Voluntariado Universitário realiza diversas ações no mês de férias

Mês de Julho é conhecido como o mês de férias, de descanso, de viagens, de fazer maratona de séries ou encontrar com amigos distantes, mas para alguns universitários foi um tempo de muito trabalho, conhecer pessoas e lugares novos e fazer o bem, pois foi também o período de voluntariado!

O Programa de Voluntariado da Unicap – VOU foi criado em 2017 e desde então tem proporcionado diversas experiências para dezenas de alunos em várias localizações do Nordeste. Um exemplo foi o Voluntariado na Paraíba, que nesta edição contou com dois grupos, o primeiro atuou com crianças carentes e acompanhou uma cooperativa de catadores de materiais recicláveis – Catampa e o outro atuou com a Escola de Educação Popular Fé e Alegria.

“Trabalho voluntário sempre foi algo que eu queria fazer mas não achava que conseguiria sair da minha zona de conforto. Se eu soubesse o quanto me mudaria, teria feito antes. Na fundação Fé e Alegria, pude conhecer a realidade das crianças e aprender muito com elas, sobre a realidade de cada uma e a importância que aquele lugar tem para elas. Eu me senti importante também, senti que estava fazendo um bem para todos ali e nunca vou esquecer o carinho que elas tiveram por mim. Uma experiência assim faz você refletir sobre a sua própria vida e como muitas vezes ficamos insatisfeitos sem uma razão concreta. O que ficou pra mim foi muito amor, sentimento de realização e a vontade de realizar esse trabalho novamente, sempre que eu puder. Com certeza, foi uma experiência que me fez ver a vida com outros olhos. ”  

Fernanda Isabel Araújo Viana de Lira, estudante do curso de Direito, voluntária em Fé e Alegria João Pessoa

As iniciativas do VOU são sempre feitas junto à Parceiros da Unicap, dentre eles destacam o Programa Magis, que por meio do Espaço Magis Paraíba, tem acolhido voluntários desde a primeira edição. O interessante é que nessa experiência quem acompanha os voluntários são outros jovens que um dia fizeram a experiência do voluntariado e hoje contribuem para que outros possam vivenciar esse momento.

A experiência do voluntariado universitário de Cabedelo nos ensina a sair da zona de conforto, nos ensina disciplina, viver em convivência, colocando à prova todas as nossas virtudes construídas até então, e nos fazendo explorar quem somos. Quem somos lá no fundo, que não tínhamos ideia que éramos. Tantos aspectos da nossa personalidade, tanto potencial, que não é usado na rotina comum do dia-a-dia, que a gente até esquece que existe, ou mesmo nem os conhecemos em nós mesmos. A experiência traz esses aspectos à tona e te veste como uma real passagem de autoconhecimento.

Juliene Avelino, aluna do curso de Direito, voluntaria em João Pessoa/PB

Um outro grande parceiro do VOU é a Fundação Fé e Alegria que nesta edição acolheu 3 experiências, além de João Pessoa/PB, Natal/RN e Vazantes/CE. Fé e Alegria foi fundada na Venezuela em 1955 com o objetivo de oferecer um espaço para o desenvolvimento de crianças e adolescentes, levando em consideração suas realidades e buscando o protagonismo de cada uma. Atualmente está presente em 21 países da América Latina, Europa e África, por meio de 4.000 centros educativos e sociais, em 3.000 pontos geográficos. No Brasil mais de 13 mil pessoas, entre crianças, jovens e adultos, em 20 cidades de 14 estados, são beneficiadas pelas ações de Educação e Promoção Social da Fundação.

Foi uma experiência muito intensa, enriquecedora e única. Cada sorriso, cada abraço, cada olhar me motivou a fazer ainda mais por crianças como elas, em situação de abandono, desprezo e negligência. Me fez entender que as Fundações, assim como a Fé e Alegria, proporcionam muito mais do que “atividades extras”, mas na verdade são abrigos, refúgios para essas crianças que vivem em situações críticas. Saindo dessa semana, percebi que tenho muito mais a aprender com elas, do que elas comigo. Elas são fortes, têm brilho nos olhos e vontade de fazer a diferença. É quando um sorriso e um “quando vocês voltam?” nos deixa com o coração apertado de saudade. E quando um “eu te amo” no final te mostra que são simples gestos que faz você ficar nas melhores lembranças dessas crianças.

Maria Clara Nogueira, estudante do curso de Medicina, voluntária em Natal/RN

Além da ação em si, os estudantes têm uma oportunidade única de desenvolvimento pessoal e humano e de autoconhecimento. Isso acontece porque no VOU, mais do que uma metodologia do “fazer”, busca-se uma ação que tenha por objetivo o “Ser”, que envolve todas as dimensões da pessoa. Por isso, durante toda a experiência os estudantes participam diariamente do Círculos Magis ou de Momentos de partilha, de modo que são provocados a pensar no seu projeto de vida e como lidam com as suas próprias questões existenciais.

As experiências do VOU são diversas em atividades e também na duração da experiência. Existem voluntariados semanais, como aquele que ocorre em parceria com a ONG Hospitalhaços; há também a ação mensal na Comunidade de Passarinho, em Olinda e nas edições de férias, existem voluntariados de uma semana e aquele que dura um mês, como é caso do Voluntariado em Vazantes/CE, também em parceria com Fé e Alegria.

Nesse voluntariado que acontece no sertão cearense, os aluno, que antes de se encaminharem à Vazantes, são acolhidos no Centro Inaciano de Juventude – CIJ, em Fortaleza, têm uma possibilidade a mais para intercâmbio e troca de saberes, pois participam dessa experiência alunos de universidades espanholas de Deusto e Comillas. Assim, não somente o trabalho é compartilhado, mas o idioma, a cultura e as histórias de vida são colocadas em comum, numa bonita ação internacional de carinho, solidariedade e amizade.

Se posso descrever Vazantes com uma palavra essa seria “amor”. No momento em que chegamos, a comunidade já nos esperava com os braços abertos e com o desejo de passar um mês maravilhoso. As crianças corriam até nós para nos dar todo o seu carinho. Vazantes é um povo em que a felicidade não se consegue com o material, mas com as abundantes mostras de carinho de cada pessoa.

Marta Elorza, estudante da Universidade de Deusto.

Em Vazantes, os voluntários vivenciam diversos momentos de troca. Aém das oficinas que eles oferecem às crianças, esses estudantes também participam de atividades oferecidas pela própria comunidade, como Maracatu, curta-metragem e biscuit. Também aprofundam a amizade com toda a comunidade por meio de visitas às casas e atividades para a família por meio de apresentações públicas de filmes e festas para os idosos.

A experiência de um mês no interior do Brasil tem sido tão forte para esses alunos que muitos deles desejam voltar ao nosso país para um período de voluntariado mais longo, seis meses ou um ano. Essas ações são positivas pois além de proporcionar experiências que humanizam, também atuam nas instituições parceiras com uma ajuda qualificada, o que contribui com o bom desenvolvimento das atividades dessas organizações, beneficiando ainda mais pessoas, principalmente aquelas em situação de vulnerabilidade.

Para João Elton, coordenador do VOU, “O Programa de Voluntariado Universitário da Unicap tem sido inovador pois além de uma proposta pedagógica diferenciada em que o aluno vai até a comunidade e a realidade, observa esse contexto e aprende com ele, também tem um impacto social pois os conhecimentos que adquire na universidade, somado às habilidades e dons que esse aluno já tem, contribuem substancialmente com as instituições e nas comunidades que atuam. Em três anos de programa centenas de crianças já foram atendidas por mais de 150 voluntários que aceitaram o desafio, saíram da sua zona de conforto e participaram das experiências. A palavra VOU não é somente o acrônimo do nome do Programa, mas uma afirmação, o verbo ‘ir’ conjugado na primeira pessoa, tornado ação em benefício de todos.

Desta forma, a Unicap, em sua missão de formação integral e de, como universidade comunitária e jesuíta, tem buscado diversas atividades formativas e de impacto socioambiental. Nesse caminho, os voluntariados têm sito uma experiência exitosa onde todos podem contribuir, aprender e atuar positivamente na construção de um mundo pautado pelo serviço aos demais e pela justiça

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