Dias dos Namorados

 

Embalados e contagiados pela magia das festividades juninas, particularmente, dia 12 de junho, é um data em que os olhos dos amantes brilham: comemora-se o dia DOS NAMORADOS. Mas, para quem ama, ou melhor, para quem encontrou o amor de sua vida, todos os dias se revestem de uma paisagem especial e de sedutoras emoções.  

Com esta singela homenagem aos amantes, pretendo apenas compartilhar três pérolas de sábios, “versados” nas coisas do amor. Quer ser, acima de tudo, um bálsamo para os sentidos e um refrigério ao coração.

Aproveitar a data para uma meditação mais profunda sobre o assunto é oportuno e faz bem a nossa condição de “peregrinos do Absoluto”.. Ainda mais se considerarmos a realidade nua e crua do nosso tempo, cuja cultura cultua tantos ídolos, fantoches e modismos, a ponto de ridicularizar quem resiste, teimosamente, em crer nos valores da família, do respeito, da fidelidade e da gratuidade do amor.  E o que dizer da ridicula moda do “ficar”?!!    

Então, que tal mergulhar em águas mais profundas? Vejamos o que comunica o mestre e insigne poeta lusitano, Fernando Pessoa. É de tirar o fôlego!

Quando te vi amei-te já muito antes:
Tornei a achar-te quando te encontrei.
Nasci para ti antes de haver o mundo.
Não há coisa feliz ou hora alegre
Que eu tenha tido pela vida afora,
Que o não fosse porque te previa,
Porque dormias nela no futuro.

A adorável Cora Coralina nos deixou palavras imorredouras, cheias de ternura e doçura, inspiradoras pra todos aqueles que buscam traduzir em vida a gramática do amor:  

Não sei...

Se a vida é curta ou longa demais pra nós,

Mas sei que nada do que vivemos tem sentido,

Se não tocamos o coração das pessoas.  

Na Encíclica Deus caritas est(Deus é amor, n° 17), o papa Bento XVI, oportuna e magistralmente, recorda-nos qual é a substância do amor:  “Querer a mesma coisa e rejeitar a mesma coisa é, segundo os antigos, o autêntico conteúdo do amor”. E aprofunda a reflexão, estabelecendo analogia entre o amor humano e o amor divino: “A história do amor entre Deus e o homem consiste precisamente no fato de que essa comunhão de vontade cresce em comunhão de pensamento e de sentimento e, assim, o nosso querer e a vontade de Deus coincidem cada vez mais”.  Experiência de comunhão  profunda que todo coração acalenta e deseja ardentemente. E existe coisa mais bela e sonho mais sublime para duas pessoas que se amam de verdade?

Oxalá, todos os casais possam experimentar e viver como eternos aprendizes do amor que não conhece ocaso. É K. Gibran quem nos ensina: “Quando o amor vos chamar, segui-o”.  O amor não tem  razões nem exige explicações. Então, sigamos o amor porque é ele quem dá sabor à vida e faz incandescer o coração. E deixa arder...

 

Pe. Gottardo,sj

 

 
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