Pesquisadores da Unicap compartilham experiências internacionais

As vivências de professores da Unicap em pesquisas desenvolvidas em universidades estrangeiras marcaram a aula inaugural do semestre letivo da Pró-reitoria de Pesquisa e Pós-graduação. O evento intitulado Nosso Campus é o Mundo: experiências de uma Universidade Sem Fronteiras reuniu cinco doutores que participaram ou participam de estudos em instituições de Portugal, Estados Unidos e Canadá. Eles relataram as etapas de preparação e suas produções para estudantes e docentes de programas de pós-graduação que estiveram no auditório G1 na tarde desta segunda-feira (11).

“A gente precisa valorizar as experiências dos professores da Casa que têm investido tempo na sua carreira acadêmica também a partir de programas e de projetos de internacionalização”, destacou a Pró-reitora de Pesquisa e Pós-graduação da Unicap, Profª Drª Valdenice José Raimundo, ao fazer a abertura da atividade. A mesa foi composta por professores doutores de programas de pós-graduação da Católica, Carmem Barreto (Psicologia Clínica); Glauco Salomão e João Paulo Allain Teixeira (Direito); e Juliano Domingues (Indústrias Criativas). Gustavo Santos, também de Direito, enviou um vídeo direto do Boston College contando sua experiência. “O ambiente é muito rico, trocas de informações e de culturas”, disse ele ao mencionar o convívio com visiting scholars da China, Vietnã, Coreia do Sul e Japão.

O primeiro a falar foi João Paulo Allain, que desenvolve um estudo pós-doc sobre Direito e Descolonialidade no Centro de Estudos Sociais (CES) da Universidade de Coimbra. Segundo ele, a instituição formou boa parte da elite judiciária nacional na época do Brasil Colônia. Outras curiosidade diz respeito à cidade de Coimbra, que tem população de aproximadamente 100 mil pessoas. “Vinte e cinco por cento da população são de alunos da universidade, tudo na cidade gira em torno da universidade”, disse Allain.” O CES funciona vinculado a um laboratório multidisciplinar da faculdade de economia, mas é um centro que preza pela interdisciplinaridade, pelo diálogo com diversos saberes”, disse o professor ao mencionar parceria entre o Programa de Pós-graduação em Direito (PPGD) e o CES.

Na sequência, Carmem Barreto relatou o que vivenciou nos três meses que passou no Instituto de Investigação e Formação Avançada (IFA) da Universidade de Évora. Ela pesquisa a interface entre Psicologia e Filosofia a partir da Fenomenologia de Martin Heidegger. Carmem descobriu afinidade com a pesquisadora lusitana Maria Irene Borges. “Ela é coordenadora oficial da tradução das obras de Heidegger para o português. É muito complicado entender porque a tradução implica numa hermenêutica. Nem sempre as pessoas conseguem passar o sentido que o autor está querendo apresentar. Então, além de filósofa, ela fala fluentemente alemão”. Carmem informou ainda que existe um acordo de cooperação entre o Programa de Pós-graduação em Psicologia Clínica e o IFA válido até 2020, podendo ser renovado por mais três anos. Tudo isso pensando em atividades que concretizem uma colaboração. É uma internacionalização que está se firmando”, disse Carmem que está orientado uma doutoranda sanduíche. “Eu voltei e ela ficou lá para concluir o semestre. Estamos batalhando uma co-tutela”.

Glauco Salomão passou um semestre letivo na Universidade de Toronto. Ele destacou que a tradição das universidades americanas e canadenses tende a ser mais formal quando se trata de visiting scholar. O contato prévio com o orientador sobre o projeto de pesquisa e a posterior aprovação no colegiado são essenciais para dar sequência às etapas de preparação. “Há toda uma estrutura na Universidade de Toronto que cuida dessa parte burocrática para todas as áreas”. Glauco pesquisa os diálogos institucionais e o papel do judiciário nas democracias contemporâneas, a relação com governos e parlamentos. Além de Toronto, ele fez contato com pesquisadores da Califórnia mas optou pela canadense por ser uma instituição pública e também pela extensão do acervo bibliográfico. “É algo impensável quando se compara ao que se tem no País (Brasil) em termos de acesso à bibliografia e periódicos de várias nacionalidades”.

Reprodução do vídeo

Já Juliano Domingues contou como foi sua experiência como Visiting Scholar na Tulane University, em New Orleans (Louisiana). O coordenador do mestrado em Indústrias Criativas, que é jornalista e cientista político, é pesquisador na área de mídia, política e democracia. Ele foi selecionado a partir de um edital da Fundação Fulbright. “Em 2015, eu fiz uma vista à universidade e já vinha conversando com o professor que é chefe do departamento de Comunicação (o brasileiro Mauro Porto) e fiquei atento à possibilidade de ir como pesquisador. Todos os anos, esse edital (da Fundação Fulbright) é divulgado e tem uma categoria que é a de Jovem Doutor, que é para quem defendeu (a tese) nos últimos dez anos”. Juliano desenvolveu pesquisa de mensuração da concentração de mídia na América Latina no Stone Center, considerado o maior centro de estudos latino-americano dos Estados Unidos. A bolsa teve financiamento do Departamento de Estado Americano.

No encerramento, a Pró-reitora de Pesquisa e Pós Graduação ressaltou o apoio institucional aos pesquisadores e a consolidação da internacionalização da Universidade. “Inclusive nós temos um grupo de trabalho (GT) que organizou o plano de internacionalização não só da pós mas de toda a Universidade. Esse GT pensa toda a política de internacionalização da Unicap e nós contamos com os professores que tiveram essas experiências nessa construção”, disse a Profª Drª Valdenice José Raimundo.

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