Rosto do “Flautista de 2000 anos” é desvendado na Católica

A Universidade Católica de Pernambuco sediou na noite desta terça-feira (24) um evento que desvendou milênios de história. Organizado pelo Museu de Arqueologia da Unicap, o auditório Dom Hélder foi palco de uma aguardada apresentação da reconstrução do rosto, em tecnologia 3D, do “Flautista de 2000 anos”.

Os pesquisadores reconstituiram, por meio de imagem, o rosto de um esqueleto encontrado por arqueólogos da Unicap na década de 1980, num local conhecido como Furna do Estrago, no município de Brejo da Madre de Deus, Agreste de Pernambuco.

A ossada encontrada junto a uma flauta feita a partir do osso de uma tíbia humana faz parte do acervo do museu, daí o nome dado ao evento.

A coordenadora do Museu de Arqueologia da Unicap, Profª Drª Roberta Richard, formou uma equipe composta por outros cinco profissionais: Flávio Moraes, arqueólogo e professor da Universidade Federal de Alagoas; Drª Daniela Cisneiros, professora de Arqueologia na Universidade Federal de Pernambuco; Dr. Luiz Carlos, professor de História da Católica; Pablo Maricevich, cirurgião plástico; e Cícero Moraes, 3D designer.

Roberta comemorou o sucesso do grupo multidisciplinar do projeto. “É uma equipe que deu muito certo, ganhou uma liga interessante. Nós pretendemos fazer outros trabalhos juntos” adiantou ela, que manteve o mistério sobre o rosto do “flautista” até o último momento. “Tudo que eu posso falar é que ele é bem parecido com o que a gente acreditava que seria”, desconversou.

Flávio Moraes, que também é Coordenador do Núcleo de Pesquisa e Estudos Arqueológicos na UFAL, contribuiu no processo com informações antropológicas relacionadas à ancestralidade do grupo em que conviveu o homem.

“Como arqueólogo é muito importante a gente dar face, dar rosto, para esses esqueletos que escavamos. É uma forma de proporcionar uma correlação entre os grupos que vivem e esses que já se extinguiram.  Assim, a gente mantém uma proximidade, uma relação de identidade com esses grupos do passado”, defendeu.

Após digitalização do crânio pela equipe do Museu, o resultado foi enviado para o designer Cícero Moraes, que efetuou toda a reconstrução facial digital do “flautista”. “Essa reconstrução foi feita baseada em marcadores de profundidade de tecido, que são elementos estatísticos, em músculos principais e na escultura digital. A partir desses dados, foi realizada a face base do flautista e também a pigmentação facial, além da colocação dos cabelos”, detalhou Cícero.

O auditório ficou pequeno diante da tamanha curiosidade do público. Dezenas de pessoas esperaram ansiosas para a revelação da aparência do “Flautista de 2000 anos”, que, quando veio, foi acompanhada de aplausos. “A gente não esperava um sucesso tão grande, é muito gratificante ver o resultado de tudo isso”, vibrava Roberta.

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