Eva Schloss, a luta contra a intolerância

Antônio Campos
Advogado e Escritor
camposad@camposadvogados.com.br

Publicado no Jornal Folha de Pernambuco em 06 de Dezembro de 2010

Na sociedade contemporânea existem diversos conflitos. Destaco a intolerância como uma das principais causas desses conflitos. Seja ela religiosa, racial ou ideológica. Alguns desses problemas, apesar de extremamente atuais, não são de hoje. Foi com o objetivo de debater sobre a falta de tolerância para com o próximo que, na sexta edição da Festa Literária Internacional de Pernambuco – Fliporto, cujo tema foi “A literatura judaica e o mundo ibero-americano”, que convidamos Eva Schloss para falar um pouco sobre sua vida cercada por preconceitos, sofrimentos e ao mesmo tempo alegrias. Eva é uma das poucas sobreviventes de um dos mais cruéis atos da história da humanidade: o Holocausto. Ela, que sobreviveu às inúmeras torturas e humilhações no campo de concentração de Auschwitz, é como ela mesma disse “um exemplo de esperança, coragem e fé”. O que mais me admira em pessoas como Eva é a vontade e a obstinação que eles têm de passar adiante o que viveram e os ensinamentos que adquiriram com isso. No último dia 18 de novembro, esteve na comunidade de Paraisópolis, em São Paulo, para contar sua história de vida a 120 jovens. Na mesma semana a escritora participou do projeto Prosa nas Livrarias, realizado por um periódico do Rio. O objetivo desse encontro foi, assim como na Fliporto, falar sobre a importância de temas como o Holocausto, inclusive dentro da literatura. Eva é meia irmã de Anne Frank, quem conheceu pessoalmente e cujo pai casou com a sua mãe. Chegou a ver os famosos diários antes de serem publicados pelo pai de Anne. Eva Schloss acredita que “a Europa não aprendeu a lição”. Assim, é importante relembrar o holocausto para que pequenos ódios raciais não se transformem em novos holocaustos. É preocupante a islamofobia crescente na Europa, entre outras tensões religiosas, culturais e mesmo étnicas do mundo contemporâneo. Eva é realmente um exemplo para todos os que, por algum motivo, pensam em desistir da vida. Temos que seguir o exemplo dessa brava judia de 82 anos que, por pior que fossem os dias em Auschwitz, lembrava dos momentos felizes que havia vivido e não desistiu.

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dezembro 06th, 2010 Postado por : admin Arquivado em: Notícias ,

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