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Sacrifício e Religiões

Os sacrifícios de animais devem ser proibidos em rituais?

  • Sou contra a proibição. É uma falta de compreensão das culturas religiosas e do caráter sagrado das oferendas: 28%.
  • Sou a favor da proibição. A fronteira entre o animal e o humano é muito tênue e não temos direito de sacrificar outros pelas nossas crenças: 72%.

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Estes são os resultados de uma enquete que realizamos em nosso blog, e a importância do tema no contexto das celebrações da “consciência negra” demanda agora uma reflexão, que traga mais esclarecimento à controvérsia sobre os sacrifícios. Pois há uma falta de consciência antropológica sobre as formas da religiosidade humana e temos agora uma militância ideológica em favor do trato “humano” dos animais, que acabam discriminando os nossos povos Indígenas e os terreiros afro-negro-brasileiros como cultuadores de uma tradição atrasada. Proibir sacrifícios de animais em rituais… É uma falta de compreensão das culturas religiosas e do caráter sagrado das oferendas… Ou a fronteira entre o animal e o humano é muito tênue e não temos direito de sacrificar outros pelas nossas crenças?! A grande maioria, 72%, é a favor da proibição. A questão, na verdade, começou a ser colocada na Europa, onde o Parlamento holandês aprovou, em 27 de junho passado, uma lei que proíbe o sacrifício de animais em rituais. Suécia, Noruega, Áustria, Estônia e Suíça, também contam com algumas leis que proíbem direta ou indiretamente esse tipo de práticas. Com a onda politicamente correta de defesa dos Direitos Humanos, mas também dos Animais, essa é uma discussão que acabou viajando pelo mundo globalizado – e sensibilizando até o pessoal “cabeça” e engajado que frequenta aqui o blog!

Com efeito, muitos povos (veja aqui uma brincadeira com o fato), em culturas de “dom e contra dom”, realizam sacrifícios rituais de animais (substituindo às vezes antigos sacrifícios humanos) para renovar ou permutar a vida com o mundo espiritual, para agradecer ou adivinhar, para assegurar um favor mágico ou afastar o mal, para ratificar um acordo com os espíritos da natureza. Outros povos sublimam as oferendas ou substituem o “bode expiatório” pelo “cordeiro que se imola” mais simbolicamente, em um auto-sacrifício moral. De todo modo, é difícil avaliar bem os valores de uma tradição religiosa que não é a nossa: uma coisa é a função manifesta e pretendida pelos participantes, outra é a função latente de um sacrifício – que um observador externo pode concluir ser o verdadeiro efeito da prática! Seja como for, não há vida social sem algum tipo de pacto sacrificial e, pelo nível de conhecimentos que temos hoje, fica difícil dizer que um modo de administrá-lo seja mais desenvolvido do que o outro…

“As sociedades politeístas recorrem ao sacrifício a cada vez que se trata de reatar o laço social. É um sacrifício ao(s) deus(es). As religiões monoteístas administram de outra maneira o sacrifício: ele é assumido, expresso pela Escritura. É um sacrifício de Deus. (…) Essa diversidade é certamente efetiva, mas será ela suficiente para questionar a permanência do sacrifício nas sociedades humanas? Qualquer que seja a diversidade, o sacrifício remete sempre à representação e à introjeção da morte na constituição de um sistema social e simbólico. (…) O fato de dizer certas palavras sobre um pedaço de pão é tão satisfatório para o espírito quanto a degola de uma vaca, observava, de modo muito pertinente, Georges Bataille. Em que, com efeito, os ritos sacrificiais dos conans e búlgaros do Volga, que juravam sobre um cão degolado e aliviavam-se bebendo em uma taça de ouro algumas gotas de seus próprios sangues, seriam menos ‘evoluídos’ que aqueles dos cristãos que vão sacrificar todos os domingos, enquanto o padre lhes ordena: ‘bebei, este é o sague do Cristo; comei, este é o corpo do Cristo’? (…) O sacrifício, fundamento das socialidades, está inscrito no espaço trinitário. ‘Eu’ e ‘tu’ devem comer ‘ele’, o ausente, para poderem estar juntos” (DUFOUR, D. Os mistérios da trindade. Rio de Janeiro: Companhia de Freud, 2000; p. 158-161).

No Brasil essa discussão interessa mais diretamente às religiões tradicionais, de matrizes indígenas e africanas, que realizam imolação de animais em seus cultos (veja aqui a polêmica causada por Luciana Gimenez no seu programa de televisão), mas na Europa a questão é com rituais muçulmanos e judaicos, onde os animais são degolados e dessangrados (sem anestesia como nos matadouros), para se obter a carne halal para os muçulmanos e a carne kosher para os judeus. De acordo com especialistas, cerca de dois milhões de animais são “sacrificados” anualmente em rituais, somente na Holanda – onde foi aprovado o projeto da lei de proibição, apresentado pelo Partido para os Animais (que possui duas cadeiras no Parlamento) e que vinha sendo muito debatido, porque até cristãos defendiam que a proposta era contrária ao direito constitucional que protege a liberdade religiosa. No fim, foi feita uma emenda que ainda permite às organizações muçulmanas e judaicas realizar sacrifícios caso demonstrem “cientificamente” que seu método causa menos dor ao animal do que as formas “regulares” de sacrifício para abate… Legislação muito estranha! Todavia, se lá o sacrifício está mais ou menos proibido, a gente faz o serviço aqui e exporta pra eles (ao mesmo tempo em que expõe, nas câmeras de TV e nas câmaras legislativas, uma suposta desumanidade e atraso no trato com os animais, sobretudo das “religiões afro-brasileiras”).

Pois segundo a Folha de São Paulo, “… Em 2010, o Brasil exportou 475 mil toneladas de carne para países que exigem abate halal ou kosher (39% do total exportado). ‘O abate kosher não é um ritual. O ideal judaico é o vegetarianismo. Consumir carne é uma concessão a alguém de alma fraca’, diz o rabino Ruben Sternschein, da Congregação Israelita Paulista. Segundo ele, o abate kosher ‘deve ser feito com o mínimo de sofrimento para o animal’. Já o abate halal de bois, aves e carneiros é um sacrifício religioso, diz Mohamed Hussein El Zoghbi, diretor da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil. ‘Mas prima pelo bem-estar como nenhum outro. A morte por degola não causa sofrimento. A ruptura das veias e da traqueia faz com que o animal morra rapidamente. Quem vê pensa que está sofrendo, mas já está morto, se debate por reflexo’. De acordo com o presidente do CEN (Coletivo de Entidades Negras), Márcio Alexandre Gualberto, o bicho morto no candomblé também é consumido – nada a ver com a imagem de feitiçaria e galinha em encruzilhada. ‘Tem quem faça isso, mas não é nossa tradição. Usam partes da tradição para fazer coisas que não são nossas’. Segundo ele, o sacrifício é praticado por sacerdotes treinados para minimizar o sofrimento. ‘O animal não pode sofrer. Somos preocupados com o bem-estar dos animais oferecidos aos deuses’”.

Então, se devemos discutir sacrifício de animal no Brasil, não é tanto por causa das religiões afro, em cujos rituais normalmente os bichos “sacrificados” têm as suas vísceras entregues aos orixás e as carnes cozidas e compartidas pela “família de santo”. Apenas algumas delas fazem oferendas em nossas encruzilhadas e duvido que, somando todos os frangos aí depositados, chegue-se às quase 500 mil toneladas de carne que a gente mata conforme prescrito e exporta todo ano para judeus e muçulmanos, principalmente dos lugares onde o sacrifício é proibido. Mas todo esse debate e defesa prévia, sobretudo lá pro Sul do país, é porque há recurso no Supremo Tribunal Federal para impugnar uma lei gaúcha que permite sacrifício de bichos em rituais de matriz africana. Depois, nestes dias, também um projeto de lei apresentado na Assembleia Legislativa de São Paulo quer proibir o uso e o sacrifício de animais em cultos religiosos. Mesmo longe de ser votado, o projeto mobiliza religiosos e protecionistas. O debate contrapõe tradição cultural e direito animal e mostra contradições ou paradoxos na atual legislação brasileira. Para o deputado Feliciano Filho (PV), o autor do projeto paulista, ele não propõe nada além do que a lei prevê, apenas fixa multa para quem praticar o sacrifício, que já é proibido segundo a Constituição e a Lei de Crimes Ambientais. Uma garante que os animais não sofram crueldade e a outra criminaliza os maus-tratos. E matar sem anestesiar constituiria maus-tratos, é o que se argumenta. Mas a Carta Magna também garante liberdade de culto. E aí: o que vem em primeiro lugar?

De um lado, ainda segundo a matéria da Folha, acusa-se a proibição de preconceituosa: “As motivações da lei são o preconceito e a ignorância. Se o deputado estivesse preocupado com animais, deveria bater na porta de frigoríficos”. Para Antonio Carlos Arruda, coordenador de políticas públicas da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania de São Pauo, o projeto é “inaceitável. Liberdade religiosa é princípio da democracia”. De outro lado, os defensores dos animais consideram o projeto bom ao menos por levantar o debate: a veterinária Ingrid Eder, da ONG WSPA Brasil, pergunta: “Que cultura é essa que causa maus-tratos aos animais? A cultura evolui de acordo com o conhecimento. Hoje, sabemos que os animais sentem dor”. Reginaldo Prandi, antropólogo, acredita que a evolução deve vir de dentro da religião: “Há segmentos do candomblé que não matam animais. Pode ser que, no futuro, a religião evolua para um sacrifício mais simbólico, mas isso não pode ser imposto. Não se muda uma religião por decreto”.

Se essa onda proibitiva chegar também ao Recife, terra do Xangô afro-brasileiro, até nossos times de futebol vão ampliar os seus problemas. Conta-se que Pai Edu recebeu a promessa de que se o Náutico começasse a ganhar, Zé Pilintra ganharia um boi em sacrifício. Em 1967, o Náutico foi pentacampeão, mas a dívida não foi paga. Somente em 1999, quando não só o boi, mas quatro bodes e oito galinhas foram entregues em pagamento da promessa, é que voltaram as boas campanhas. E ainda teve um porém: como a Globo divulgou a história, o Fórum de Proteção Animal, de São Paulo (antecipando-se a essa discussão toda de agora?!), mandou um fax pro secretário de Segurança Pública de Pernambuco dizendo que o sacrifício era ilegal – e a Polícia Civil baixou no Terreiro pra prender/proteger ao menos o boi (dizem que o bicho foi sutilmente liberado quando o delegado descobriu quem era agora o seu “dono”). Já o Sport devia um boi aos orixás desde 2008, quando conquistou a Copa do Brasil. O animal finalmente foi entregue em março deste ano de 2011. O time melhorou das pernas, mas, por via das dúvidas, Pai Carlos doou o boi para um abrigo de idosos – que resolveu adotá-lo como bicho de estimação!

Enfim, estamos diante de uma grande tensão/transformação cultural e religiosa com esse tema do sacrifício em nossa “aldeia global” e devemos acompanhar em especial os grupos historicamente mais fragilizados. Se o “texto” do rito sacrificial devesse mudar em aldeamentos Indígenas e nos Terreiros afro-brasileiros, caberia a essas comunidades decidirem como. Mas uma sensibilidade que inclua os outros animais nos cuidados humanos surgirá somente em um novo contexto educacional, científico e econômico. No mundo cultural em que vive a maioria da nossa gente por aqui, com um senso natural/rural das coisas, feliz é a família, seja de qual religião ou filosofia for, que tem uma galinha no quintal pra matar em dia de festa – e nem precisa ser de santo! “Sacrificar” e compartilhar uma criação com os amigos nesse contexto tradicional, é uma autêntica e irrepreensível celebração da vida, mesmo fora do ambiente religioso. Outra coisa é a sensibilização que talvez já possa ser feita em Terreiros urbanos, de que a matéria das suas oferendas públicas (a famosa “galinha preta”, então) deve se adequar às exigências ecológicas e sanitárias das encruzilhadas modernas, sem que isso diminua o sagrado e o segredo do Axé! Esperemos que algum profeta dê um sinal por lá…

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Gilbraz Aragão.
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19 comentários

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  1. Juana

    É o seguinte: nossos orixás nos dão de comer, nos dão as dádivas da natureza, nos dão o axé, a força da vida. Então é normal que a gente ofereça, como agradecimento, as vísceras dos animais de sua predileção, junto aos seus assentamentos sagrados. E as carnes são cozidas e compartilhadas entre os seus filhos e convidados. É uma tradição familiar, que remonta aos antepassados! Quando surgiu, todo bicho era morto assim mesmo para consumo… Agora, se a forma de abate hoje é mais “humanizada” talvez a gente possa rever a forma, mas não o princípio do sacrifício, que é um modo digno de relação com o sagrado. Afinal, mesmo quem é vegetariano mata animais pra poder fazer a sua agricultura. A questão é a proporção e a relação, porque não há vida que não se tire da vida (ou morte!). Axé pra vocês! (Juana Andrade – Belo Horizonte).

    1. Vinicius

      Perfeito, precisamos de forma imediata acabar com esses atos cruéis e repudiantes, o governo precisa intervir SIM em questões culturais quando esses atos colocam em risco o bem estar de outras formas de vida, é injustificável principalmente as culturas religiosas afro alegar que tal prática é concebível devido a questões de cultura milinenar, um ato de total desgosto com nossas questões de bem estar em favor a vida, meu argumento não descarta a má situação que nossos animais sofrem em abatedouros, foco meu posicionamento principalmente em questões de cunho cultural, onde de alguma forma foi imposto socialmente um suposto respeito imaculado a essas práticas, religiões e ideias não merecem respeito incontestável, é preciso que tais acontecimentos sejam intervidos e punidos caso não cumpridos conforme uma futura lei entre em vigor, e isso se aplica a todo tipo de forma de expressão religiosa, desde os terreiros de candomblé ate as mesquitas islâmicas.

  2. Maria de Fátima

    Ao longo da história, o uso de animais humanos passou a ser abominado pela espécie (embora às vezes surjam notícias de que tais atos continuem acontecendo), infelizmente os animais de outras espécies ainda o continuam sendo. Ao longo da história, muitas vozes também têm se levantado contra o hábito alimentar humano de servir-se de outras espécies (Anna Kingsford, Helena Blavatsky, Gandi, Henry Salt, Schopenhauer, Plutarco e tantos outros nomes) e muitos humanos entenderam que o sagrado do seu prato é justamente não se alimentar de seres sencientes, aprenderam que “não devem e não precisam” se alimentar dos corpos dos animais não-humanos. Assim como muitos seres humanos trocaram e trocam seus hábitos a cada dia, substituindo os animais do seu prato por uma infinidade de alimentos sem precisar da morte de seres sencientes, as religiões que ainda os usam poderiam fazer o mesmo.

  3. Alonso

    Tirem as mãos dos nossos terreiros! Vão cuidar das suas missas e deixem a fé da gente em paz!

    1. eliana

      Deixem a vida de outros seres em paz. Porque não sacrificam os filhos de vcs, como muitas religios um dia já sacrificaram?

      1. Fabiano

        Verdade minha irmã de fé, vejo as pessoas sem noção falarem asneira sem ao menos saberem, os animais são depois utilizados por tada egbe( casa) onde almoçamos , não é simplesmente imolado uma galinha e jogada no lixo.
        Ja que falam da utilização de animais, porque não falam no aviário, abatedouros ou será que o bife que eles comem é feito de mágica. Ja que lutam contra sacrifício de animais , lutem também pelos gados que são torturados e servem de churrasco para vcs .

  4. Manoel

    Oxente: quando a gente discute e problematiza e questiona a religião da gente, vocês acham bom e entram na discussão… Porque não se pode conversar sobre a religião de vocês, mesmo que seja pra defendê-la ou aperfeiçoá-la?! Não tou entendendo…
    Manoel Mendonça.

  5. karina

    Isso se chama pré-conceito contra as religiões afro-brasileiras!
    Sou vegetariana porque não suporto a idéia de comer algo que desde seu nascimento sofre em vida. A criação feita pelas grandes industriais são torturas, torturas horríveis que vocês que são contra o sacrifício de animais tão nem ai, afinal vocês recebem sua carninha prontinha sem “qualquer vestígio de sofrimento”. Todos nós iremos morrer um dia, e a morte não é ruim, ruim é ser morto em vida, é não poder bater as asas e correr pelo campo, ciscar e dar bom dia ao sol. É nunca ver o seu filhote e ensiná-lo a andar, ou receber constantemente injeções de hormônios, e ter seus peitos mutilados por maquinas frenéticas.

    Animais humanos se preocupem com isso, com a tortura contra nossos irmãos animais. Vamos cair em cima das grandes industriais, que inclusive modificam de tal maneira os animais, que quem os comem poderão sofrer com doenças por isso. Mas, não! As grandes industriais tem muito dinheiro para calar a todos, e muitas pessoas também não querem deixar de ter sua carne TODO dia no prato. Se as grandes industriais continuam com isso, é porque tem grande apoio da população.

    A única palavra que me vem com essa situação é “falso moralismo”!

    Pois bem, sou vegetariana, e se for convidada a participar de um rito de candomblé, talvez comerei a carne ali sacrificada, pois pelo menos em sua morte, o animal teve sua sacralidade reconhecida.

    Todos que comem carne sacrificam animais! A diferença é o modo como isso é visto e direcionado. Considero muito mais digno e honesto, aquele que sente o corpo quente do animal, olha em seus olhos e agradece por ele estar morrendo, para que o outro continue vivendo.

    1. Valdélia de Barros da Rocha

      Parabéns amiga Karina!
      Gostei do seu pensamento, você é vegetariana e sabe muito bem fazer suas colocações a respeito do assunto sacrifícios de animais nos rituais afro-brasileiros. Penso como você, os animais mais sacrificados são os confinados nas indústrias: não podem ciscar, não podem cruzar naturalmente, não podem amamentar seus filhotes, não podem correr. Não podem nada. Afinal, o que existe é um monte de pessoas ignorantes disfarçadas de boas, o grande pseudo moralismo é o problema. Não sou a favor de que matem os animais de forma à toa. Mas as religiões afro-brasileira sacrificam os animais como uma comunhão entre seus orixás e os humanos, e além do mais as sobras é que serão dos deuses. E qual das pessoas hoje senta à mesa e agradece pelo que come?

    2. Marian

      Quanta hipocrisia! Você nunca foi vegana. E nunca o será! Quando será que as religiões – todas elas – reconhecerão que tudo o que vive quer viver?
      “Pois bem, sou vegetariana, e se for convidada a participar de um rito de candomblé, talvez comerei a carne ali sacrificada, pois pelo menos em sua morte, o animal teve sua sacralidade reconhecida.”
      Que cara deve ter o(s) deus(es) de alguém que faz tal colocação? Quer dizer que o animal só tem a sua sacralidade reconhecida depois de condenado à essa morte torpe?

      1. eliana

        sacralçidade reconhecida… ah faz favor só esqueceram de perguntar a vítima se ela aceitava isso. Ah, diraõ eles não tem voz… logo não têm direito à vida.

  6. Annonnimus

    “Temos uma moral que exige sacrifícios humanos, e o Ocidente não tem intenção de violar essa moral. Comete genocídios por razões morais, obrigado pelo dever. É moralmente lícito não cometer um genocídio? Essa é a pergunta do Ocidente. A moral do Ocidente exige mais sacrifícios humanos do que qualquer sociedade anterior” (F. Hinkelammert).

  7. Victor M

    Deixe-me ver se eu peguei a ideia da charge: Não tem nada de mais se um cara está tirando a vida de muitos “infiéis” (e a dele) ou se está matando alguém para apaziguar seu deus. Devo respeitar isso porque tenho de respeitar a religião dos outros? Não vejo qualquer vantagem em trocar um Deus que se ofereceu em sacrifício para demonstrar o amor Dele por nós, seres mortais e imperfeitos, por um deus que devemos nos matar uns aos outros em prol dele. Desculpem-me a sinceridade.

  8. Fabio lima

    Incrível o tamanho da hipocrisia que tem o brasileiro. Opinar sobre assuntos q não tem ainimaginável noção.
    Gostaria muito de entender qual mau nós candomblécistas fazemos a sociedade ao oferecermos o saguenea e as viceras animal as divindades e em seguida nos alimentar das carnes. Não vamos abandonar séculos de tradição e crenças por uma de quem não gosta da idéia de sacrifício mas que não entende nem procura saber o por que.
    Se é pelos animais sacrificados vamos então modificar os hábitos alimentares de muita gente. Vamos levar os criadores e a batedores a falência e transformar galinhas e cabras em animais de estimação para garantir seu conforto.
    Falo o seguinte sua ignorância não vale minha fé.

    1. Marian

      Tradição: a personalidade dos imbecis!
      Inúmeras tribos africanas ainda praticam a mutilação genital feminina e isso acontece assim que a menina tem sua primeira menstruação. Vamos trazer essa “tradição” pra cá também, gente!

      1. eliana

        E que dizer das medievais praticas de sacrificos humanos em nome de deus? Vamos reanimar essa tradição milenar…

  9. Marcelo Barros

    Olá meus irmãos,
    gostaria de contribuir para a discussão com um pequeno texto: http://www.unicap.br/observatorio2/wp-content/uploads/2012/05/Sacrificios-nas-religioes.pdf
    Espero que apreciem e ajude no discernimento.
    Marcelo Barros

  10. ANAILTON DOS ANJOS

    DIANTE DESSE NUMERO EXPRESSIVO DE PESSOAS QUE SÃO CONTRA O SACRIFÍCIO DE ANIMAIS EM RELIGIÕES, EU ME QUESTIONO DE SÃO TODOS VEGETARIANOS.
    COMO PODE SER PROIBIDO SACRIFÍCIO DE ANIMAIS NAS RELIGIÕES SE TODOS OS DIAS NA NOSSA MESA TEM CARNE DE FRANGO, BOI, CARNEIRO, BODE OU PEIXE?
    SOMOS DE FATO CONTRA O SACRIFÍCIO DE ANIMAIS OU QUEREMOS ATACAR INDIRETAMENTE AS RELIGIÕES E MATRIZ AFRICANA E COM ISSO MANIFESTARMOS O RACISMO INSTITUCIONALIZADO?
    NATAL VEM AI E QUANTOS FRANGOS E PERUS SERÃO SACRIFICADOS PARA EMBELEZAR AS MESAS E ENCHER BARRIGAS?

    HÁ UMA MAIORIA CONTRA O SACRIFICO NA RELIGIÕES, PORÉM A FAVOR NAS MESAS E NOS RESTAURANTES.

  11. Marcelo

    Se as pessoas ignorantes ou cruéis querem oferecer algo a “Deus”, então que se ofereçam, ué! Nada mais coerente, justo e racional. Nenhum ser vivo, sobretudo os sencientes, deve ser assassinado em prol da crendice de uma pessoa que desenvolveu a necessidade de acreditar em fábulas ou mitos. Aliás, isso é inaceitável.

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