A LUTA INDÍGENA PARA A MANUTENÇÃO DOS SEUS DIREITOS É TEMA DE RODA DE DIÁLOGO NA UNICAP

A LUTA INDÍGENA PARA A MANUTENÇÃO DOS SEUS DIREITOS É TEMA DE RODA DE DIÁLOGO NA UNICAP

O Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas – Neabi, e o Instituto Humanitas Unicap – IHU, da Universidade Católica de Pernambuco, realizaram, na noite do dia 29 de agosto, no Auditório G1, uma Roda de Diálogo sobre a experiência indígena na universidade, que teve como tema “Agosto da Resistência: a luta indígena para a manutenção dos seus direitos”. O evento fez parte das comemorações do Dia Internacional dos Povos Indígenas, 9 de agosto.

Com o objetivo de dar voz ao povo indígena pernambucano, que é o quarto maior do Brasil, o Neabi e o IHU, em conjunto com os representantes indígenas, promovera debate sobre as lutas atualmente travadas, como o marco referencial, a luta pela terra dos povos indígenas e por causa dessa luta, a morte dos índios.

A coordenadora do Neabi, professora Valdenice Raimundo, falou sobre a importância da iniciativa da Unicap em promover o evento. “A gente está iniciando a caminhada na direção de, realmente, valorizar a cultura, a história e as demandas dos povos indígenas”.

Participaram como debatedores da Roda de Diálogo o estudante de Ciências Sociais da UFRPE, Maike Torres Sá, da etnia Fulni-ô, de Pernambuco; a mestranda em Antropologia, na UFPE, Elisa Urbano Ramos, da etnia Pankararu, de Pernambuco, e o estudante de Jornalismo da UFPE, José Tarisson Silva, da etnia Nawa, do Acre. A mediação da mesa ficou a cargo do aluno de Letras da Católica, Ridivânio Procópio da Silva, da etnia Xucuru de Ororubá, de Pernambuco. O evento foi prestigiado pelo Pró-reitor Comunitário e coordenador do IHU, Padre Lúcio Flávio Cirne, professores, alunos da Graduação e da Pós-graduação da Católica e visitantes.

Para Maike Sá, representante do Povo Fulniô, localizado no município pernambucano de Águas Belas e composto por aproximadamente sete mil pessoas, a Roda de Diálogo é importante porque desconstrói a visão estereotipada em relação ao índio. “O evento ajuda a desconstruir aquela imagem, que passa pelo senso comum do brasileiro, do indígena de 1.500”, afirma Maike.

A mestranda Elisa Ramos, pertencente ao Povo Pankararu, localizado nos municípios de Tacaratu, Petrolândia e Jatobá, de Pernambuco, e formado por cerca de oito mil integrantes, resumiu os principais desafios dos povos indígenas do estado e do país. “Hoje, os problemas das questões indígenas são a desintrusão da terra, por exemplo, é um processo da regularização dos territórios indígenas, onde, as terras são demarcadas, homologadas, mais continuam intrusadas (usurpação); saúde; educação e sustentabilidade”, revela Elisa.

O estudante de Jornalismo, José Tarisson, é um dos poucos representantes, cursando o ensino superior, do Povo Nawa, situado no município de Mâncio Lima, no estado do Acre, que é composto por 600 pessoas. Ele falou sobre a participação indígena dentro das universidades. “É importantíssima a presença de indígenas na universidade, principalmente, nesses espaços de poder. A gente sempre fala de poderes políticos, econômicos e a gente esquece do poder ideológico que está presente, justamente, no campo acadêmico. Então, é importante tensionar esses locais e inserir a presença de indígenas debatendo sobre suas experiências”, finaliza Tarisson.

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