Apresentação

O INSTITUTO HUMANITAS foi fundado em setembro de 2001, na Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS), em São Leopoldo, RS. Inspirado na frase pintada nas paredes do teatro Odéon, em maio de 1968: arrisca teus passos por caminhos pelos quais ninguém passou; arrisca tua cabeça pensando o que ninguém pensou”, o IHU, desde a sua origem, tem procurado olhar com realismo e rigor a sociedade em que vivemos, buscando, com audácia e criatividade, novos caminhos e possibilidades de mudança.

O nome do instituto já revela a sua missão:O traço semântico Humanitas designa a busca audaz de caminhos novos nos tempos de hoje. Ele aponta para a abertura a novas questões e para a busca de respostas aos grandes desafios da nossa época”. Almeja-se, por meio da ação e reflexão, que a sociedade em que vivemos torne-se mais humana.

O IHU, hoje, é um importante referencial acadêmico. O amplo leque de suas atividades tem contribuído para que, no âmbito universitário, realize-se a Missão da Companhia de Jesus, cujo eixo orientador se expressa no “Serviço da Fé, Promoção da Justiça e Diálogo Cultural e Inter-Religioso”. Por outro lado, ao traduzir para os dias atuais a inspiração dos Centros de Investigación y Acción Social (CIAS), o Instituto quer favorecer e contribuir significativamente para que a dimensão social, isto é, “a opção pelos pobres e a promoção da justiça, a defesa dos direitos humanos e a ecologia”, sejam “parte essencial da imagem pública dos jesuítas na Igreja e na sociedade”.

O IHU nasce agora em terras nordestinas. A UNICAP, uma universidade igualmente jesuíta, fortalecendo laços de “parcerias operacionais” com a universidade irmã, cria o INSTITUTO HUMANITAS UNICAP (IHU).

Inserindo-se na melhor tradição da UNICAP que é “a busca de uma qualidade que se confirma no tempo”, o INSTITUTO HUMANITAS, com imaginação criativa e senso crítico, quer participar ativamente do debate em que se configura uma sociedade do futuro, mais fraterna e humana. Para isso, é fundamental o conhecimento da realidade, identificando os problemas e buscando as respostas para os grandes desafios do mundo atual. A partir da universidade, o objetivo principal do IHU será estabelecer um espaço de reflexão nas fronteiras do conhecimento e um canal aberto no diálogo com a cultura e a sociedade.

A realidade atual está marcada por um dinamismo que universaliza o conhecimento e a informação, bases sobre as quais se organiza a sociedade contemporânea, fazendo com que o mundo ocidental moderno vivencie “a primeira civilização efetivamente universal da história”. Não obstante os muitos benefícios desse processo, um efeito negativo é a chamada “globalização da superficialidade”, caracterizada por “relações fáceis e rápidas, sem aprofundamento, informações esmagadoras sem adequada assimilação, o costume de ‘cortar’ e ‘colar’ sem discernimento crítico nem apropriação pessoal”. Como resultado, vê-se um processo de desumanização que, sutil e lentamente, vai afetando todas as dimensões da vida humana.

Diante disso, o IHU é desafiado a usar da “imaginação criativa que parta da realidade e enfrente os problemas concretos das pessoas”, pois uma abordagem da realidade em sua profundidade é o passo primeiro para a mudança que desejamos. Assim, o IHU deseja associar-se a uma concepção de ensino segundo a qual a missão da universidade compreende três níveis intimamente entrelaçados: compreender a realidade, responsabilizar-se por ela e nela intervir como um instrumento de efetiva transformação social.

Universidades jesuítas: moldando o futuro. Com esse lema, reuniram-se os dirigentes das instituições de educação superior da Companhia de Jesus, na Cidade do México, em abril de 2010, confirmando e atualizando, “nesse mundo globalizado”, o compromisso jesuíta com o ministério acadêmico. O IHU, fazendo eco a esse labor apostólico das universidades, particularmente o da UNICAP no Nordeste brasileiro, quer ser o espaço para onde confluem sujeitos e saberes moldando o futuro.

Sem se descuidar da necessária articulação do local com o global, o IHU voltará a sua atenção para a realidade nordestina. Se, por um lado, é preciso apontar e enfrentar os desafios concretos que tradicionalmente têm dilacerado a região, por outro lado, buscar-se-á, com denodo, a valorização do patrimônio natural, bem como da preciosa diversidade sociocultural do povo nordestino. Projetos já realizados ou em andamento em diversos setores da economia sinalizam claramente que é possível viabilizar modelos de desenvolvimento inovadores, socialmente mais justos e ecologicamente sustentáveis.

A celebração recente do centenário de Josué de Castro ( 2008), Helder Câmara (2009) e Joaquim Nabuco (2010), personalidades nordestinas cuja vida e obra tiveram um reconhecimento internacional, é um convite a ver que um autêntico humanismo não tem fronteiras. No coração do Nordeste, o IHU está atento ao dinamismo de universalização do mundo contemporâneo, com seus desafios e possibilidades.

Visando alcançar seus objetivos, as atividades do IHU serão desenvolvidas em torno de seis pólos temáticos, a saber: 1) Teologia, Ciência e Cultura; 2) Mercado, Pobreza e Desigualdades; 3) Ecologia, Desenvolvimento e Sociedade Sustentável; 4) Gênero, Diversidade e questão Étnico-racial; 5) Democracia, Sociedade e Políticas Públicas; 6) Espiritualidade Inaciana, Acompanhamento e Serviço da fé. Uma marca do IHU tem sido a perspectiva transdisciplinar na abordagem dos temas, por meio de uma articulação dinâmica dos conhecimentos. Na UNICAP, o IHU seguirá esse dinamismo buscando a interação com os demais setores e organismos da universidade, compartilhando saberes e ações, numa atitude de diálogo aberto e cooperativo com a sociedade na qual está inserido.

INSTITUTO HUMANITAS UNICAP

SUJEITOS E SABERES MOLDANDO O FUTURO