A VOZ QUE VEM DAS RUAS: Manifesto do Movimento de Mulheres Contra o Desemprego

Nós, do Movimento de Mulheres Contra o Desemprego, consideramos as recentes manifestações de rua, que estão ocorrendo em todo o Brasil, como um acontecimento histórico de grande significado para o futuro da nação.

Trata-se de algo inédito e inesperado, por isso não podemos interpretá-lo de modo definitivo e abrangente. Nem queremos assumir uma atitude de adesão acrítica e superficial.

Olhamos para estas manifestações com sentimentos de esperança e apreensão.

O seu caráter livre e espontâneo prova que a prática da democracia produz forças de resistência incontroláveis quando outras forças tentam boicotar os seus avanços.

A participação majoritária da juventude é um sinal animador, mesmo que apenas uma minoria esteja ali impelida por uma consciência histórica e política e não arrastada pela onda.

Ficamos animados em perceber como o papel das redes sociais desbancou o monopólio da grande mídia, acostumada a mobilizar a população e controlar seu pensamento.

Estes movimentos abrem caminho para outras instâncias de participação no exercício da cidadania e da democracia participativa, além dos partidos políticos. Isso é bom para o Brasil.

Alegramo-nos em ver como o senso comum da nacionalidade está presente nas ruas e praças, representado no uso generalizado dos símbolos da pátria.

Por outra parte, não podemos esconder nossas apreensões.

Onde estão as lideranças? A ausência visível delas nas ruas, ou em algum outro espaço, impossibilita o diálogo indispensável para tornar eficazes as justas reivindicações.

Vemos como um fato positivo o caráter apartidário destes movimentos. Tememos, no entanto, que ele possa derivar para uma intolerância contra partidos políticos. Seria uma posição contraditória, uma vez que são exigidas mudanças nas políticas públicas e no sistema político convencional.

Não é possível dialogar com sentimentos difusos de insatisfação. É necessário selecionar algumas reivindicações prioritárias, a fim de encaminhar soluções concretas e viáveis.

Grupos minoritários de extrema direita política e ideológica, infiltrados nestes movimentos, mostram-se bem organizados e persistentes. Com isso levam vantagem e podem esvaziar as manifestações junto à opinião pública. É preciso desbancá-los.

A despeito de tudo isso, acreditamos que estes novos fatos representam um crescimento na consciência pública participativa do povo brasileiro. Queremos permanecer em alerta, a fim de interpretar corretamente suas intenções e seus objetivos.

Gostaríamos que estes movimentos resgatassem a memória histórica da nação. Eles parecem ter esquecido o martírio de muitos outros brasileiros, sobretudo jovens, presos, torturados e mortos na luta pelos direitos humanos e a democracia, durante a ditadura militar. Sem a coragem deles nada disso estaria acontecendo.

O retorno da democracia abriu chances para que um homem vindo diretamente do povo chegasse à Presidência do país. Percebemos como as principais reivindicações expressas nas ruas coincidem com o Programa original do Partido dos Trabalhadores.  Infelizmente alguns petistas, inclusive no exercício de mandato político, esqueceram ou traíram seus primeiros ideais. Nem por isso deixamos de acreditar que esse Programa é o mais representativo dos anseios da população.

Por isso reafirmamos nosso apoio à Presidente Dilma Rousseff e à sua proposta de um plebiscito nacional.

Só o tempo revelará o significado pleno destas manifestações. Batalharemos em favor dos seus melhores resultados, acreditando que elas fazem parte da grande utopia universal de que outro mundo é possível.

No dia 8 de março de 1999, dia internacional da mulher, foi fundado na cidade de Recife, PE, o MOVIMENTO DE MULHERES CONTRA O DESEMPREGO. Sua finalidade é combater diretamente o desemprego em suas causas, articulações e consequências. Combater o atual modelo econômico, que gera o desemprego em massa e a exclusão social. Convocamos todos homens e mulheres de todos os credos  idades e classes sociais para assumir conosco a prática dos direitos e deveres da nossa fé e cidadania.

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