Boletim Unicap

Seminário discute inclusão de pessoas com superdotação e altas habilidades

O anfiteatro do bloco G4 lotado de professores, estudantes e pais revela o interesse por um tema ainda pouco debatido na sociedade: o da inclusão de pessoas superdotadas ou com altas habilidades. Essa foi a discussão durante o terceiro seminário temático promovido pelo grupo de pesquisa Altas Habilidades/ Superdotação, Humanismo e Cidadania, coordenado pela professora Vera Borges juntamente com o professor Vicente Francisco de Sousa Neto.

Um dos aspectos abordados no evento foi o da inclusão e acolhida das pessoas com este perfil no ensino superior. De acordo com Vera, o fato de o docente não conseguir identificar o aluno superdotado pode provocar uma situação em que o estudante abandone o curso. “Esse estudante precisa de tutorias, de atendimentos mais próximos. Eles se dão muito bem em iniciação científica porque são redutos de acolhimento sem que nem o estudante perceba. O estudante superdotado quer contribuir com a construção do conhecimento e ele não sabe como. Ele quer um método”, disse Vera que é associada ao Conselho Brasileiro para Superdotação (Conbrasd).

Vera Borges

O evento teve como conferencista a Prof.ª Drª. Susana Barrera Pérez, que é vinculada ao grupo de pesquisa da Unicap através do CNPq. Ela fez pós-doutorado na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM -RS), tem mestrado e doutorado em Altas Habilidades e Superdotação pela PUC-RS e é delegada pelo Brasil da Federación Iberoamericana del World Council for Gifted and Talented Children (Ficomundyt) e presidente da Comissão Técnica do Conbrasd.

A pesquisadora destacou que “o superdotado não é melhor do que ninguém, mas alguém que pensa diferente dos outros”. Ela falou também sobre estereótipos e mitos que fazem parte da representação do superdotado. Um desses tabus coloca tal condição como sendo uma doença. “A Nota Técnica Nº4 de 2014 que o aluno com altas habilidades não precisa de laudo para ser encaminhado para nenhum lugar porque ele não é doente. Laudo dá o médico ou psicólogo quando se trata de transtorno. E por que não precisa de laudo? Porque quem deve fazer a identificação desse aluno é a professor do EE (Ensino Especializado)”, esclareceu Susana.

Ainda de acordo com ela, a evolução na construção da identidade do superdotado passa por pelo menos cinco etapas diferentes: negação, dúvida, desconserto, aceitação e reconhecimento. “É urgente e necessário que as instituições de defesa de direitos humanos, sociedade como um todo e as próprias pessoas com altas habilidades e superdotação denunciem violações e tomem providências para restituir direitos dessa população brasileira que já passa dos dez milhões de habitantes”.

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