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Jornalismo investigativo

Há quem diga que não existe jornalismo investigativo. Para algumas pessoas, todo jornalismo é obrigatoriamente investigativo, já que para se publicar uma notícia, deve-se fazer uma apuração e investigar os fatos antes, independente do tipo de publicação. No entanto, é impossível negar que existem algumas reportagens que tem claramente um apelo mais investigativo, em relação a outras. Fica evidente que um caso como o do Atentado ao Aeroporto dos Guararapes, por exemplo, requer um tipo de investigação muito mais apurado e delicado do que uma matéria sobre dicas de lazer.

O ano do Atentado à bomba foi 1966, enquanto a reportagem especial do Jornal do Commercio foi publicada em 1995, ou seja, 29 anos depois. Foram quase três décadas de dúvidas, injustiças e sofrimento de familiares das vítimas do crime. Apesar do trabalho premiado pela qualidade de suas apurações sobre um caso tão antigo, Gilvandro Filho, editor de Política do jornal e coordenador do Especial, não acredita que a série de reportagens tenha representado um jornalismo investigativo, já que para ele, todo jornalismo é investigativo, independente da pauta. “É um jargão que inventaram, mas eu não acredito nisso, pois jornalismo é jornalismo! Nós tínhamos algumas informações e fomos recolhendo novas pistas para desvendar a verdade. Só fizemos nosso trabalho jornalístico, nada muito melhor ou pior do que ninguém”, disse.

No entanto, a ideia de que não existe o “jornalismo investigativo” não é unanimidade entre os profissionais da área. Para se ter uma noção, em todo o mundo, existem várias associações especializadas especificamente nesse campo. O IRE – Repórteres e Editores Investigativos, maior associação de jornalismo investigativo do mundo, com 4 mil membros em 27 países; e a Abraji – Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, com mais de dois mil sócios; são alguns exemplos. Laura Capriglione, jornalista da Abraji, acredita que há um diferencial entre o jornalismo de investigação e o jornalismo considerado padrão. “É muito importante que se faça a investigação bem feita. O repórter tem que considerar todas as possibilidades. Para se fazer um trabalho investigativo de qualidade, não podemos procurar aquelas fontes que corroborem com nossa teoria, e sim, procurar aquela fonte específica, que possa negar a nossa teoria, para que assim, a notícia realmente seja finalizada de forma verídica”, afirmou.

Nádia Ferreira, que também foi repórter da série do JC sobre o Atentato de 1966,considera como principal objetivo de uma investigação, a apuração correta dos fatos. “Eu acho a investigação fundamental. O limite é sempre buscar a verdade, independente se a apuração durar um mês, dois meses ou um ano! O importante é a informação ser passada de forma correta”, afirmou.

Wagner Sarmento é outro exemplo de jornalista que acredita na existência do jornalismo investigativo. Como repórter desta área, já recebeu por seus trabalhos, o Prêmio Latino-Americano de Periodismo sobre Drogas, fruto de um especial sobre a vida de estrangeiros no Brasil como soldados do tráfico internacional; e o Prêmio Imprensa Embratel, pela reportagem “Um mergulho no absurdo“. Wagner acredita que as investigações de profissionais da área da comunicação não podem substituir o trabalho de um órgão público, mas podem servir como um auxílio de extrema importância.

Citando o caso do Atentado dos Guararapes, Wagner explica o seu ponto de vista: “Na série de reportagens sobre a explosão da bomba, o JC desvendou uma realidade, mas não inocentou ninguém porque ele não tem o poder constitucional e institucional para tal ação. Isso só pode ser feito através da Justiça. O jornalismo não existe para cumprir papeis do poder público, mas pode auxiliá-lo. A reportagem especial do JC foi um exemplo disso, já que expôs uma realidade escondida e ajudou a inocentar duas pessoas que eram injustamente acusadas por algo que não fizeram”.

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