VISITA DE CLAUDE GEFFRÉ
12 e 13 de fevereiro de 2009:
A Universidade Católica de Pernambuco promoveu, no dia 12 de fevereiro, a conferência “A revelação diante do pluralismo religioso”, ministrada pelo teólogo francês Claude Geffré. A palestra aconteceu às 19h, no auditório do CTCH (Centro de Teologia e Ciências Humanas), localizado no primeiro andar do bloco B. Claude Geffré é um dos maiores teólogos da atualidade. Dominicano francês, ele defende uma reinterpretação do cristianismo e o seu engajamento no diálogo inter-religioso. Geffré é membro do comitê científico da revista internacional Concilium, diretor da coletânea Cogitatio Fidei e professor do Institut Catholique de Paris. Já dirigiu, também, a École Biblique de Jerusalém. Em português, está disponível o seu livro “Crer e Interpretar”, publicado pela Editora Vozes.
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PLURALISMO RELIGIOSO, POR CLAUDE GEFFRÉ
Por Rebeca Kramer, para o Boletim UNICAP
"Eu sou crente. Eu creio que Deus existe.Mas eu não tenho a pretensão de possuir Deus. Ninguém possui a Deus" (Pierre Claverrue, Bispo da Argélia)

No auditório, muita gente curiosa. Quem é esse homem tão comentado no mundo da teologia como um dos maiores teóricos da atualidade? Esse homem brilhante, como assim definiu o Padre Jacques Trudel, chama-se Claude Geffré. Com a tradução simultânea de Cláudio Vianney Malzoni, a Universidade Católica de Pernambuco promoveu a conferência intitulada: “A revolução diante do pluralismo religioso”, às 19h desta quinta-feira (12), no auditório do Centro de Teologia e Ciências Humanas (CTCH). A palestra tinha por objetivo interpretar e refletir a relação existente entre as religiões e a importância de cada uma delas para o mundo.
O teólogo Claude Geffré, que é membro do Comitê Científico da Revista Internacional “Concilium”, diretor da coletânea “Cogitatio Fidei” e, além disso, professor do Instituto Católico de Paris, também já foi diretor da Escola Bíblica de Jerusalém. Segundo o professor de teologia da Católica Marcos Almeida, a mente aberta do teórico teria lhe propiciado muita experiência positiva: “Claude pensa a pluralidade religiosa a partir da contemporaneidade, que vai desde a exclusão religiosa, até o combate à guerra. Debate questões místicas sem preconceito e como todos os tipos de religião atuam na vida das pessoas”.
Nas palavras de Geffré, “É preciso encarar esse desafio de pluralidade religiosa. Estamos no século 21, em que há um pluralismo religioso com o mito de Babel tornando-se cada vez mais verdadeiro. Deve haver um bom pluralismo, aquele em que a sociedade aceite que haja uma busca comum da verdade. Assim como em Babel se falavam várias línguas, o exercício das diferentes religiões presentes em todo o mundo também podem ser bênçãos de Deus.” Dessa maneira, o teórico resumiu a ideia de uma teologia da religião em que o foco não seja o pecador ou o pecado, mas sim a importância que as outras religiões têm em si. Afinal, o respeito às outras doutrinas seria a melhor maneira de escapar do pensamento de ser um proprietário de Cristo ou de sua graça. Ele propõe, dessa maneira, uma teologia inter-religiosa, reinterpretativa dos principais dogmas do cristianismo.
De acordo com Anderson Magno (26), estudante do Instituto Sedes Sapientiae e graduado em Filosofia, a teologia deveria surgir para amadurecer o conceito de fé. A fé, hoje, seria viver no fanatismo e olhar o mundo através de uma só ótica. “As pessoas deveriam saber viver num mundo de diferenças, ter personalidade para permanecer com sua ideologia de fé e sem interferir na liberdade do outro”, afirmou Anderson. Para a Irmã Consuelo Tavares, beneditina missionária, um grande defeito do homem seria sua incapacidade de enxergar o que interessa ao outro, em outras palavras, a prática do princípio da alteridade.
Para quem pôde conferir o discurso de Geffré, muita ideologia foi, por ele, desmistificada. Ao final da palestra, por volta das 21h30, abriu-se espaço para as perguntas do público e as considerações finais do Reitor da Universidade, Padre Pedro Rubens. Uma dessas perguntas, inclusive intrigante, foi a seguinte: “O Papa e seu Vaticano são essenciais à Igreja e ao cristianismo”? Geffré respondeu que Não, mas que havia muitas formas de Cristianismo, como no caso do catolicismo. “Não se deve ver Jesus como o fundador de uma religião, mas como um caminho para se chegar a Deus. É possível falar em um ‘cristocentrismo’ e haver uma abertura para a discussão entre outras religiões. Se o Cristianismo pode dialogar com as outras religiões é porque ele entende suas próprias limitações”. E assim, indagou: “Quem sabe o pluralismo não seja um desejo secreto de Deus?”. Nós somos acostumados a uma lógica de verdadeiro e falso. Não conseguimos ver a possibilidade de haver uma verdade e outra e outra e outra, complementou o teólogo.
Durante a conferência, foram vendidos exemplares da Revista “Concilium” e do livro de Claude Geffré em português: “Crer e interpretar- A virada hermenêutica da teologia”, com a tradução de Lúcia M. Endlich Orth, ao preço especial de R$ 30,00.
PROFESSORES COM CLAUDE GEFFRÉ
Por Tiago Cisneiros, para o Boletim UNICAP

O teólogo francês Claude Geffré participou, nesta sexta-feira (13), de encontro com professores da Universidade Católica de Pernambuco. A reunião aconteceu às 15h, no Espaço Receptivo da Unicap (primeiro andar do bloco G).
O coordenador do curso de Teologia, Cláudio Vianney, e o Padre Jacques Trudel, da Ouvidoria Comunitária da Católica, traduziram o diálogo entre Claude Geffré e os professores de Teologia e do Mestrado em Ciências da Religião. Na pauta do encontro, considerações sobre a palestra “Revelação diante do pluralismo religioso”, realizada, nesta quinta-feira (12), no auditório do CTCH (Centro de Teologia e Ciências Humanas) da Unicap.
Para Cláudio Vianney, a presença de Claude Geffré é “de uma importância imensa”. “Ele é um dos maiores teólogos do século 20 e da atualidade. Nesta viagem ao Brasil, passou, apenas, por São Paulo e Recife”.
Após a apresentação individual dos professores, Claude Geffré tratou do ensino religioso. “Percebo que, aqui, os professores são mais voltados para os estudos das Ciências da Religião do que para a própria Teologia. Isso é uma tendência geral; na Europa, também, é assim”, avaliou. “Antes, se via como impossível que um teólogo assumisse essa postura, porque ele não teria o rigor científico necessário”.
O diálogo inter-religioso, um dos principais pontos discutidos por Claude Geffré, também foi tema do debate. “A abertura que, hoje, há entre católicos e cristãos não existe em outras religiões. Espero bons frutos desse diálogo no futuro, mas, atualmente, se observa que o cristão está perdendo sua identidade. Enquanto isso, seguidores de outras crenças se afirmam, por se manterem diferentes, distantes”, declarou o coordenador de Teologia, Claudio Vianney. Para Geffré, “o diálogo poderia crescer, se houvesse uma autoridade determinada, como o Papa, nas demais religiões”.
A postura cristocêntrica, diante do pluralismo religioso, de Claude Geffré foi objeto de perguntas e considerações no encontro. O teólogo francês enxerga, em Jesus Cristo, uma figura especial. Ao mesmo tempo, defende uma posição de respeito aos líderes e ideias das demais religiões. O seu cristocentrismo, portanto, é particular, já que declara ser imprópria a comparação de valor com as outras crenças.
Em resposta ao Reitor, Padre Pedro Rubens, quanto às possíveis contribuições do Brasil ao Cristianismo, Claude Geffré observou: “Existem dois pontos. Se olharmos pela quantidade de seguidores brasileiros, é óbvio que se trata de uma grande representação dentro do contingente de fiéis no mundo. Por outro lado, fica a dúvida: essa força do Cristianismo será conservada, mesmo com o atual processo de desenvolvimento pelo qual o país atravessa? Na Europa, a religião cristã foi enfraquecida, a partir do crescimento das nações”.
Ao término do encontro, o Reitor da Católica presenteou o teólogo com uma biografia de Dom Helder Câmara, que teria completado cem anos no último sábado. O livro, escrito em português, é a “oportunidade para Claude Geffré praticar essa língua que ele considera tão bonita, mas não sabe falar”, brincou o Padre Pedro Rubens. O padre canadense Jacques Trudel, da Ouvidoria da Universidade Católica, chegou ao Brasil em 1960. Desde 1975, trabalha na Unicap. Já ocupou a chefia da Pastoral e foi professor do curso de Teologia. Sobre Claude Geffré, ele avalia: “É muito bom tê-lo aqui. Trata-se de um espírito avançado: questionador, mas sem abandonar sua fidelidade cristã, mesmo no diálogo inter-religioso”.
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