A mulher feliz do Magnificat


Tradicionalmente, no mês de maio, a figura da mulher Maria é evocada com particular reverência e afeto por milhões de cristãos no mundo inteiro. Além de enaltecer as virtudes, tais como: a beleza sem igual da maternidade, a abertura ao novo, o amor oblativo, o respeito à conservação da vida... faz-se imperativo reconhecer, na Mãe Maria, paradigma e mestra para quem deseja seguir a estrada do Filho, causa da alegria!

Na maravilhosa oração do Magnificat (Lc 1,46-55), Maria glorifica a Deus, consciente de que, por causa do seu SIM incondicional, todas as gerações glorificariam o Pai dos céu, porque sua Misericórdia se tornou princípio de salvação e a justiça, suspiro dos empobrecidos. Nas palavras do Magnificat, manifesta-se, na verdade, o coração amoroso e terno da mulher, Maria.

O Magnificat representa original testamento espiritual legado à posteridade. Cada um de nós, à luz do Magnificat, é convidado(a) a olhar a vida, a história, o universo das relações pessoais e interpessoais, enfim, a natureza e tudo o que nos circunda, com os olhos de Maria. Por tratar-se essencialmente de um hino de reconhecimento do senhorio de Deus em tudo, a oração do Magnificat nos ensina a entrar em salutar comunicação com o Deus de Jesus e nos ajuda deveras a superar o deserto e a aridez espiritual que tantas vezes nos asfixiam. É forçoso sublinhar, porém, que nem sempre é fácil reconhecer e encontrar a Deus em todas as coisas, ainda mais quando a violência grassa e nos ameaça, os espantosos cataclismos se multiplicam e nos estarrecem, e a cultura do frívolo e do descartável, produtos do deus mercado, impõe-se com força avassaladora.

A oração de Maria forja, em nós, novos olhos, nova sensibilidade e nova relação com Deus. Ela, efetivamente, ajuda-nos a compreender e a ver a Deus em todas as coisas. Não obstante as contradições que nos açoitam, Maria, com o coração cheio de amor, leveza e suavidade, canta “Minh’alma exulta em Deus meu Salvador”. Quanta alegria! Será que neste mundo existiu, existe ou existirá alguém tão feliz como Maria? E qual a razão profunda da felicidade da Mãe de Jesus? Sedução e fascínio inebriantes para com Deus.

Como não cantar com ela, com o coração cheio da ternura divina e confiantes na maternal intercessão: “Que honra é para mim, chamar de minha mãe? A mãe do meu Deus, do meu Salvador. Ensina-me, ó mãe, a caminhar na luz, seguindo os passos de Jesus”. Com Maria, deixemo-nos, portanto, engravidar pela divina graça que bate à porta e deseja realizar grandes coisas em nós e através de nós. Amém.

Pe. Gottardo,sj

 

 

 
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