Pesquisa com participação de professores da Unicap destaca a importância do lockdown para salvar vidas em Pernambuco

A adoção de medidas mais restritivas pelo Governo de Pernambuco no isolamento social, no combate à proliferação da Covid-19, também conhecida pelo termo em inglês lockdown, pode salvar até 4.098 vidas no estado. Este número faz parte dos resultados da pesquisa intitulada Lockdown e óbitos em Pernambuco, com projeções até o dia 30 de junho deste ano. Os cenários foram projetados com colaboração de três instituições de ensino superior: o Departamento de Ciência Política da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), a Universidade Federal de Alagoas (UFAL) e o Mestrado Profissional em Indústrias Criativas da Unicap. Da Católica, colaboraram o coordenador do mestrado, Juliano Domingues, e o professor Breno Carvalho.

Os pesquisadores trabalharam com três cenários a partir da não adoção do lockdown – medidas mais restritivas de circulação de pessoas e veículos como forma de conter a disseminação do coronavírus. No primeiro cenário, a média seria de 33 vidas preservadas por dia, totalizando 1.466 mil mortes a serem evitadas até o dia 30 de junho. O segundo cenário teria a possibilidade de preservar 63 vidas por dia, totalizando 2.782 mortes no mesmo recorte temporal. Já o último cenário, com a adoção das medidas restritas, seriam poupadas, em média, 93 vidas por dia, em um total de 4.098 mil mortes evitadas.

O estudo, que tem 95% de nível de confiança, partiu de alguns pressupostos da realidade social do estado de Pernambuco, lembrando que as medidas restritivas foram adotadas apenas nas cidades de Recife, Olinda, Jaboatão dos Guararapes, Camaragibe e São Lourenço da Mata. Juntas, essas cidades são responsáveis por 77% dos diagnósticos e 68% das mortes por Covid-19.

De acordo com o coordenador do Mestrado em Indústrias Criativas, o Prof. Dr. Juliano Domingues, o estudo demonstra a importância do isolamento social como a medida mais eficaz no combate à proliferação e a preservação de vidas no combate ao coronavírus. “O que o estudo diz é que o lockdown importa. Ou seja, que o lockdown tem o poder de fazer a diferença, de preservar vidas, sejam 1.4 mil vidas ou seja 4 mil vidas. Independentemente do cenário apresentado, a conclusão geral do documento é que o lockdown importa”.

Segundo ele, a ideia é que o grupo de pesquisadores crie um site com atualização constante sobre os números da pandemia. “A ideia é continuar com esse monitoramento, com divulgação semanal de boletins, que a gente está na produção dessa comunicação visual e também colocar isso em um site. A ideia é que o site seja atualizado semanalmente”.

Juliano Domingues também é professor do curso de Jornalismo da Unicap

Os pesquisadores, para realizarem estas três projeções, avaliaram que o distanciamento social em Pernambuco deve girar em torno de 50% ou menos e que, em média, o distanciamento social será menor em bairros mais economicamente vulneráveis. Outro ponto importante é que a disseminação da Covid-19 no interior do estado vai aumentar a subnotificação dos casos e influenciar na mortalidade pelo novo coronavírus (causas conexas e por causas não identificadas). Além disso, quanto menor o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), maior será a mortalidade, o que deve se refletir em maior fatalidade em bairros/cidades mais vulneráveis. Por fim, um pressuposto preocupante: os usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) deverão encontrar a rede de saúde suplementar sobrecarregada.

Intenções – Os pesquisadores tiveram dois objetivos ao realizarem o estudo. O primeiro foi subsidiar decisões governamentais nas políticas públicas. O segundo foi ampliar o conhecimento científico, produzido pelas universidades, para a sociedade. “A ideia desse grupo é trabalhar política com evidência, produção de conhecimento para subsidiar as tomadas de decisão em políticas públicas. Esse é um dos propósitos desse grupo de estudo, que em função das circunstâncias, está voltado para a Covid-19”, destacou Juliano, que também é professor da graduação em Jornalismo da Unicap.

“Ao mesmo tempo, também é nossa intenção publicizar esses estudos, torná-los mais próximo possível da sociedade. A gente não só procura subsidiar os atores nas tomadas de decisão dos atos públicos, como também torná-los conhecidos nos meios de comunicação”.

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