Atualidade da mística de St. Inácio de Loyola numa Sociedade e Cultura secularizadas.

RESUMO: trata-se de mostrar como a Espiritualidade Inaciana responde, profundamente, às angustias da pós-modernidade e a busca de sentidos místicos para a vida cristã, por que, precisamente, ela ajuda a discernir, com clareza e ação do Espírito de Deus, na inteligência humana pós-moderna.
Palavras-chave
: Espiritualidade- Mística Inaciana – angústia da pós-modernidade -  ação do Espírito de Deus.

Introdução

Inácio de Loyola, homem do espírito, nasceu na casa nobre de Loyola (Azpetia- Província basca-Espanha), recebe o primeiro golpe violento em Pamplona, vítima de sério ferimento, a 20 de maio de 1521. Uma bala de canhão (da época) fere-lhe, gravemente, a perna direita, abaixo do joelho, atingindo, também, a outra perna. Esteve, várias vezes, à beira da morte. A longa convalescença vai ser momento privilegiado da graça, em que o nobre sonhador com glórias “morre”, para nascer o homem do espírito. Como homem do espírito – do discernimento -, deixa, quando morre, em 1556, em Roma, uma obra espiritual e apostólica que, até hoje, marca a vida da Igreja Católica, através da sua Companhia de Jesus, fundada, juntamente, com seus primeiros companheiros de missão: Francisco Xavier, Pedro Fabro, Diogo Lainez, Simão Rodriquez, Bobadilha e Salmerón.

Na sociedade e cultura atual, tão diferente da sociedade e cultura do tempo de Inácio, a mensagem que ele nos comunicou, desde mais de 400 anos, tem, ainda, algo que nos dizer hoje? Certamente sim; porque Inácio mostra, com sua experiência/carisma, como encontrarmos Deus no coração da vida. Nós que vivemos numa sociedade e cultura secularizadas, justamente numa época de crises de sentido para vida como constatamos atualmente no mundo da pós-modernidade, em que, principalmente, os jovens estão buscando, desesperadamente, embora pelo avesso, nas aventuras do hedonismo que tanto os escraviza, um sentido prazeroso, no imediato satisfatório, para viverem.

Inácio, auto-determinado, após sua conversão de vida, como um peregrino de Deus, experimentava Deus na diversidade de situações que viveu: no silêncio e na ação apostólica, na oração e no estudo, no êxito e nas perseguições, na solidão e no meio dos homens e das mulheres que tão próximos estiveram na sua vida. Inácio, na sua experiência de contemplação na ação, nos mostra como podemos experimentar a presença de Deus, em meio a nossa vida, nas circunstâncias mais diversas. Experimentar Deus, em meio à vida normal, é um bom estímulo para quem, como nós, no ativismo pós-moderno, vivemos apegados às teias de relações da sociedade pós-industrial urbana e que tanto sufoca a liberdade de encontros, com sentido de realização, entre as pessoas.

Inácio encontrou, verdadeiramente, a Deus e, no entanto,  buscava-o, sempre. Como Inácio, também nós podemos  identificar Deus, entre nós e, no entanto, temos que busca-lo  sempre. E quem acredita que já o tenha encontrado, está muito longe Dele. Desde o momento que Inácio teve o primeiro encontro espiritual com Jesus Cristo, em Loyola, não deixou jamais de busca-Lo.  Temos de procura-Lo, porque, apesar de que Ele se encontra em todas as encruzilhadas da vida, nem sempre sua presença é perceptível ao nosso coração.

1.  Na Sociedade atual

Na sociedade de hoje, sentimos a necessidade de descobrir Deus, entre nós, mediante as mudanças constantes de atitudes e comportamentos; é a busca própria daquele que sente interpelado por Deus, num processo de conversão autêntica. Sentimos a exigência de buscar a Deus presente, porque Ele, como mistério inefável de amor, assim como experimentou Inácio, transcende todas as idéias que nós fazemos Dele; e está para além de nossos projetos, elaborados às vezes com tanto cuidado. Temos que estar dispostos a ir mais além, esse mais (Magis), tão relevante para Inácio; ir para além do lugar encontrado, no seguimento de Cristo, do contrário todas as coisas se convertem em ídolos encobridores do verdadeiro rosto de Deus de Jesus Cristo. Somos interpelados a transcendermos, sempre, todas as realidades com as quais trabalhamos, pelo Reino de Deus, para confiarmos nossa esperança, unicamente, em Jesus Cristo, por quem Inácio tem uma louca paixão espiritual (cf. S. Paulo aos Felipenses, 3, 7-14).

A experiência de Deus, feita por Inácio, reconhece que Deus não está longe de nós; encontra-se, no meio da nossa vida, às vezes, desconcertante. No entanto, temos que busca-Lo, mudando nosso coração, não identificando Deus com nenhum de nossos atos, idéias ou projetos, nem sequer nosso discernimento, é necessário supera-los sempre, porque Deus transcende todas as realidades criadas e como criaturas somos confrontados com o Seu mistério de amor infinito.

Para Inácio, Deus e os homens se convertem numa inseparável e única experiência; ajudar as almas foi a tradução do seu desejo de servir ao Senhor. E esta mística do serviço transfigurou a ação do homem, singularmente, ativo e marcado pelo desejo de fazer grandes coisas, pela Divina Majestade, como assim gostava de nomear Deus. Desse modo, Inácio desfez duas tensões: a tensão entre fidelidade a Deus e a tarefa em favor dos homens; e de outro lado, a tensão entre vida interior, necessária para uma vida verdadeiramente humana, e as ações, exigidas para transformar o mundo.

Sem dúvida, Inácio é um homem de significado para o nosso tempo, para quem, como nós, vive e luta, numa civilização centrada no homem, agitada de constantes ações intensas. O Peregrino nos lembra, como o seu olhar de contemplativo na ação, orientado aos homens e mulheres do seu tempo, em meio de uma atividade, às vezes, vertiginosa, nos afirma, com sua vida, que, também, podemos seguir a Cristo, situando-nos diante dos homens e mulheres, com a atitude interior cristocêntrica, como viveu no seu tempo: também nós podemos viver essa mística, descobrindo as grandes possibilidades e as grandes esperanças, ocultas no centro da humanidade, escutando o clamor dos pobres e oprimidos que nos interpelam a assumir um compromisso generoso para com a transformação da escravidão e pobreza do mundo atual, escutando a voz de Deus que ressoa sempre no clamor de nossa sociedade e, em conseqüências, dirigindo toda a nossa energia e atos para a libertação integral do humano, desde a humanidade que clama, com gemidos de parto, por uma vida mais plena. Mediante esses compromissos, podemos viver, como fez Inácio, nossa relação com os homens e mulheres, como sacramento da presença de Deus e nossa ação como serviço e luta pela construção do Reino de Deus.

Esse é um caminho inaciano de humanização de nossa atividade, com freqüência mecânica e impessoal e também, ao mesmo tempo, de divinização do nosso humanismo, às vezes, completamente fechado e secularizado.

Desde a cidade de Loyola até seu quartinho definitivo em Roma, durante 17 anos, Inácio percorreu, sem interrupção, o caminho de explorador dos sinais de Deus, na História, se interrogando constantemente: “O que tenho de fazer para servir ao Senhor Jesus Cristo? Aonde devo ir? Como reunir companheiros para ajudar as almas? Como me preparar melhor para esta empresa apostólica? É necessário fundar uma ordem religiosa?” Pouco a pouco, o peregrino vai compreendendo, na sua experiência, que o seguimento de Jesus Cristo não é uma forma de vida estática, ou uma vida tranqüila de oração, mas, precisamente, um caminho de busca, em constante discernimento.

2. Na vivência da mística cristã na cultura secularizada

Pensando em como ser cristão, hoje na aceleração da História secularizada, com a fragmentação cultural, religiosa e a exigência da inculturação da Fé, exigida pela evangelização! Interpela-nos à busca de novos caminhos, novas estruturas, novas formulações atuais, para sermos fiéis ao  chamado de Deus, na sociedade, hoje. Sem dúvida, essa criatividade contínua, poderá inspirar-se, apenas, no Espírito de Cristo que conduz à verdade completa. O discernimento evangélico, forma mais fundamental de busca de vontade de Deus, tem um significado muito forte para o Cristianismo de hoje que deseja ser mais personalizado, mais adulto na Fé e mais pluralista, no diálogo das culturas religiosas.

Quando o cristão, hoje, escuta a palavra de Deus e capta o eco dos clamores dos homens e mulheres, quando participa do diálogo comunitário e bebe das fontes da água viva da Igreja, ainda não tem uma resposta pessoal à pergunta: que é preciso saber? Então, no mais profundo da pessoa, no seu coração, pode brotar uma palavra definida e clara. Isto é o discernimento. Não é, somente, uma exigência dos indivíduos, mas é, também, da comunidade cristã cujos membros querem recorrer a este caminho de busca evangélica para responder às interpelações e interrogações da sociedade hodierna. Inácio, paciente e incansável explorador de caminhos pessoais e comunitários, se converteu até a presente data, no mestre clássico do discernimento cristão.

Á primeira vista, o nosso mundo ocidental pode produzir uma expressão positiva. A Ciência, a Técnica, o Progresso e o Bem-estar  criaram um estado de auto-satisfação e de otimismo, nos ambientes mais privilegiados, economicamente. Mas não é nada difícil descobrir as zonas tão escuras, neste panorama, superficialmente e, à primeira vista, luminosa: a solidão, a falta de sentido da vida, a dor moral, a frustração... é o preço a pagar pelos demais ( os pobres, os marginalizados, os milhões de refugiados, fora de seus países, os povos oprimidos). Inclusive a resplandecente imagem do mundo ocidental se vai fragmentando, com as cometidas crises econômicas e o beco sem saída em que se encontram as tentativas realizadas para conseguir uma aceitável convivência nacional e internacional, em meio do terrorismo, gerado pelas diferenças étnicas e sociais. Encontramo-nos carentes de uma atitude oficial otimista mais do que diante de resultados frutíferos. Sem dúvida, uma postura negativa e de renúncia, em relação ao nosso mundo e diante do que fazer da terra, não encaixa, no espírito moderno do ocidente. A fuga do mundo, ainda admitindo um significado teológico cristão, não é do gosto do homem atual.

3.  Numa espiritualidade integrada através do discernimento

Daqui um interesse atual por uma espiritualidade integradora do mundo; poderíamos dizer, como  a de Inácio. Tudo, todas as coisas, são palavras-chaves, na sua linguagem, tão cuidadoso para dizer o que quer. O peregrino, depois do seu tempo de luta e purificação, até chegar a eliminar tudo o que sufoca a ação construtiva e criativa de Deus, teve, em Manresa, um olhar tão profundo do mundo que lhe pareciam novas todas as coisas. Mais tarde, ensinou, nos Exercícios Espirituais e nas Constituições que ele escreveu, a encontrar a Deus, em todas as coisas abrindo um panorama admirável entre a negatividade de fugir de tudo e a ingenuidade do tudo permitido. A Pedagogia  do discernimento em Inácio, nos ajuda a recusar os angelismos evasivos: não podemos servir a Deus, se voltamos as costas às coisas deste mundo. Trata-se de uma genuína Tradição cristã, experimentada por Inácio, em carne própria e, posteriormente, transmitida aos demais. Esta Tradição, sempre, ensinou que a ação de Deus, no mundo, e portanto no homem e na mulher, não destrói nada, mas que a tudo elevam a sua perfeição e plenitude. Esta experiência e magistério marcaram os discípulos de Inácio. Trata-se de uma maneira de viver como autêntico cristão que supõe, em primeiro lugar, uma contemplação do mundo, sob a perspectiva da Fé, integrando, no mesmo olhar, o conjunto das realidades da existência humana: o material e o espiritual, o humano e o divino, este mundo e a vida espiritual futura. E exige, também, um relacionar-se com o mundo, partindo das disposições novas e com o coração novo; promovendo tudo o que leva à vida e transformando tudo o que necessita ser renovado (sem deixar-se conduzir por afeição desordenada como se adverte nos EE). Uma Espiritualidade  do discernimento, que derruba os muros que isolam e dividem, para integrá-los numa visão de Inácio, para hoje, numa mensagem, forte de esperança, numa época em que, no esforço para transformar a sociedade, as iniciativas mais altas e os espíritos mais generosos parecem condenados à obscuridade de uma humanidade, ferida e dilacerada para um constante mar de crises.

Como um espírito generoso e inflamado por Deus, se nos apresenta, assim, o mesmo peregrino, na sua busca constante de vontade divina, no inicio de sua conversão.

Nesse tempo, ele é, ainda, um noviço, movido pela sua generosidade, a percorrer um longo caminho de amadurecimento. Transcorrem os anos e Inácio aprende o discernimento evangélico, aprende a reconhecer seu caminho mais pessoal, no chamado a ajudar as almas e se lança a formar um grupo de companheiros de Jesus e, finalmente, depois de superar inumeráveis obstáculos, funda com eles, a Cia de Jesus. Em servir as almas, concentrar-se-á na obra inaciana, confiante nas três Pessoas Divinas que decidem salvar a humanidade, em Cristo Histórico, que percorre as terras da Palestina e que envia seus seguidores para ajudarem aos homens, tudo isto é centro da experiência espiritual inaciana.

Inácio tem, agora, a responsabilidade mais alta do Grupo, que cada dia vai se tornando mais numeroso: e a esse Grupo ele dirige com sua sabedoria e experiência. Toda a força interior de sua vida pessoal se concentra, no objetivo próprio da Comunidade fundada, para o serviço divino e maior bem universal e proveito espiritual das almas.

O sonhador de Loyola, o peregrino por terras do mundo, se encontra, agora, em Roma no seu despacho e Superior Geral da Cia de Jesus, fecundo em planos apostólicos, lançados num mar de tarefas de cartas, elaborando as Constituições da Ordem. Mas não apagou o fogo aceso, há anos no seu coração. Sabemos pelo mesmo que as lágrimas fluem, instantaneamente, nos seus olhos, o mesmo nos diz, também, que, sempre, e, em qualquer hora que queria, encontrava a Deus. Um coração mais ardente, ainda, em Loyola, se deixava levar pelos seus sonhos.

4. A  mística de Inácio se mostra num amor apaixonado para servir a Deus

A vida cristã não é uma teoria ou uma moral de boa conduta. Mas que uma organização e ainda que um compromisso: é uma paixão por alguém. Esta é uma lição que Inácio aprendeu e que nos deixou nos seus Exercícios Espirituais; uma verdadeira escola de amor que termina, precisamente, com uma maravilhosa contemplação para alcançar amor, para encontrar a Deus, em todas as coisas. Deixar abraçar pelo amor de Deus, aprender a converter toda a vida em amor e serviço, em tudo amar e servir, constitui a síntese deste Livro que Inácio nos legou, como participação no dom que ele mesmo havia recebido. As últimas palavras deste Livro são, exatamente, sobre o amor divino.

Talvez em nossa sociedade, tão intercomunicada, mas anônima e fria, os cristãos poderiam colaborar com o calor de um amor que, também, na Igreja se apaga, sob as cinzas de um pensamento e um planejamento frio, de normas distanciadas da vida real – inclusive de um compromisso efetivo e afetivo, sem o ardor de uma paixão de Fé, podendo ficar secos pela ideologia e esvaziados pela ação. Faz-nos falta um espírito idealista, um coração apaixonado, como foi Inácio, para responder às exigências da vida cristã hoje, no desafio da luta por uma sociedade mais justa e fraterna, com abertura e sensibilidade para amar, sem fronteiras. No entanto, quem consegue viver de maneira intima, subjetiva, a presença sedutora de Cristo, enquanto sente como bem aventurado o convite ao seguimento no combate pelo Reino de Deus, ao estilo de Jesus, experimentará a vida cristã, como relação amorosa, cálida e entusiasticamente, na conquista do bem.

5. Conclusão

Aquele peregrino era louco por Jesus Cristo e se lembrava, ainda, de Manresa, muitos anos depois de sua passagem por lá. Somente a relação com Jesus Cristo pode nos levar, sempre mais, a amá-Lo e segui-Lo, isto na linguagem inaciana, continua valido para todos os tempos e culturas, comunicará, a nossas vidas, um sentido cheio de amor que fará arder nosso coração como o coração dos Discípulos de Emaús enviando-nos como testemunhas de Jesus Cristo Ressuscitado, aos nossos irmãos e irmãs de hoje.

Dessa experiência espiritual de Inácio, que chega, até nós, através dos seus Exercícios Espirituais, flui um estilo cristão de vida que não busca, somente, a Deus na oração, na liturgia, na vida da Igreja e no apostolado, mas que busca achar Deus, em todas as coisas.

Essa experiência mística de Inácio o levou a se comprometer, na vida histórica de seu tempo. E da mesma maneira, esse carisma nos impulsiona, hoje, a mais variada participação possível, em todos aqueles campos e atividades da vida humana, aos quais nos convoca a causa do Reino de Deus.

Nesse compromisso, em meio à agitação da vida de hoje, não temos que nos limitar ao uso dos meios sobrenaturais, mas devemos, também, empregar os meios naturais mais aptos para o fim, pois Deus não é, somente, Autor da graça, mas também, da natureza, como reconhece Inácio. Assim, ajudados pela experiência de Deus que fez Inácio, também nós, hoje, podemos fazer a nossa experiência de Deus, interpelados que somos, pelo mesmo Espírito de Deus que forjou Inácio a responder, com grandeza, a sua contínua busca de Deus, com uma práxis cristã mística, construindo uma espiritualidade integradora do humano no divino e do divino no humano, numa ardorosa e atraente visão antropológica cristocêntrica do homem pós-moderno.

     Referências

BERGER, P.L. – LUCKMANN, T., Modernidade, pluralismo e crise de sentido – A orientação do homem moderno.Petrópolis: Vozes, 2004.
CARJAVAL, L.G., Ideas y creencias del hombre actual. Bilbao: Editorial Sal térrea-Santander,2000.
CHARLES, A.B., Le Dieu des mystiques, vol. 3. Paris:Éditions du cerf. 2000.
LOMAS, Juan M. Garcia. Ejercicios espirituales Y mundo de hoy. In: Congresso Internacional de Ejercicios (Loyola 20-26 set. 1991). Bilbao: Mensajero- Sal Térra, 1991.
LOYOLA, San Ignacio de. La intimidad del peregrino (Diário espíritual de San Ignacio de Loyola). Bilbao: Mensajero – Sal Térrea, 1991.
VILLOSLADA, Ricardo Garcia. San Ignacio de Loyola – Nueva biografia. Madrid: BAC, 1991.
MARTELLI, Stefano, A religião na sociedade pós-moderna. São Paulo: Paulinas, 1995.

 

Autor: Antonio Raimundo Sousa Mota S.J.

 

 

 

 
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