No último dia 31 de julho de 2010, celebrou-se os 454 anos do falecimento de Santo Inácio de Loyola

Inácio: a vida como serviço

Oração de Santo Inácio de Loyola
Tomai Senhor, e recebei
Toda minha liberdade,
A minha memória também.
O meu entendimento
E toda minha vontade.
Tudo que tenho e possuo,
Vós me destes com amor.
Todos os dons que me destes,
Com gratidão vos devolvo:
Disponde deles, Senhor,
Segundo vossa vontade.
Dai-me somente
O vosso amor, vossa graça.
Isto me basta,
Nada mais quero pedir.

Inácio de Loyola, um peregrino pobre, decide estudar para melhor ajudar as pessoas. Busca e aceita os companheiros que Deus lhe dá como “amigos no Senhor”. Com eles, faz voto de gastar a vida em favor dos outros, seguir Jesus Cristo pobre, ir a Jerusalém ou a Roma e colocar-se à disposição do Papa. “Ajudar as almas”, isto é, as pessoas na plenitude do seu destino espiritual. Seguir e anunciar o Cristo, em pobreza e caridade apostólica. Numa palavra, servir será o único e grande objetivo da última parte da vida de Inácio.

Deixando os companheiros unidos, viaja para a Espanha a conselho dos médicos, que lhe recomendaram os ares da terra natal. Na ausência de Inácio, mais três companheiros juntam-se ao grupo, em Paris: os padres Cláudio Jaio e Pascásio Broet e o estudante de Teologia João Codure. Os três fazem os Exercícios Espirituais sob a direção de Pedro Fabro.

Inácio viaja da Espanha para a Itália. Em Veneza, conquista mais um operário para trabalhar “na vinha do Senhor”: o bacharel Diogo de Hozes, que morrerá antes da aprovação da Companhia de Jesus. Veneza, 1536: o velho peregrino decide, mais uma vez, estudar. Continuam os estudos de Teologia necessários para ordenar-se sacerdote e servir mais à Igreja. No começo do ano seguinte, chegam a Veneza os nove companheiros vindos de Paris.

Estão dispostos a cumprir a promessa de ir a Jerusalém. Mas as circunstâncias impedem a viagem. Não há barco para a Terra Santa, naquele ano. Em Veneza, Inácio e os companheiros que ainda não eram padres recebem a ordenação sacerdotal e se entregam ao ministério. Inácio, porém, adia sua primeira missa para a festa de Natal de 1538, “preparando-se melhor e rogando a Nossa Senhora que o pusesse com seu Filho”. Para compreender esse gesto de Inácio, precisaríamos ter a devoção de um místico e a humildade de um pobre. De Veneza a Roma, os companheiros viajam a pé, como “sacerdotes pobres de Cristo”.

A quem lhes pergunta quem são, eles respondem: “Somos a Companhia de Jesus”. A expressão, no seu sabor original, queria dizer apenas: um grupo de companheiros que não tem outro chefe ou cabeça, senão Jesus. Inácio nunca poderia aceitar que fossem chamados “inacianos”, mais sim “jesuítas”. Na entrada de Roma, Inácio recebe uma grande graça, enquanto rezava na capela de La Storta. Em meio a um grande sentimento de alegria e consolação espiritual, pareceu-lhe ouvir Deus dizendo-lhe: “Eu vos serei propício em Roma, eu estarei convosco”. Viu tão claramente que Deus Pai o punha com seu Filho, que não podia duvidar disso.

E Jesus, carregado com a Cruz, toma Inácio consigo e diz: “Quero que tu nos sirvas”. Este fenômeno místico fez com que Inácio se sentisse ainda mais unido a Cristo e que tivesse a firme certeza de que Deus aceitava a Companhia de Jesus. Em Roma, os primeiros jesuítas se colocam à inteira disposição do Papa. Desde sua origem, a Companhia de Jesus caracterizou-se pelo voto de especial obediência ao Vigário de Cristo.

A autêntica obediência inaciana nem sempre é bem compreendida. Trata-se de uma obediência incondicional, no que diz respeito à missão evangelizadora; mas não se deve confundir com uma obediência infantil, militar ou acrítica. Naquela época renascentista, Inácio chegou a dizer que se o Papa começasse por reformar a si mesmo e sua própria casa, muitas coisas melhorariam na Igreja.

Dizia isso na intimidade, com a confiança de quem amava muito a Igreja, como “verdadeira Esposa de Cristo Nosso Senhor” e “nossa Santa Mãe”. No final do livro dos Exercícios Espirituais, acrescentou umas regras “para sentir, verdadeiramente, com a Igreja”. O Papa Paulo III ficou feliz com aquele grupo de “padres reformados” que, com tanta devoção e disponibilidade, se lhe ofereciam para qualquer missão. Aprovou oficialmente a Companhia de Jesus aos 27 de setembro de 1540, e começou a enviar os companheiros em missão: Pedro Fabro à Alemanha, às voltas com a Reforma de Lutero, Bobadilla a Nápoles, Simão Rodrigues a Portugal e o grande Xavier à Índia.

O rei de Portugal pedia seis dos primeiros jesuítas. Mas Inácio protestou: “Se fossem seis para Portugal, quantos ficariam para o resto do mundo?” Ele, eleito primeiro superior geral da Ordem, passará o resto de sua vida em Roma, escrevendo as Constituições da Companhia, coordenando o trabalho de todos os companheiros, servindo à Igreja e identificando-se com o sentimento do Senhor: “A colheita é grande, mas poucos os operários”. Inácio faleceu no dia 31 de julho de 1556.

Morreu “sem dificuldade alguma”, dizem as fontes, quase sozinho, com muita paz. Tinha cumprido, com amor, sua missão na vida. Fundara e organizara solidamente “a mínima Companhia de Jesus”. Não queria que esta tivesse grande número de membros, mas que esses fossem muito bons, que buscassem sempre “a maior glória de Deus”, o “maior serviço”, a missão mais urgente na Igreja.

Os “companheiros de Jesus” deveriam estar sempre prontos para viajar para qualquer parte do mundo, mas, ao mesmo tempo, conservar-se muito unidos entre si pela obediência e pela discreta caridade. Deus abençoou a primitiva Companhia com muitas e boas vocações. Na morte do fundador, contava já com mil companheiros, espalhados por todo o mundo, desde o Japão até o Brasil de Nóbrega e Anchieta.

Fonte: http://www.vilakostkaitaici.org.br/inacio.htm

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agosto 02nd, 2010 Postado por : admin Arquivado em: Notícias , ,

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