estudando, perdendo apenas para o Amapá (27,8%) e Alagoas (27,4%). Larissa explica que se matriculou, desde o final do ano passado, em uma pós-graduação mas o curso ainda não foi iniciado por falta de alunos. Enquanto isso só lhe resta estudar em casa.

Inicialmente seu objetivo é conquistar uma vaga em que sua estabilidade financeira e profissional esteja garantida. “Temo por meu futuro pois não sei como será daqui para frente. Além de estudar, pretendo fazer também concurso público na minha área de atuação para ganhar estabilidade financeira. Tudo o que faço só é possível pelo apoio de minha mãe que sempre me acolheu no sentido financeiro e psicológico. Mas se nada do que eu planejo der certo, até como vendedora de loja eu trabalharei, para ter uma renda e começar a não depender mais dos meus pais”, acrescenta Larissa.

Questionamos se ela é muito cobrada por sua família e ela explica que não, mas no fundo ela mesma se cobra muito. “Não quero ficar dependendo da minha mãe, nem morando na casa dela para sempre. Quero ter uma estabilidade financeira e poder construir minha família”, conclui.

Entenda a situação de Larissa:

Enquanto o problema de Larissa é a incerteza sobre seu futuro, o da jovem Renata Nogueira Palha foi parcialmente resolvido. Depois de buscar emprego por quase dois anos, ela decidiu mudar de curso e estudar para concurso público. Conheça a concurseira e novamente universitária, Renata.

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