Declaração das CEBs do México pela violência contra os professores

“Jesus, porém, os chamou e lhes disse: Sabeis que os chefes das nações as subjugam, e que os grandes as governam com autoridade. Não seja assim entre vós. Todo aquele que quiser tornar-se grande entre vós, se faça vosso servo. E o que quiser tornar-se entre vós o primeiro, se faça vosso escravo. Assim como o Filho do Homem veio, não para ser servido, mas para servir e dar sua vida em resgate por uma multidão.” (Mt 20, 25-28)

Cidade do México, 20 de junho de 2016

Ao Governo Federal;

Ao Governo Estadual;

Aos meios de comunicação locais, nacionais e internacionais;

Às organizações e movimentos sociais, comunidades;

Aos organismos defensores de Direitos Humanos a nível estadual, nacional e internacional;

Aos homens e mulheres que trabalham em favor da vida e da justiça.

Presentes.

As Comunidades Eclesiais de Base do México expressamos nosso sentimento frente aos acontecimentos que nosso país está vivendo, especialmente os que aconteceram nas últimas 48h, no Estado de Oaxaca. Ontem a Polícia Federal (PF) enfrentou os professores da Seção XXII da CNTE e os pais de família em Oaxaca.

Tomo como base o Evangelho de Jesus, o serviço do Reino e a Doutrina Social da Igreja, manifestamos que as reformas legislativas não devem ir de encontro aos interesses da população civil, mas ao encontro do bem comum dos cidadãos. Não podem impor, à força, muito menos com violência, mas à base do diálogo e negociação. A violência gera violência.

A soberania está no povo, o Governo deve estar atendo aos interesses da população civil e buscar o bem comum.

O que está acontecendo com os professores, nos Estados de Oaxaca, Chiapas, Tabasco, Guerrero, Michoacán e Morelos, atenta, abertamente, contra os Direitos Humanos, contra o trabalhadores da educação, que buscam que se respeitem seus direitos e que se revogue a Reforma Educativa, que nada mais é senão uma reforma trabalhista administrativa, que busca ignorar os direitos dos professores e destruir sua organização. É uma reforma que, para sua aprovação, deveria haver um diálogo prévio com os principais atores da educação, os professores e professoras.

O Estado mexicano, ao contrário, responde com criminalização e repressão o protesto dos professores e da sociedade civil organizada. Não parece disposto a estabelecer canais de diálogo e negociação referente à reforma educativa e outras problemáticas do país.

O Governo Federal se recusa a dialogar com a sociedade civil, a pesar de que as mães e pais de família, as comunidades e o povo mexicano em geral manifestaram seu apoio à luta dos professores e sua inconformidade com a reforma educativa, o que demonstra o autoritarismo e a total falta de democracia e legitimidade das políticas públicas que vem implementando no país.

As comunidades Eclesiais de Base rechaçamos o desrespeito à figura e ao trabalho dos professores; a violência e repressão como resposta às reivindicações e manifestações dos docentes.

Exigimos, unindo-nos e nos solidarizando com outras vozes:

  1. O fim do uso inadequado e desproporcional da força e da repressão contra os professores e a população civil organizada que exercem o seu direito à liberdade de expressão e à livre manifestação.
  2. A assistência médica imediata a todas as pessoas feridas como resultado da ação violenta do Estado.
  3. A instalação imediata de mesas de diálogo. Sim para um diálogo verdadeiro e incondicional que revalorize a participação dos professores na reforma educacional.
  4. O fim da criminalização do magistério, o cancelamento das ordens de prisão e libertação imediata dos professores e professoras ilegalmente detidos.
  5. A punição aos responsáveis por detenções arbitrárias, torturas e outras violações dos direitos humanos, cometidas contra os professores de Oaxaca e membros da sociedade civil.
  6. Respeito pelos direitos humanos e trabalho dos professores. Não à demissão sem justa causa e ao não pagamento de seus salários.
  7. A criminalização dos defensores dos direitos humanos.

Fazemos nossas as palavras de Dom Oscar Romero: “queremos que o governo leve a sério que as reformas são inúteis se elas estão manchadas com sangue. Em nome de Deus, e em nome deste povo sofrido cujos gritos sobem ao céu, a cada dia mais tumultuado, suplico, rogo, ordeno: cesse a repressão!

Secretaria Nacional das CEB’s
José Sánchez Sanchez

Print Friendly, PDF & Email

junho 22nd, 2016 Postado por : vieira Arquivado em: Notícias

Seja o primeiro a comentar Deixe uma resposta:

Seu e-mail não será publicado.Campos obrigatórios*