Católica realiza 9ª Semana da Mulher

Informações do boletim da ASSECOM

A Universidade Católica de Pernambuco realizou na noite de segunda-feira (21), no auditório G1, 1º andar do bloco G, a abertura da 9ª Semana da Mulher na Católica, que este ano tem como tema “Cuidar da Vida, Cuidar do Mundo”. O evento apresentou, na primeira noite, o painel “A Participação da Mulher na Construção da História de Pernambuco”, coordenado pela professora do curso de Direito da Católica Andréa Campos, com as painelistas convidadas Prof.ª Dra. Suely Almeida, historiadora da UFRPE, e Fátima Quintas, escritora e membro da Academia Pernambucana de Letras.

O Pró-reitor Comunitário, Padre Lúcio Flávio Cirne Ribeiro, em nome do Reitor, Padre Pedro Rubens, deus as boas-vindas aos presentes e apresentou a temática desta edição. “Cuidado com a vida e cuidado com o mundo, fraternidade e vida no planeta. Nada mais pertinente, uma vez que é a mulher que gera vidas e materna o ser humano, que inicia a vida sob a sua dependência e seus cuidados. A própria temática da Campanha da Fraternidade utiliza termos bem característicos, bem próprios, bem ligados ao universo feminino. A criação geme em dores de parto. Cuidar da vida, cuidar do planeta, cuidar do nosso lugar, cuidar da nossa casa. A Unicap é o nosso lugar. Lugar de convivência, lugar do trabalho, lugar de geração do saber, do saber que quer transformar este nosso mundo, transformar essa nossa realidade. Mas sempre essa conexão necessária entre o local e o global, o nosso lugar não está desvinculado da grande casa que é a nossa terra. Terra é lugar, terra é espaço, lugar de vida, espaço onde raízes se entranham, crescem e se entrelaçam na bela simetria e na silenciosa regularidade da vida. E quando dentro do inevitável ciclo de vida aparece a morte, na terra morre-se para um novo nascimento”.

Prosseguindo, o Pró-reitor ressaltou: “Voltando à Unicap, nosso lugar, nossa casa. Este ano, a Católica comemora 60 anos e esta Semana da Mulher transita pela construção da história da nossa Universidade, em Pernambuco, aqui no Recife, também pela temática da Campanha da Fraternidade. Hoje à tarde, nós já começamos a nossa Semana, lá no casarão azul, que agora é rosado, onde a história da Católica começou. O casarão abriu suas portas para receber seis escritoras, Ana Maria César, Fátima Quintas, membros da Academia Pernambucana de Letras, Luzilá Gonçalves Ferreira, todas estão aqui. Eu queria pedir uma salva de palmas para elas (a plateia atendeu de pronto). Luzilá que deverá ser empossada, também, na Academia no próximo dia 29. Laura Areias, escritora luso-brasileira, que foi aluna da primeira turma de Jornalismo da Católica; Cida Pedrosa, poetisa e incentivadora do mundo literário local; Haidée Camelo, nossa querida Haidée, cujo livro ‘Ave Mulher’ transformou a linguagem da mulher do povo para o mundo literário; também as escritoras Verônica Brayner e Andrea Campos estiveram lá e aqui está presente Andrea”.

Agora, enfatizou o Padre Lúcio Flávio, temos a honra de contar com duas mulheres brilhantes. Profª Drª  Suely Almeida, historiadora, professora da Universidade Federal Rural, ex-aluna e ex-professora aqui da casa, deste nosso lugar e uma das pioneiras da Semana da Mulher na Unicap e, também, contamos hoje no nosso painel de abertura com a antropóloga, escritora e membro da Academia Pernambucana de Letras, Fátima Quintas.

Em seguida, ocorreu a composição da mesa do painel “Participação da Mulher na Construção da história de Pernambuco” pela coordenadora dos trabalhos, a professora da Católica Andrea Campos; pela Prof.ª  Dra. Suely Almeida, historiadora e professora da Universidade Federal Rural; pela antropóloga, escritora e membro da Academia Pernambucana de Letras, Fátima Quintas, e pela secretária da Mulher do Recife, Rejane Pereira.

A professora Andrea Campos cumprimentou os presentes e passou a palavra para a historiadora Suely Almeida. “O que eu vou abordar hoje está ligado à minha pesquisa. Eu trabalho especificamente com o Século XVIII,  trabalho com agências de sobrevivência, ou seja, o que as mulheres faziam para tocar o cotidiano. A minha tese de doutorado é sobre isso e chama-se “O sexo devoto, normatização e resistência feminina no Império Português” e ela trata justamente das ações femininas em busca de uma melhor qualidade de vida, de um certo conforto para proteger a prole e para se proteger mesmo, numa sociedade que é misógina (definição do dicionário priberam.pt: [grego misogúnes, -ou] adj. s. m. Que ou aquele que tem aversão às mulheres), numa sociedade onde a mulher não pode agenciar civilmente. Pela legislação portuguesa, a mulher é imbecillitas, semelhante ao escravo, à criança e ao louco. Então, na colônia ela não tem espaço para agir civilmente, ela não pode trabalhar e não é bem vista trabalhando.”

“Eu procuro, justamente, encontrar quais foram as estratégias e táticas que elas usaram. Elas vão sair, o tempo todo, quebrando essas normas. Nós vamos encontrar mulheres que foram capitoas de Capitania, como é o caso de Brites de Albuquerque, portuguesa casada com Duarte Coelho que administrou a capitania, quando Duarte Coelho estava ausente. Ela administrou a capitania depois da morte de seu marido e mesmo estando aqui o irmão dela, o conhecido Adão Pernambucano, o Jerônimo de Albuquerque, ela continuou administrando a capitania”, revelou Suely.

“Mulheres como Maria do Espírito Santo, que foi casada com Jerônimo de Albuquerque, que era uma índia e que teve uma prole extensa, contribuiu para a formação híbrida, mestiça dessa sociedade que foi se formando. Nossa sociedade é uma sociedade mestiça. Mas, também, as negras e as brancas pobres que trabalhavam em casa e usavam tabuleiros para vender seus produtos nas ruas. Nós sabemos que em Pernambuco algumas mulheres produziam alimentos, faziam bordados, rendas, flores de penas e vendiam nas ruas do Recife. As escravas faziam isso, elas saiam apresentando os produtos embaixo das janelas dos sobrados”, explicou a historiadora.

“Quando a gente chega no Século XIX, nós vamos encontrar verdadeiras empresas, como hoje, empresas que preparam a festa de casamento, festa de aniversário. Já havia no Século XIX famílias inteiras com as mulheres trabalhando, fazendo bolo, comida e preparando festas”, concluiu Suely Almeida.

Dando continuidade, a antropóloga, escritora e membro da Academia Pernambucana de Letras Fátima Quintas falou de cinco mulheres que contribuíram para a construção de uma literatura em Pernambuco. “Eu vou focar cinco mulheres que eu acho que são representativas dessa construção e espero que elas representem todo o universo das mulheres que contribuem com a literatura, com o pensamento para a construção realmente de uma literatura em Pernambuco.”

Ela falou sobre a poetisa, educadora e jornalista Edwiges de Sá Pereira; Dulce Chacon (Maria Dulce Chacon de Albuquerque), educadora e escritora; Maria do Carmo Barreto Campello de Melo, jornalista e poetisa; Martha de Hollanda, escritora e jornalista, e a educadora Nair de Andrade. As três primeiras da Academia Pernambucana de Letras. “Eu preferi focar em mulheres mortas por uma razão muito simples, seria impossível eu abranger todo o universo das vivas e para não haver problema de excluir, omitir uma. Então eu estou focando realmente em mulheres que já morreram”, explicou Fátima Quintas.

A reportagem do Boletim Unicap entrevistou alguns participantes para saber suas opiniões sobre a importância da Semana da Mulher.

Professora Fátima Brekelfeld, coordenadora Geral do 1º Ciclo. Eu acredito que a Semana da Mulher vem prestigiar uma evolução conquistada pela mulher no cenário mundial, no cenário brasileiro e no cenário de Pernambuco. Como, também, lembrar a toda sociedade que foi uma luta constante por parte das mulheres essa performance que, hoje, as gerações mais jovens conseguem usufruir. Nós temos numa história recente uma série de conquistas da mulher, então não vai aqui nenhum feminismo, mas tudo que a mulher, ao longo dos anos, conquistou nós temos que reconhecer que foi através de muito trabalho e de muitas lutas. Então a Semana é um reconhecimento desse trabalho.

Irmã Cícera, da Congregação Paulinas e aluna do último período do curso de Teologia da Católica. Eu acho muito importante. Dentro dessa temática que o Padre Lúcio colocou muito bem na abertura. Ele salientou que nós como Universidade estamos atingindo a Campanha da Fraternidade, trazendo também essa reflexão para o campo da mulher. Foi muito feliz com essa questão do cuidar da vida, saber cuidar e não só da vida das pessoas humanas, mas também do nosso planeta. Que o mundo é a nossa casa.

Pedro Emanuel Silva, concluinte do curso de Letras da Católica. Eu acho importante porque só assim a sociedade pode perceber a importância da mulher dentro dela própria. Porque a própria criação da mulher com seu filho e com sua filha é machista. Então é uma maneira de a gente abranger isso e perceber o quanto a mulher é importante para a sociedade.

A 9ª Semana da Mulher na Católica vai até o próximo dia 24. Acompanhe a programação no site www.unicap.br.

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Março 21st, 2011 Postado por : admin Arquivado em: Eventos

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