GEOPOLÍTICA E RELIGIÕES, DO ORIENTE PRO MUNDO

 

A paz que queremos.

(FSP 31/08/16)

Em julho deste ano, uma delegação de influentes sauditas visitou a capital de Israel, Jerusalém, liderada por um importante ex-general saudita.

Esta informação não seria importante se ignorarmos o fato de que a Arábia Saudita e Israel não têm relações diplomáticas desde que Israel ganhou sua independência em 1948.

A gigantesca maioria dos países árabes não reconhece e não tem relações diplomáticas com o Estado judeu.

Atividades diplomáticas em canais ocultos, e outros não tão ocultos assim, já foram registradas entre Israel e muitos países árabes considerados “moderados” pelo Ocidente.

O chamado “bloco sunita” não é comum, porém, nos últimos 14 anos, muitos encontros entre oficiais e ex-oficiais de governo dos dois países ocorreram e tudo isso tem um nobre e importante motivo.

Em 2002, uma iniciativa saudita ratificada pela liga árabe, e logo depois pela organização dos países islâmicos, virou o que conhecemos como “Proposta árabe para a paz”.

Nesta iniciativa, 57 países árabes e muçulmanos reconheceriam Israel e estabeleceriam relações diplomáticas com o mesmo.

Em troca, a proposta pedia que Israel se retirasse de todos os territórios que conquistou na Guerra dos Seis Dias, em 1967, e ajudasse a estabelecer um Estado Palestino na Cisjordânia e Faixa de Gaza.

De acordo com a opinião de muitos especialistas, o “bloco Sunita” está se alinhando com Israel através de interesses em comum: o constante aumento do terrorismo global, o programa nuclear iraniano e a vontade deste em se tornar um poder militar e cultural no Oriente Médio.

A proposta de paz árabe, revalidada em 2007, foi recentemente lembrada pelo atual premiê de Israel, Benjamin Netanyahu – uma paz viável significa a paz com todos os países árabes e muçulmanos, não apenas com os palestinos.

O atual governo de Israel é conservador e a proposta árabe seria a mais “segura” para os israelenses assinarem, pois conta com a credibilidade e palavra de muitos países importantes e aliados dos EUA e da Europa.

Os iranianos não entram nessa equação. Há anos os iranianos intervêm agressivamente no mundo árabe.

Por fim, o mundo árabe vive uma época sem precedentes. Guerras civis e revoluções destruíram governos e países, ocasionando uma polarização de lados e escolha de novas alianças.

O reconhecimento de Israel por parte de países como a Arábia Saudita não somente contribuiria para uma possível modernização do sistema governamental saudita como também demonstraria uma abertura para sua própria população, que vive sob um regime religioso estrito, sem nenhuma liberdade individual.

Se há uma chance de que haja mais estabilidade, prosperidade e paz na região, dependeria de um acordo regional que inclua o reconhecimento de Israel e a criação de um Estado palestino viável, através de negociações diretas com o Estado judeu.

Somente assim poderemos ver a paz que querermos e esperamos.

André Lajst, diretor executivo do Instituto Brasil-Israel.

 

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