Eleja o símbolo da mata atlântica do Nordeste

Publicado em 20.01.2011, no Jornal do Commercio

Duas aves e um primata disputam o título de espécie-símbolo da Mata Atlântica do Nordeste. Os candidatos da campanha, realizada na internet por uma coalizão de ONGs liderada pela Conservation International, são o limpa-folha-do-nordeste, o pintor-verdadeiro e o macaco-prego-galego. Além de chamar a atenção pela beleza, os três figuram na lista dos animais ameaçados de extinção. E, claro, são endêmicos, ou seja, restritos a esse trecho de floresta hoje reduzido a menos de 2% de sua área original. A votação ocorre até março.

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Ambos os pássaros escolhidos para o concurso carregam ainda uma peculiaridade: a resiliência. O termo, quando usado por conservacionistas, expressa a capacidade de uma espécie de superar um distúrbio no ambiente. No caso da mata atlântica de Alagoas, Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte, eles têm conseguido vencer a fragmentação. No lugar de um contínuo florestal, como ocorre no Sudeste, as matas dessa região formam um tipo de arquipélago de vegetação. Os fragmentos são como ilhas em meio ao mar de cana-de-açúcar.

Dos três bichos, dois figuram em listas internacionais de espécies em vias de extinção. Enquanto o macaco-prego-galego está entre os 25 tipos de primatas que mais correm risco de extinção do mundo, o limpa-folha-do-nordeste integra a relação das mais ameaçadas da região neotropical.

A ave não é tão exuberante quanto o pintor-verdadeiro, de cores vibrantes, mas é a mais ameaçada das duas. Foi registrada apenas em duas localidades: Murici, em Alagoas, e a Mata Sul de Pernambuco. “É tão rara que só foi descrita na década de 1980, por pesquisadores do Museu Nacional do Rio de Janeiro, depois de anos e anos de expedições ornitológicas pela floresta atlântica alagoana”, relata a ornitóloga Sônia Roda, que colaborou com a Conservation International na escolha dos bichos candidatos a espécie-símbolo da mata atlântica da região.

Para a pesquisadora, o limpa-folha-do-nordeste pode não ser atrativo visualmente para quem visa apenas à beleza. “Mas para quem olha com olhos da pesquisa e conservação, ele é majestoso. É considerado criticamente ameaçado de extinção, embora a população local mal o conheça”, destaca.

Já o pintor-verdadeiro paga caro pela beleza. A plumagem em tons de azul, amarelo e vermelho chama a atenção dos caçadores. “Infelizmente, a maioria da população o conhece devido à sua indiscriminada comercialização. Não tem uma vocalização exuberante, mas os criadores apreciavam a beleza da sua plumagem”, comenta Sônia Roda.

Segundo ela, a espécie é fácil de se criar em cativeiro, pois não requer muitos cuidados. “Por isso, nas décadas de 1970 e 1980, quase chegou à extinção total. Um grande esforço de conservação foi realizado nesse período para manter em pé fragmentos de florestas. Era um tempo de muita devastação por conta de programas do governo que incentivavam a derrubada de matas para o plantio da cana-de-açúcar”, recorda.

As duas aves estão entre as 434 espécies registradas no Nordeste, o que representa dois terços das aves de toda a floresta atlântica. Delas, 41 espécies estão incluídas em alguma categoria de ameaça, segundo o Ministério do Meio Ambiente, das quais 27 são endêmicas e ameaçadas.

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fevereiro 14th, 2011 Postado por : admin Arquivado em: Notícias

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