O refúgio chamado Brasil

Casado com brasileira, Darren veio ao Brasil em busca de novas oportunidades. (Foto: Geração Bolha)

 

Quando os efeitos da crise econômica mundial atingiram a Europa, o irlandês Darren McVeigh decidiu se mudar com sua esposa brasileira para o Brasil. Formado em História e Política, e com mestrado em Globalização, Darren se aventurou como professor de inglês em um centro de educação global do Recife. “No meu país, a situação estava tão crítica que quem se afastasse do emprego, receberia uma parte do salário. Decidi me arriscar e vim morar aqui”. De acordo com dados do Ministério do Trabalho e Emprego, devido à crise global, o número de estrangeiros que escolheram as terras tupiniquins para trabalhar cresceu, aproximadamente, de 55 mil permissões de trabalhos concedidas em 2010, para 62 mil em 2013.

A Irlanda, antes da crise conhecida como “tigre celta” devido ao seu elevado crescimento econômico, hoje amarga um enorme déficit financeiro somado a desvalorização do mercado imobiliário. Quando a crise econômica atingiu a Europa, o país conheceu o outro extremo, saindo da riqueza para a beira da falência, com uma dívida pública, em 2013, estimada em 124% do PIB, mais de 200 bilhões de euros. Com isso, os impostos aumentaram e, fortes foram aqueles que conseguiram sobreviver aos cortes drásticos nos serviços e a taxa de desemprego na casa dos 14,9%. Agora, o país conseguiu superar “o aperto” e hoje, apresenta tímidos passos para retomar o seu poder, o que não significa uma total recuperação.

O erro dos irlandeses foi o mesmo que dos americanos: injeção excessiva de dinheiro na construção civil, além de uma especulação imobiliária, excesso de oferta, empréstimos de até 100% do valor do imóvel e hipotecas duplas (quase sem dinheiro para a entrada). Chegou-se ao cúmulo dos bancos não só oferecerem o financiamento total do imóvel, como também um valor extra para utilizar em reformas ou para decoração.

Quem já era dono do próprio teto, podia hipotecar a própria casa em troca de dinheiro vivo e uma dívida que seria paga a longo prazo. O preço das casas na Estônia, Irlanda e Reino Unido foi o que mais subiu. Tudo isso resultou em uma bolha imobiliária que estourou atingindo a todos.

Para se ter noção, a Irlanda construiu metade do número de casas do Reino Unido inteiro (a população inglesa é 15 vezes maior que a irlandesa), 25% do PIB vinha da construção civil e, em 10 anos, o preço médio de uma casa tinha aumentado 297% entre 1997 e 2007.

“Nesse sentido, é importante destacar como ocorre a lei da falência na Irlanda: eles são bem severos, de modo que a pessoa física fica, de certo modo, vinculada a pessoa jurídica. Então, se sua empresa abrir falência, você terá restrições para crédito por muitos, muitos anos; ao contrário dos Estados Unidos, onde a lei de falência praticamente incentiva a criação de negócios. Nesse sentido, os banqueiros e empreendedores Irlandeses sofreram muito mais com a crise do que os americanos”, afirma Paulo Ribeiro, sócio- diretor na empresa Aprendizado acelerado e autor do blog estrategistas.com

Já em relação ao Brasil, Darren não se sente tão satisfeito pois considera tudo no país muito caro, uma inflação alta e um baixo custo benefício. “Os preços estão subindo e meu salário não cresce no mesmo ritmo. Acredito que depois da Copa do Mundo pode haver uma crise econômica, uma recessão talvez, porque tudo parece estar ligado a Copa. Os preços dos imóveis estão subindo e o crédito fácil é oferecido pelos bancos. Lembra-me muito a Irlanda antes das coisas ficarem ruins, então, quanto ao futuro, espero que não aconteça, mas se acontecer terei de lidar com isso”, pontua.

 

Assista ao vídeo em que Darren conta mais sobre sua história e como a crise na Irlanda afetou sua família e seus amigos:

 

Será que o Brasil enfrenta uma bolha imobiliária? Você está preparado para isso? Veja na próxima matéria Economia verde e amarela o que os especialistas têm a dizer sobre o assunto.

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