S.O.S. SECA: denúncia e apelo

Por Frei Aloísio Fragoso, OFM[1]

Depois de viajar, vezes seguidas, levando socorro material às vítimas da seca atual em nosso Estado, sentimos o dever de consciência de fazer algumas denúncias públicas.

O flagelo da seca é um pecado gravíssimo de toda a sociedade. Primeiramente, de seus governantes, pois eles detêm os recursos públicos indispensáveis e suficientes para enfrentá-la e dar-lhe uma solução definitiva. Iniciativas individuais não podem nem devem substituir a responsabilidade dos poderes constituídos.

Sempre que a seca volta a atacar, repetem-se  os velhos chavões:  ela é um fenômeno absolutamente natural, por conseguinte, previsível. Ela é de fácil solução, uma questão de vontade política. Medidas emergenciais são paliativos e não soluções. Ações esporádicas são ineficazes sem um Plano de Emergência. As oligarquias  locais se locupletam com os recursos públicos e aumentam suas posses de terra. E assim por diante.

O que vimos e ouvimos pessoalmente comprova estas acusações. Conversamos com diversas lideranças desses lugares e elas nos apontaram outras ações e omissões criminosas.  As providências das autoridades governamentais começam a chegar quando os efeitos da seca já se tornaram uma tragédia. Muitas vezes não chegam ao seu destino ou chegam em quantidade bem menor do que a prometida. Há casos de cisternas retidas em comunidades rurais, há cerca de três meses, por causa dos entraves burocráticos. Há casos também de comerciantes que lucram com o fornecimento d´água e conseguem boicotar a chegada dos caminhões pipa fornecidos pelos Governos. Há ainda o caso de um açude que abastece o consumo da população, onde foram instaladas 30 bombas d´água para irrigar a terra de grandes proprietários. A população vitimada pela seca torna-se também vítima da corrupção eleitoreira  ( políticos negociam os recursos oficiais em troca de voto; quem é eleito se desinteressa, quem perde a eleição, vinga-se do povo.)

As maiores vítimas são os pequenos agricultores, os únicos que enfrentam riscos de vida com suas famílias, suas criações, alimentos e reservas.

Cuidar da parte emergencial, esquecendo a estrutural é perpetuar o estado de miséria; no entanto, alegar a prioridade da parte estrutural como pretexto para descuidar-se da emergencial, é cinismo. Por isso, considerando que quem tem fome tem pressa, devemos apressar  nosso socorro a estes irmãos e irmãs torturados pela longa estiagem.

As imagens da seca expostas pela mídia sensibilizam a sociedade. Contudo, pouquíssimas pessoas se mobilizam para uma ação concreta. A maior parte esquece que esta mobilização não é uma simples questão de filantropia ou de caridade fraterna, é um dever incondicional de justiça.

Somos um grupo de cristãos-católicos. Estamos iniciando o tempo do Advento, preparação para o Natal. Seria uma escandalosa contradição celebrar festivamente o nascimento do Salvador, omitindo-nos diante do sofrimento dos que gritam por salvação. “Quem disser que ama a Deus, que não vê, e não ama o irmão, que vê, é um mentiroso”  1Jo. 4,20.

MOVIMENTO DE MULHERES CONTRA O DESEMPREGO

 


[1] Franciscano, Missionário nas Comunidades do Coque e de Bola na Rede. Dirigente Espiritual do Movimento de Cursilho. É assistente do Movimento de Mulheres contra o Desemprego. Membro atuante da Associação de Presbíteros Pe. Antônio Henrique.

Print Friendly, PDF & Email
dezembro 03rd, 2012 Postado por : vieira Arquivado em: Notícias, Publicações

Seja o primeiro a comentar Deixe uma resposta:

Seu e-mail não será publicado.Campos obrigatórios*