Desemprego desalento

Renata prefere aumentar suas qualificações do que trabalhar em uma área diferente de sua formação. (Foto: Arquivo pessoal)

 

Formada em Radiologia, fluente em inglês, concurseira, vendedora em uma empresa de cosméticos, e agora, estudante de Engenharia da Produção. Essa é a linha do tempo profissional de Renata Nogueira Palha que, aos 23 anos, acredita que aumentar suas qualificações é a melhor saída para conquistar um futuro estável e tranquilo.

Depois de concluir sua primeira graduação, a jovem buscou emprego por quase dois anos e mesmo qualificada não encontrou oportunidade. “Tentei também fazer uma especialização em Radiologia Industrial, mas não foi possível pois o número de inscritos não foi o suficiente para abrir uma nova turma. Há uma grande oferta desses cursos no Rio de Janeiro e São Paulo, mas teria que me mudar e os meus gastos se multiplicariam, o que para mim, não é viável”, comenta.

Renata faz parte de uma estatítica preocupante: segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), em 2013, na América Latina e no Caribe existem 14,8 milhões de mulheres e homens que procuram emprego sem conseguir. No Brasil, em 2011, a taxa de desemprego entre jovens de faixa etária entre 15 a 24 anos era de 15,3%. Se focarmos na Região Metropolitana do Recife (RMR) esse quadro sobe para 27,3%.

Renata há dois anos decidiu que era hora de tentar outro caminho: estudar para concurso público. Entre 2012 e 2013, ela frequentava pelo período da manhã e à tarde um cursinho preparatório e à noite estudava por conta própria. “Escolhi o concurso público pela estabilidade e uma qualidade de vida melhor. Eu também estava decidindo o que fazer da vida, vendo outras possibilidades”, relata.

Em 2014, decidiu iniciar um segundo curso, em Engenharia de Produção. A mais nova estudante de graduação faz parte de uma parcela de jovens incluídos na medida chamada de “desemprego desalento”. É quando alguém busca emprego por um longo período, geralmente superior a 12 meses, mas dada a falta de oportunidades ou desestímulos diversos, desiste de buscar emprego após esse longo tempo de procura.

Sustentada pelos pais, Renata preferiu continuar se qualificando (com cursos de extensão, nova graduação) do que trabalhar em locais que ofereçam baixa remuneração ou não tenham relação com a sua área de estudos. “Prefiro me qualificar no que eu quero, nos cursos que eu desejo para depois começar a trabalhar. Relacionar uma jornada de trabalho de oito horas e ainda ter que estudar é muito cansativo. Acredito que quanto mais qualificações eu tiver, melhores chances eu terei”, completa.

Esse mesmo pensamento é seguido por outros milhões de jovens pelo país. Com a melhora na renda das famílias brasileiras, ficou mais fácil continuar estudando e adiar a entrada no mercado de trabalho. São duas as principais razões para isso: por um lado, muitos jovens têm dificuldades para entrar no mercado, por outro há um consenso quase que unânime que, quanto mais qualificado, menos tempo levará para esse jovem alcançar o salário pretendido. Essa segunda razão é para Renata um fator importante já que, segundo ela, é melhor esperar e ficar ainda mais preparada do que entrar no mercado apenas em troca de uma baixa remuneração.

Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) baseados na Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) 2012, o número de jovens brasileiros entre 15 e 29 anos que apenas estudam beira os 25%.

Max Gehringher, administrador de empresas, autor de livros como “Comédia corporativa” e “Emprego de A a Z”, comentarista na rádio CBN e do programa Fantástico, acredita que continuar estudando é a melhor opção para aqueles que planejam crescer na vida. Ouça a dica de Max:

Geralmente, quando concluímos um curso superior, logo procuramos um emprego na área. E quando o emprego que bate a sua porta, não é da sua área de atuação? Você o agarra com unhas e dentes ou prefere deixar para lá? Natália Lima decidiu que sim, ia agarrar com unhas e dentes a oportunidade de emprego no setor de assistência técnica em uma construtora. Mas o detalhe: ela é graduada em Marketing! Conheça a história de Natália clicando aqui.

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