Nada a ver com nada

Após ser demitida, Natália aproveitou seus meses de “férias” para viajar e estudar. (Foto: Arquivo pessoal)

Natália Rayane Ferreira de Lima, 23 anos, é o típico caso de jovens que concluem um curso na faculdade, mas ao chegar no mercado de trabalho se deparam com a falta de oportunidades e acabam em um emprego “nada a ver com nada”. Ela é formada em Marketing desde 2011, faz pós-graduação em Gerenciamento de Projetos, com previsão de conclusão em dezembro de 2014 e foi efetivada em uma empresa na área da construção civil no Recife, no setor de assistência técnica.

“Eu faço um pouco de tudo. Coordeno uma equipe de nove peões de obra, faço visita técnica ao apartamento dos clientes quando apresentam algum problema, realizo vistoria nos apartamentos ao final da obra, escrevo relatórios de solicitações de assistência e pesquisa de satisfação, preencho vários formulários internos, alimento o sistema de informações, faço compra de materiais, negocio com fornecedores, acompanho a execução de serviços e atendo clientes. Faço tudo, menos Marketing, curso em que sou graduada”, desabafa.

Natália afirma que ganha muito pouco já que trabalha muito – inicialmente era R$ 1 mil e atualmente é de R$ 1,4 mil – (de acordo com o Guia do Estudante, o salário inicial de um profissional de marketing é em torno de R$ 2,5 mil), e é frustrada pois acredita que possui muitas qualificações para a colocação que possui na empresa. Além da pós graduação, ela faz curso de línguas, inglês e espanhol; curso de oratória e de MS Project (sistema que produz projetos). “Eu só vim receber um aumento há pouco tempo com todas as funções já acumuladas. O que ganhávamos era totalmente desproporcional ao nosso trabalho”, relata.

Para você entender, Natália e sua equipe tinham que se locomover de ônibus para os apartamentos com problemas. Se os equipamentos utilitários fossem grandes ou pesados, esses iam de carro. Caso contrário, ela é quem tinha que levar no ônibus, como aconteceu uma vez em que precisou carregar uma lata de tinta no meio de transporte público. As visitas técnicas eram feitas pelo mesmo meio. “Andar no carro da empresa? Nunca! (risos)”.

Então você se pergunta: Por que ela continua nesse local de trabalho se não está satisfeita? Ela mesma vai lhe responder: “Todos os dias envio currículo para vagas de emprego em Marketing, mas nunca consigo uma oportunidade. Quero sair desse serviço, principalmente porque eles não oferecem plano de cargo e carreira. Eu poderia estar em outro setor, com uma posição melhor. Eu só fico aqui porque preciso do dinheiro para suprir minhas necessidades”, relata Natália.

Quer saber mais sobre a história de Natália? Veja o vídeo em que ela conta sobre sua saga na empresa de construção civil:

Durante o período de produção das matérias para nosso projeto, recebemos a notícia, da própria Natália, que ela foi demitida da empresa em que atuava.

E agora? Com um período de seis meses de “férias”, Natália pretende cuidar de sua saúde, pois com a carga de estresse obtida em seus dois últimos empregos, desenvolveu síndrome do pânico, depressão e pressão alta. “Tenho alguns empregos e oportunidades em vista, mas eu vou analisar com calma e me encaminhar para aquilo que sou formada. Meu próximo emprego vai ser em Marketing ou em Projetos, isso eu tenho certeza (risos)”, finaliza.

Enquanto Natália aproveita suas férias, tem gente trabalhando além da conta para assegurar o emprego e o bom salário ao fim do mês. Conheça Raphael Pinheiro Neves que não mede esforços para subir na vida.

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