Professores apresentam estrutura do curso de Engenharia da Complexidade

Por Tércio Amaral

As portas do Pavilhão Maker foram abertas para a apresentação de uma das novas graduações da Universidade Católica de Pernambuco: o curso de Engenharia da Complexidade, oferecido pela parceria da Unicap com o tradicional Institut Catholique d’Arts et Métiers (Icam), da França. O encontro, promovido por professores, foi direcionado a estudantes e seus pais para tirar dúvidas, mostrar as oportunidades no mercado de trabalho e o método inovador do curso, que é o primeiro do Brasil.

“As mesmas aulas que teremos aqui na Unicap serão oferecidas, da mesma forma, em outros países onde o Icam está presente, como na França, na África ou na Índia”, destacou a professora Andréa Câmara, que também é a diretora do Centro de Ciências e Tecnologia (CCT).

O curso de Engenharia da Complexidade, oferecido pela Unicap-Icam International School, tem a duração de cinco anos e está com inscrições abertas para o processo seletivo via notas do Enem. A organização curricular é articulada por domínios do conhecimento e adota a metodologia da prática de resolução de problemas (PBL). Ao longo do curso, os alunos são colocados diante de problemas reais para que desenvolvam a capacidade de resolução de problemas por meio de uma escala de raciocínio clara e efetiva.

No primeiro ano do curso, por exemplo, os estudantes farão uma análise e otimização de um sistema de drone. No segundo, será trabalhado nas aulas o conceito e a realização de um barco autônomo em energia programado por rádio comando.

No terceiro e quarto anos do curso, os alunos devem trabalhar na criação de uma habitação low-tech. Já o quinto ano do curso é dedicado a um estágio com empresas conveniadas para que o estudante faça seu trabalho de conclusão de graduação de forma articulada com o mercado de trabalho.

“A internacionalização também é para o mercado de trabalho. Estamos formando engenheiros para o planeta. O estudante da Unicap se quiser fazer seu estágio na Índia, assim poderá fazer com uma empresa conveniada ao Icam de lá”, citou o Fernando Artur Nogueira, que é também o coordenador da nova graduação. O professor também definiu o perfil de profissional de engenharia formado pelo curso. “O mercado de trabalho está carente de engenheiros generalistas, que devemos formar no Icam. Não que o especialista não existirá no futuro. É que o mercado brasileiro e, sobretudo, o pernambucano, sente falta desse profissional que sabe lidar, simultaneamente, com diversas competências”.

O professor ainda frisou outro ponto importante do curso: a articulação do conhecimento. “O que vem acontecendo é que os cursos tradicionais de engenharia colocam os conhecimentos por meio das disciplinas, isoladamente, e o próprio aluno faz uma articulação deles. No curso de Engenharia da Complexidade todo o conteúdo será dado de forma articulada”, lembrou o professor Fernando Artur Nogueira.

Entre os exemplos, ele citou as conhecidas disciplinas de ética e mecânica ofertadas nas graduações tradicionais. “A ética não será algo isolado. Vamos avaliar entre as competências do aluno a forma como ele faz os trabalhos, como ele lidar com os colegas e sua interação com as equipes. A mesma coisa é a mecânica, que devemos trabalhá-la a partir de casos concretos surgidos no dia a dia em sala de aula”.

O engenheiro formado pela Unicap-Icam International School também terá o diferencial da internacionalização do curso. Os estudantes deverão, no mínimo, fazer um intercâmbio de um ano em uma das unidades do Icam. As aulas na Unicap, a partir do 3º e 4º anos, serão ministradas em inglês.

“O estudante que optar pela França, por exemplo, além das aulas que serão dadas em inglês em uma das unidades do Icam de lá, também poderão desenvolver a competência do francês, que será o idioma do dia a dia”. Além disso, semanalmente os estudantes da Unicap deverão ter o contato com outros estudantes do Icam pelo mundo por meio de videoconferências, o que vem sendo chamado de “momento de capitalização”.

O engenheiro Israel Gonçalves Sales é formado em Engenharia Química e Mestre em Desenvolvimento em Processo Ambiental, pela Unicap, participou do encontro e revelou que tem interesse em realizar a nova graduação. Ele avaliou positivamente o bate-papo com os professores do curso. “O encontro de hoje foi sensacional. Primeiro porque os professores deixaram as ideias bem claras, o projeto ficou bem estabelecido e a proposta do curso é espetacular”, comentou. “O que me chamou a atenção foi a formação de profissionais para esse novo tempo, tendo em vista que estamos tratando do tema de Engenharia da Complexidade. Então, tudo que for relacionado ao engenheiro e suas complexidades que esses profissionais tem, será abordado no curso. Além disso, outro ponto importante foi a proposta de internacionalização, de receber professores e alunos de outros países”.

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