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Intinerário Espiritual na Linguagem Interior de S. Inácio Santo Inácio nos atrai pela totalidade de sua pessoa, de seu modo de pensar e de sentir, pela a maneira de decidir e de se relacionar, pela sua unção cheia de bons desejos com a qual encara os assuntos mais diversos. E lhe perguntamos: Como chegastes a este modo de ser? Onde está o segredo de tanta harmonia, de tua personalidade tão bem realizada e tão fecunda? E, sobretudo, qual foi o papel de Deus nessa transformação e crescimento ao mesmo tempo tão humano e tão divino? A resposta está em que tua vida tem muito de peregrinação, de busca e encontro, de tenacidade e docilidade e, desse modo, tu e Deus conseguiram um estilo de vida de grande qualidade cristã, pelo qual, por um lado, se torna transparente a ação divina neste mundo e, por outro, vives em profunda plenitude, totalmente dedicado ao serviço dos demais. Sentimos que vale a pena conhecer-te e aprender da tua peregrinação desde tua própria liberdade e até a dos demais. No fundo, muitos de nós sentimos o mesmo desejo, a mesma urgência não somente de crescer mas também de anunciar o Evangelho e ajudar aos outros. Tua peregrinação interior continua válida para o nosso tempo; não porque queremos reproduzir tua vida, mas porque tentamos acompanhar-te no teu itinerário espiritual, como se quisermos reproduzir, de longe, o que Emaús foi para os desorientados discípulos de Jesus. Um companheiro que hoje nos mostra o caminho: Inácio de Loyola.
Para Inácio, há uma dupla peregrinação. Uma externa, de tipo geográfico e localizada em Loyola, Montserrat, Manresa, Barcelona, Roma, Veneza e, por fim, a Terra Santa, onde ele quer ficar o resto da sua vida. Mas seus planos são frustrados e tem que voltar a Veneza, Barcelona, Alcalá, Salamanca, Paris, Loyola e novamente Veneza, esperando retornar à Terra Santa, desta vez com seus companheiros, “amigos no Senhor”
Esta experiência dura toda a vida e distinguimos nela três etapas ou idades: a do desejo, do crescimento e da missão. A idade do desejo, de abertura ao futuro que o atrai com toda sua carga de idealismo; a do crescimento, em que a atração idealista do futuro começa a fazer-se operativa, iniciando-se o processo de realização para a aprendizagem e a busca sistemática; a da missão, em que o futuro se torna presente e eficaz; a da idade do esquecer de si e a da doação total, do pleno florescer da vida entregue e fecunda.
A idade do despertar do coração, do deixar-se enamorar por alguém. Tudo começa no interior. Para Inácio, foram as leituras. A Imaginação começa a trabalhar e projeta imagens de possibilidades cada vez mais atrativas. Ele sente-se capaz de tudo, o idealismo torna tudo fácil e o que desejamos fazer nos faz felizes. O humano é assim, Inácio e nós passamos por isso, e o mesmo acontece com nossos jovens. Não se pode anular essa etapa num coração juvenil sem conseqüências negativas. O que importa é viver bem. Como viveu Inácio? Há um primeiro chamado através das leituras da Vita Christi, de Cartusiano, e de “Flos sanctorum”, de Jacob de Varazze. Novos modelos de identidade: os santos e, de modo especial, Jesus, que polarizam muitos desejos dispersos de Inácio. Dessa interiorização brotam os “desejos”, que são mencionados, muitas vezes, na autobiografia ( nos primeiros dois capítulos, umas vinte vezes): “desejos de imitar os santos”, desejos de ir a Jerusalém, “santos desejos” que anulam os afetos desordenados passados ( Autobiografia n.9-10); “penitências que desejava abraçar” (id .12); “grandes desejos de servir a Deus em todo o que conhecesse (id. 14). Mas notamos um progresso: os motivos vão-se orientando cada vez mais para Deus e vão-se purificando da polarização anterior, mas egocêntrica, relativa aos próprios pecados. Resumindo esta etapa, diríamos que, num primeiro momento Inácio oscila entre dois modelos opostos de identificação: o amor mundano e o amor divino; prevalecem os desejos de imitar os santos, acentuando quase exclusivamente as ações externas, grandes penitências e austeridade. Mas essas penitências são expressão cada vez mais clara de uma fidelidade de cavaleiro ao Divino, tendo como referência Jesus Cristo, cada vez mais conhecido, amado e seguido, seguindo o itinerário que o próprio Inácio descreverá mais tarde nos Exercícios Espirituais. Mas ainda não há interioridade nem discrição porque a alma está ainda cega. (id. 14). Mas é incontestável o desejo e a atração que o conduzem a uma nova etapa.
Essa é a etapa que vai desde Montserrat até a La Storta, a pequena igreja que marca o fim do itinerário geográfico e onde Inácio vive uma profunda experiência mística que o marca para sua nova vida na cidade de Roma: momento crucial na espiritualidade inaciana na história da Companhia de Jesus (jesuítas). Essa etapa é o momento inicial em que Inácio começa a realizar seu desejo. Passa do âmbito do ideal, afetivo, imaginativo e puramente futuro ao nível da realidade da história, a vida de cada dia, marcada pelo esforço constante e para a verificação de uma experiência que, inclusive, implica a transformação até mesmo daquilo que se deseja. Época de equilíbrio entre sua tenacidade basca e sua capacidade de adaptação em relação consigo mesmo e com Deus: aprender a cooperar com Ele, sem suplantá-lo; superar os próprios desejos até chegar à disponibilidade plena. Inácio experimenta esse Deus inspirador, respeitoso de sua relação com o ser humano; diante dele, sente-se como criatura guiada por um mestre (Autobiografia, n. 27), fazendo-se criança para entrar no Reino. Há, nessa etapa de crescimento, 6 momentos importantes até chegar à idade do envio. MontserratAqui o Peregrino faz descobrimentos muito importantes e depois da visita à Abadia, retira-se a Manresa para tomar nota dessa experiência. Montserrat é a primeira referência externa em seu processo de conversão; até então não se havia mostrado como convertido; seguia com as mesmas roupas, a mula e as armas. Montserrat é o momento da eclesialização do convertido Inácio: veste-se de peregrino, abandona a cavalgadura e as armas, mas, sobretudo, vive com profundidade os sacramentos da Penitência e da Eucaristia. Juan Chanon, o monge francês confessor de peregrinos, acompanha-o durante três dias de sua confissão. Inácio esteve em Montserrat desde o dia 21 de março atè a madrugada do 25, quer dizer, desde a solene celebração da festa de São Bento até a solenidade maior ainda, da Anunciação. Quando fez vigília das armas, não o fez na Igreja silenciosa e escura, mas acompanhado pelo esplendor das orações matinais, Laudes, e da Missa solene, com mais de 50 sacerdotes, outros tantos irmãos, e milhares de peregrinos que chegaram para essa festa Mariana: noite de luz, música, comunidade e vivência eclesial, inesquecível para Inácio, sensível às coisas de Deus. Inácio vive uma experiência de vida religiosa muita rica, a diferente de Lutero e Erasmo, que se tornaram fortes críticos, talvez pelas experiências negativas. Inácio encontra o mosteiro nos seus melhores anos em razão da reforma de Garicia Jimenez de Cisneros, primo do Cardeal, e Abade de Montserrat. Quase com toda certeza, o monge Chanon entregou o Ejercitatorio de Cisneros, bom instrumento para a formação inicial de uma vida espiritual bem estruturada. Manresa Manresa é o lugar onde o Espírito vai educar Inácio na ciência do discernimento dos espíritos, o discernimento como maturidade cristã no amor. Inácio passa do modo indiscreto de amar ( quase apunhá-la o mouro por não aceitar a virgindade total de Maria, (cf. Autobiografia, n. 14) a um amor “discernido”, quer dizer, fundamentado em Deus e motivado por Ele; o Deus que é o Senhor de seu castelo interior onde entra e sai quando quer e cuja voz saberá reconhecer desde Manresa para distingui-la de outras vozes, tanto na vida interior como na vida apostólica. Pode-se distinguir três períodos da vida de Manresa: o da paz, o das grandes lutas internas pelos escrúpulos até buscar o suicídio, e o dos grandes dons místicos. Inácio está sozinho, sem acompanhante, provando e sofrendo os resultados de ações pouco discernidas. Mas aprende que o mal espírito atua através de perturbações e inexperiências diversas; quer afastá-lo do caminho da conversão pela regressão no caminho espiritual; procura cansá-lo para que, entediado de tudo, volte à casa de seu irmão. A luz de Deus lhe faz descobrir o sentido de todo esse processo orientado a levá-lo a desistir de seus propósitos; os escrúpulos eram um simples meio para esgotá-lo e fazê-lo perder a claridade e confiança em Deus. Descobre os enganos ( EE. 139) e que a solução está em avançar com firmeza. Deus é a garantia, e as dificuldades são mais aparentes que reais; na verdade, não têm consistência alguma. Inácio se mostra, novamente, como dotado de grande capacidade de introspecção, de conhecimento de si mesmo e, ao mesmo tempo, como criatura dócil aos sinais do Espírito, fiel a esse Deus que guia a cada um ( Autobiografia, n. 27). segundo Laínez, Inácio chamava Manresa “sua Igreja primitiva” e a iluminação do Cardoner tem muito de comum com a experiência de Jesus ressuscitado. Terra Santa É uma etapa de busca de Jesus nas suas dimensões espácio-temporais, ainda não superadas. Mais do Jesus histórico que do Cristo da fé. Daí a importância de lugares e ambientes e a atração que exerce sempre para Inácio a terra em que Jesus pisou. Como um apaixonado... como no terceiro modo de humildade. O peregrino tem que aprender a não absolutizar a lembrança histórico-geográfico de Jesus, como se fosse o modo supremo de aproximação a sua pessoa. É necessário passar, como os primeiros cristãos, à experiência de um Jesus vivenciado no Espírito e na Igreja, que prolonga sua encarnação. Na Palestina, Inácio aprende a ver a Igreja que prolonga a sua encarnação. Na Palestina, Inácio aprende a ver a Igreja que prolonga na sua aproximação afetiva a Jesus. Sente, como os discípulos na Ascensão, que, pela impossibilidade de ficar na Terra Santa, desaparece a presença sensível de Jesus. A fé em Jesus Ressuscitado se faz forte e dela deve dar testemunho. É o tempo do Espírito e da Igreja, o qual, para Inácio, significa renunciar ao que pensava ser chamado pessoal e direto de Deus. A Nova Terra será a Igreja, embora ainda não o saiba. Mas, antes de partir, sente o desejo de voltar a ver a pedra de onde Nosso Senhor subiu aos céus (Autobiografia, n. 47). O trauma da Ascensão permite-lhe descobrir que a Igreja Hierárquica tem algo que dizer sobre aquilo que Deus pretende dele: não era vontade de Nosso Senhor que ele ficasse naqueles santos lugares por muito que desejasse o contrário. Os estudos Voltando da Terra Santa a Barcelona, continua seu itinerário espiritual. Em Barcelona, começa seus estudos para “ajudar as almas”. A decisão de estudar foi resultado de um discernimento para sair da incerteza do regresso da Palestina. É o momento de integrar novos elementos, porque sua vida se complica ao tornar-se mais real; e, às vezes, esses novos elementos parecem opostos entre si como o estudar e o ajudar as almas; o viver como pobre, embora isso diminua sua dedicação aos estudos; o desejar a solidão para reunir companheiros, porque compreende que, para ajudar as almas, necessita de companheiros que ajudem a outros e se ajudem entre si. Ali está a semente da futura Companhia de Jesus. Mas há outro elemento importante nesse período de formação e aprendizagem; um caminho doloroso que tem que ser percorrido: aprender a trabalhar na Igreja sem entrar em conflito com as estruturas e sem ceder na sua liberdade de filho de Deus, que o impulsiona a outros caminhos mais inovadores. Aprendizagem de fidelidade e liberdade que custou a Inácio momentos difíceis. Nada menos que três processos em Alcalá e um em Salamanca; processos que não foram, como às vezes se afirma, da inquisição, mas da Diocese de Toledo, à qual Alcalá pertencia naquela época. Talvez o motivo dos processos fora a maneira de iniciar aquelas boas senhoras na oração, com as suspeitas de “iluminismo”. Saiu livre dos processos e saiu também livremente da Diocese porque lhe parecia que a sentença limitava, sem necessidade, sua ajuda às almas. E, com a mesma liberdade de espírito, foi para Salamanca, para estar quase todo o tempo novamente recolhido em prisão. A aprendizagem inaciana de “sentir com a Igreja” foi custosa. Inácio chega a Paris em 2 de fevereiro de 1528. Profundas experiências e relação com a Igreja lhe permitem novas formas de integrar a vivência até agora . Em Alcalá, quase não pode estudar pelas atividades pastorais e os processos; em Paris, Inácio estudou a serio, obtendo licença de filosofia para começar seus estudos de teologia. Mas ao mesmo tempo dá Exercícios a bastantes pessoas, já não mulheres simples, mas a professores e alunos do ambiente universitário. Também aprende, depois dos fracassos, o modo de atuar com o propósito de reunir companheiros: a primeira tentativa foi em Barcelona, com Calixto, Cáceres e Arteaga, grupo que dura até Alcalá e Salamanca. Grupo caracterizado externamente pelas vestes um pouco chamativas como hábitos. A segunda tentativa foi a de Paris, com Peralta, Castro e Amador, conquistados pelos Exercícios, dados simultaneamente aos três e com explosões espetaculares de radicalidade: dá tudo aos pobres, inclusive livros, e passa a viver num hospital. A reação da Universidade fez fracassar esse segundo intento. Inácio aprende com a experiência : a formação do terceiro grupo seria mais lenta, respeitando o ritmo da conversão, lento e sem aparato extrior. Em Santa Bárbara começa a dar Exercícios, dessa vez individualizados, a Fabro e Xavier, aos quais se lhes vão acrescentando outros até completar os dez, que serão os primeiros jesuítas. Paris é lugar de muita vitalidade e para Inácio, momento de maior integração. Diante de grupos que se radicalizam em oposição, mantém a independência para amadurecer sua opção: fundamentalmente, uma opção de amor à Igreja, avançando em duas frentes, o da fidelidade e a da purificação a partir do interior. De sua experiência eclesial nascem as regras para sentir com a Igreja. Também o elemento da pobreza sofre novas adaptações. Em Alcalá, pedia esmolas; em Paris o faz de forma organizada com viagens a Flandres e Londres, para poder dedicar-se melhor ao estudo. É enorme a capacidade de aprender a partir da experiência e de integrar diversos aspectos da realidade; o desejo de ajudar as almas lhe vai guiando nos passos que dá, vai-se abrindo com realismo ao “maior” serviço, que exige, logicamente, uma certa lentidão e integração de aspectos e experiências. Por isso não tem pressa com o terceiro grupo, o qual forma com o discernimento pessoal comunitário; o primeiro pelos Exercícios, o segundo pela dinâmica de concretização de compromissos comuns. Existem testemunhos de deliberação de 1534. O Senhor Jesus é a Cabeça do grupo e todos buscavam sua vontade. Veneza Somente uma referência. Veneza é o lugar do reencontro entre amigos e os companheiros. Ninguém faltou e todos chegaram antes do previsto. É o noviciado da nova vida dos “amigos no Senhor”. Antes viviam dispersos e se relacionavam através de seus estudos; a viagem de Paris a Veneza com suas aventuras e desventuras os uniu muito. Mas somente em Veneza podem viver conforme o desejo experimentado no processo dos Exercícios; amigos em união de espíritos, em pobreza radical, vivendo e servindo nos hospitais, preparando-se primeiro para o sacerdócio e exercendo, depois, o ministério recebido, em contínuo discernimento comunitário. É uma segunda Manresa, mas comunitária e mais discernida e acompanhada. La Storta Esta visão quase às portas de Roma é o fim do trajeto e o ponto de partida para tudo em Inácio; mas seu caminhar se associa a outra caminhada: a de Jesus com a cruz às costas, caminho do Calvário: frente a certeza da experiência de que Deus o punha com seu Filho. É o serviço apostólico, é o caminho da paixão, porque não há outra maneira de vivê-lo que dando a vida. Segundo Laínez, Inácio escuta: Quero que tu nos sirvas, e o Pai Eterno o põe com seu Filho, ou seja, na Companhia de Jesus. Essa é a experiência de Inácio no momento de chegar à meta. Janelas fechadas em Roma, que anunciam muitas dificuldades para a Companhia nascente. A idade do envio Com La Storta, termina o caminhar, porque Inácio encontra a resposta ao “como ser enviado” iniciado em Loyola. A doação de si mesmo se mostra na disponibilidade diante de Paulo III para o envio à vinha do Senhor. Transformar a realidade é o ideal de todo trabalho apostólico cristão, mas se faz aproximando a realidade de Deus para que o Criador e Senhor abrace a totalidade da criação, porque é Aquele que mantém na existência todas as coisas por amor participativo. Mas faz falta dispor a criação para que possa ser abraçada, quer dizer eliminar obstáculos que impedem a aproximação; e transmitir o desejo de ser abraçada. Incitar o desejo, e isto é o que moveu Inácio em toda a sua vida. Quer reproduzir em outros a dinâmica de conversão e crescimento, multiplicar, no espírito, o itinerário espiritual. Inácio chega a Roma, em Novembro de 1537, e fica ali até sua morte em 1556, como instrumento da ação divina, ao que faz referência nas Constituições da Companhia. Nem a ação nem os interesses conhecem fronteiras; todas as necessidades, sugestões, planos, despertam acolhida e estimulo. Contagia o interesse pela missão e o itinerário espiritual acaba por ser itinerário missionário. Nadal, primeiro teólogo da espiritualidade inaciana, promulgando as Constituições, diz sobre os domicílios da Companhia: “ o primeiro domicilio do professo da Companhia é a peregrinação”. A Companhia é para caminhar, e a disponibilidade é sua situação preferida; é a herança de Inácio que se prolonga em atitudes de buscar sentir e atuar com um coração universal identificado com o Reino. O momento final do itinerário é a quietude, porque não abandona Roma, mas sobre- tudo porque sua vida contemplativa se centra definitivamente em Deus; encontrando acesso ao Pai, com Jesus, como a sua sombra; perguntando-se: aonde me queres levar, Senhor? Ou sentindo-se mais unido à Trindade Santa. Mas é momento também de missão. Inácio se dedica ao mundo, é enviado a partir de sua identificação total com o Filho. Na quietude de Deus e na multiplicação da ação apostólica da Companhia, quer dizer, na universalidade e eficácia como sinais de uma presença divina que foi a meta do itinerário de Inácio. Pe. Antonio Mota S.J. |
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