“O desejo de locomoção é inerente e não opcional, afinal de contas, não conheci outra forma de viver. Hoje, com 32 anos, acumulo 16 endereços fixos pelo mundo”, diz Raphaella Aretakis, publicitária.  Acostumada com viagens desde a infância, conheceu todo o litoral do Nordeste e morou em Fortaleza, Maceió e Pernambuco (Recife, Olinda, Jaboatão e Camaragibe), graças às inúmeras viagens realizadas com a família. O pai, Sérgio Aretakis, administrador de empresas, sempre programava para tirar as férias do trabalho junto com as férias escolares dos filhos, Raphaella e Raphael, e a esposa Edimilza. Sem muito planejamento para a viagem, muitas vezes o que estava definido era apenas o destino.

Hoje, as viagens com o pai, mãe e irmão não são mais frequentes, mas o gosto pelo deslocamento permanece e pode ser considerado como um legado da família Aretakis. “Atualmente, a minha motivação de viajar é entrar em contato com o diferente. Saber conviver com as diferenças é primordial nos dias de hoje, principalmente por não morar há quase dez anos onde nasci. Viajo para buscar respostas aos meus constantes questionamentos, para encontrar origens”, comenta a publicitária.

Em 2009, quando passou uma temporada na Alemanha junto com o marido, o fascínio por viajar e conhecer novos lugares fez Raphaella procurar uma maneira de aliar sua paixão com o trabalho. Foi então que criou o blog raphanomundo para contar aos amigos como seria sua vida nova. Embora hospedados na Alemanha, os dois aproveitaram a estadia na Europa e passaram por Paris, Londres, Amsterdam, Praga, Budapeste, Viena e Zurique.

“Os convites para viagens foram surgindo, as pessoas foram confiando no meu julgamento, e eu me vi fazendo esse trabalho em tempo integral”, conta Rapha. Com o crescimento, o mercado publicitário viu o blog como um meio de divulgação de roteiros e serviços, gerando assim, fonte de renda para ela. O blog raphanomundo já conta com dicas e resenhas de lugares de mais de 15 países da Europa, América Central, América do Norte e América do Sul.

A blogueira afirma que seu ofício só existe porque ela viaja, e embora seja um trabalho prazeroso, não é feito apenas de ‘sombra e água fresca’, mas de muita dedicação.  Por onde vai, Rapha coleciona momentos e imagens que são postados no seu blog, para que o público acompanhe seu percurso.

Embora feliz com a maneira como vive, para Rapha a pior parte é não acompanhar a vida das pessoas que ficam enquanto ela vai. Mesmo com esse lado negativo nas idas, ela garante que não pretende parar. “Viajar é como o movimento das marés e, às vezes, bate uma seca, mas não poder viajar é uma sensação ruim”, comenta.  A saudade causada pela distância da família e amigos fazem parte dela assim como o impulso de ir. Mas o desejo de buscar novos caminhos ainda é maior que o peso de estar ausente.

 

“Acredito que meu pai nem sabia o que era Wanderlust, mas mesmo sem saber me passou essa sede de viver, de conhecer e de me arriscar. E assim sigo até os dias de hoje. Porque viajar, pra mim, é viver”, conclui.