Professor do curso de História publica artigo em livro sobre Brasil do século XIX

Por Ana Luíza Duarte de Macedo – estagiária de Jornalismo 

O professor do curso de História, Paulo Cadena, assina artigo publicado no livro Política e Sociedade no Brasil Oitocentista. A obra reúne textos de pesquisadores de universidades de todo o país. A obra traz um debate sobre questões relacionadas às interfaces entre o poder, culturas políticas e sociedade, a partir de perspectivas teórico-metodológicas que focalizam as rupturas, as permanências, as simultaneidades, os antagonismos e as ambivalências historicamente tecidas nas múltiplas formas de relações sociais entre as elites, as camadas populares no Brasil durante o século XIX, nas mais diversas dimensões de envolvimentos do poder e seus reflexos na sociedade e a economia.

A proposta tem por objetivo analisar a maneira pela qual ocorre a inserção da esfera micro na dimensão macro, as atualizações e ressignificações do local e do regional diante das injunções produzidas pela dinâmica do global, como também apreender os processos e as tramas que singularizam as histórias do local e regional, e o espaço de negociação estabelecido pelos seus atores sociais instituídos nacionalmente.

“Cada capítulo é redigido por um professor de estado diferente. Quem se aproxima mais, na questão do espaço, somos Suzana Cavani, Manoel Nunes e eu. Mesmo assim, cada um de uma universidade diferente. Temos pessoas de Minas Gerais, Rio de Janeiro, Piauí, Ceará, Paraíba. Esse é o maior diferencial do nosso livro: abarca as mais diversas províncias dispersas no Brasil dos Oitocentos,” pontua o professor.

Intitulado Dois “velhos companheiros” das Cortes de Lisboa: os pedidos de favor do padre José Martiniano de Alencar a Pedro de Araújo Lima (Marquês de Olinda), o artigo se debruça na análise de uma carta que o professor encontrou no Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), no Rio de Janeiro.

“É um documento inédito, onde o padre José de Alencar, pai do romancista José de Alencar, pede um favor ao Marquês de Olinda. Como a carta não poderia mais ser vista, pelo estado em que está, desgastada pelo tempo, encontrei a oportunidade de publicá-la, na íntegra, dentro de um estudo maior sobre as relações do Marquês de Olinda, que era pernambucano, com a política. Como a minha pesquisa, na Unicap, envolve a política e o tráfico de escravizados para o Brasil, a publicação é parte dos resultados que devem ser obtidos”, explica o professor a partir das cartas trocadas entre esses políticos e inventários post-mortem, acondicionados no Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP).

Hoje, trabalham com o professor quatro alunos do Programa Institcional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic). “ Os alunos garimpam nomes em listas de dívidas que aparecem nos inventários. Muitas das vezes, conseguimos encontrar cartas trocadas entre esses sujeitos que trabalham em perspectiva atlântica”, completa Paulo Cadena.

O historiador ainda ressalta que sua “maior inspiração é o professor Marcus Joaquim Maciel de Carvalho, um dos maiores pesquisadores da escravidão, na atualidade. Foi meu orientador de mestrado e doutorado. Um investigador com uma sensibilidade incrível para perceber os rastros deixados nos documentos. Ele é inspiração para muitos dos jovens estudantes que temos em formação na área de História. Além de grande historiador, é excelente escritor.”

O pesquisador Paulo Cadena tem outras publicações como o livro Ou há de ser Cavalcanti, ou há de ser Cavalgado – trajetórias políticas dos Cavalcanti de Albuquerque. Pernambuco, 1801 – 1844. Depois, saíram outros artigos, sendo um deles publicado junto com Marcus Carvalho intitulado A política como ‘arte de matar a vergonha’: o desembarque de Sirinhaém em 1855 e os últimos anos do tráfico para o Brasil“, lançado em 2019.

O livro Política e Sociedade no Brasil Oitocentista pode ser encontrado com os autores. a obra será lançada em formato digital em breve.

 

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