Estado “cristão” e Neoliberalismo: uma heresia. Não podeis servir a dois senhores (Mt 6,24)

Élio Estanislau Gasda

Resumo


O labor teológico contém, de uma forma ou de outra, a dimensão histórica-social. O discurso está situado no contexto do teólogo que, em sintonia com sua comunidade de fé, interpreta a realidade à luz da Revelação. Não há como omitir-se diante das grandes questões que atemorizam a humanidade. O texto aborda o avanço do fundamentalismo sobre o conjunto da sociedade, a partir de duas frentes principais: a econômica neoliberal e a religiosa cristã. A caracterização de ambos fundamentalismos é ponto de partida para identificar as consequências perversas sobre a política: aniquilamento da democracia, asfixia da política, privatização do Estado e, a principal, governo do dinheiro e exclusão dos pobres. Religião (Cristianismo) e dinheiro (capitalismo) podem conviver? O capitalismo é realmente um parasita do Cristianismo? (Walter Benjamin). É possível implementar um “Estado cristão” (fundamentalismo religioso) no neoliberalismo (Fundamentalismo econômico)? Em Jesus Cristo se encontra a contradição absoluta entre Cristianismo e capitalismo neoliberal: a sentença “não podeis servir a Deus e ao dinheiro” (Mt 6,24) aplica-se também à esfera da política. Nem Deus, nem o mercado. A dignidade humana, o bem comum e a justiça são os fundamentos da política.


Palavras-chave


Cristianismo; Política; Fundamentalismo Religioso; Capitalismo neoliberal

Texto completo:

PDF/A

Referências


AGAMBEN, G. O Reino e a Glória. São Paulo: Boitempo, 2011.

AGAMBEN, G. “Deus não morreu, ele se tornou Dinheiro”. O capitalismo como religião. O deus dinheiro: Entrevista de Giorgio Agamben para Peppe Salva. Ragura News de 16.08.2012.

ARMONSTROG, K. Em nome de Deus. O fundamentalismo no Judaísmo, no Cristianismo e no Islamismo. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

BENJAMIN, W. Capitalismo como religião. (1921). São Paulo: Boitempo, 2013.

CASANOVA, J. Public Religions in the Modern World. Chicago: University of Chicago, 1994.

CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ; DICASTÉRIO PARA O SERVIÇO DO DESENVOLVIMENTO HUMANO INTEGRAL. Oeconomicae et pecuniariae quaestiones: considerações para um discernimento ético sobre alguns aspectos do atual sistema econômico-financeiro. Roma: Libreria Editrice Vaticana, 2018.

DE OLIVEIRA, C. F. O serviço como essência (Mc 10,41-45): Revista de Cultura Teológica. São Paulo, Paulinas, XVII, 67, abr/jun, 2009.

DREHER, M. N. Para entender o fundamentalismo. São Leopoldo: Unisinos, 2002.

ESPINOZA, B. Tratado Teológico-Político (1670). São Paulo: Martins Fontes, 2003.

FRANCISCO, Papa. Exortação Apostólica Evangelii Gaudium (EG). Roma: Libreria Editrice Vaticana, 2013.

FRANCISCO, Papa. Carta Encíclica Laudato si. Sobre o cuidado da casa comum (LS): Libreria Editrice Vaticana, 2015.

FRANCISCO, Papa. Discurso aos participantes no 3º Encontro dos Movimentos Populares. Roma: Libreria Editrice Vaticana, 2016.

FRANCISCO, Papa. Discurso ao Corpo Diplomático acreditado junto à Santa Sé (09/01/2017). Cidade do Vaticano: Libreria Editrice Vaticana, 2017.

GASDA, É. Política, Cristianismo e Laicidade: Perspectiva Teológica, v.47, n132 (maio/agosto 2015), pp. 203-220.

GASDA, É. “Essa economia mata” (EG, 53). Crítica Teológica do capitalismo inviável: Perspectiva Teológica, v.49, n.3 (set/dez. 2017), pp. 573-587.

GARRARD-BURNETT. A vida abundante: a teologia da prosperidade na América Latina. Revista História: questões e debates. n. 55, p. 177-194, 2011.

HAYEK, L. O caminho da servidão (1944). São Paulo: Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2010.

HOUAISS. Dicionário Houaiss da Língua Portuguesa. Rio de Janeiro: Record, 2001.

LAFARGUE, P. A Religião do Capital. Rio de Janeiro: Achiamé, 1886.

LOCKE, J. Segundo Tratado do Governo civil (1690) Madrid: Alianza Editorial, 1990.

MARIANO, R. Pentecostais e Política no Brasil: do Apolitismo ao Ativismo Corporativista, in: Santos, H. (org.). Debates Pertinentes: para entender a Sociedade Contemporânea. Porto Alegre: Edipucrs, p. 112-138, 2010.

MARX, K. Sobre la cuestión judía.(1844). Buenos Aires: Libros de Anarres, 2003 (Zur Judenfrage: publicado originalmente nos Anais Franco-alemães: Deutsch-Französische Jahrbücher, fevereiro de 1844).

MISES, L. Ação Humana. Um tratado de economia. (1949) São Paulo: Instituto Ludwig von Mises, 2010.

MISES, L. Liberalismo segundo a Tradição Clássica (1927). São Paulo: Instituto Ludwig von Mises Brasil, 2010.

MOLTMANN, J. Fundamentalismo e modernidade. In: Concilium n. 241, p. 141-148, 1992.

NOZICK, R. Anarquia, Estado e utopia (1974). Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1991.)

SCHMITT, C. Teologia política (1922). Belo Horizonte: Del Rey, 2006.

STEWARD, M. e L. The Fundamentals: A Testimony to the Truth. Chicago: Testimony Publishing Company, 1910-1915.

VAAGE, L. “Jesus economista no Evangelho de Mateus”: Ribla, Petrópolis/Vozes; São Leopoldo: Sinodal, n. 27 (1997), pp. 116-133.

WEGNER, U. “Jesus, a dívida externa e os tributos romanos”, in: REIMER, Ivone Richter (org.). Economia no mundo bíblico. São Leopoldo: Cebi: Sinodal, 2006.




DOI: https://doi.org/10.25247/2595-3788.2019.v2n2.p192-215

Apontamentos

  • Não há apontamentos.




Licença Creative Commons
Esta obra está licenciada sob uma licença Creative Commons Atribuição 4.0 Internacional.

Fronteiras - Revista de Teologia da Unicap
Universidade Católica de Pernambuco
Programa de Pós-graduação em Teologia
Rua do Príncipe, 526, Boa Vista, bloco G4, 7º andar, setor D.
CEP. 50050-900
Recife, Pernambuco, Brasil | E-mail: fronteiras.unicap@unicap.br
ISSNe 2595-3788


INDEXAÇÃO/DIVULGAÇÃO

Bases de Dados/Diretório

 | |  |   |   |   |   |  | 

 

Portais

 |  

 

Filiação/Suporte Técnico/Identificador

 | | 

 

Plataforma

 

Redes Sociais