Núcleo de Inclusão e Acessibilidade da Unicap promove roda de diálogo com Manoel Aguiar

Foto: imagem de Manoel Aguiar na frente do auditório.

O Núcleo de Acessibilidade e Inclusão da Universidade Católica de Pernambuco recebeu, na tarde desta quarta-feira (13), uma das figuras mais conhecidas de Pernambuco na luta pela inclusão das pessoas com deficiência. Manoel Aguiar participou de uma roda de diálogo no auditório Dom Helder Camara.

Manoel é analista de sistemas aposentado da Chesf. Há quarenta anos, ele milita pela defesa e inclusão das pessoas com deficiência. Ao longo de sua trajetória,  fundou e presidiu diversas instituições públicas e governamentais entre elas a Associação Pernambucana de Cegos e a Superintendência Estadual das Pessoas com Deficiência (Sead).

O bate-papo foi conduzido pelo professor do curso de Direito e integrante do grupo, Mateus Costa que começou perguntando sobre o início da trajetória do convidado na área da inclusão. “Em 1975, eu estava fazendo um curso de programação de computador para cegos lá em São Paulo e conseguimos, junto à Rádio Bandeirantes, a primeira campanha, que tenho registro, ‘empregue uma pessoa com deficiência em sua empresa’. Foram três meses de campanha pela Rádio Bandeirantes FM”.

A imagem mostra o professor Mateus gravando a conversa com celular ao lado de Manoel sentados em cadeiras vermelhas. De frente para eles, o usuário de cadeira de rodas Iremar, que atua junto aos movimentos sociais de inclusão.

Em outubro de 1981 (ano escolhido pela ONU como sendo o Ano Internacional das Pessoas com Deficiência), Manoel trouxe para o Recife o 1º Congresso Brasileiro de Entidades de Pessoas Portadoras de Deficiência (na época, usava-se este termo). O evento aconteceu no Centro de Convenções de Pernambuco, reunindo 700 pessoas.

“Pra mim, foi fundamental perceber o mundo e perceber a diferença, a singularidade das pessoas. Foi muito representativo e forte, ver pessoas com carrinho de rolimã, macas, muletas, sem perna, cegos, surdos, com diferença intelectual…e aí você olha para aquilo tudo e descobre que é gente e que as pessoas não viam como gente…e até hoje não vê”.

Manoel também relembrou o Movimento pela Emancipação da Pessoa Portadora de Deficiência de Pernambuco, “que juntava movimentos, sindicatos, professores lá no Cecosne. E aí gente discutia no grupão a inclusão. Nossa percepção ainda era muito marcada pelo assistencialismo”.  A iniciativa contribuiu para a criação do Conselho Estadual de Apoio à Pessoa Portadora de Deficiência. “O primeiro conselho em que havia pessoas ‘com deficiência’ participando”. Em 1985, segundo Manoel Aguiar, a Prefeitura do Recife criou o Programa de Atendimento à Pessoa com Deficiência.

Imagem do professor Mateus gravando a conversa.

No ano 2000, Manoel assumiu a Coordenadoria Estadual da Pessoa com Deficiência e a transformou em Superintendência, a chamada Sead. “Mais uma vez a vida me deu uma oportunidade bela. Eu cheguei num local onde as pessoas tinham uma visão assistencialista e eu vinha da Chesf, sou aposentado, tinha uma visão administrativa e as pessoas começaram a discordar. Aí nasce a Superintendência Estadual da Pessoa com Deficiência”.

Entre as ‘marcas’ de sua gestão, ele destacou a Semana Estadual da Pessoa com Deficiência. A primeira edição aconteceu na Praça do Carmo, Centro do Recife. “Fizemos um ‘auê’ naquela praça, colocamos palco, shows, barracas, passeata. Fomos à escolas públicas pra dizer: nós existimos! Nós estamos aqui, nós somos gente!”

Quando questionado sobre como fazer inclusão nos dias de hoje, Manoel foi categórico. “Inclusão é um exercício de prática. Nós não temos essa cultura, nós temos que mudar nossa cabeça. Muda com o teu olhar no mundo”. Ele categoriza a inclusão em três momentos: a conseguida, a permitida, “que foi aquela que deixaram a gente viver” e a compulsória: “É a lei, mas isso pra mim não é inclusão, é um passo para a inclusão. A inclusão deve ser consensualizada e partilhada. O mundo é para todos, eu não posso me excluir do mundo em hipótese nenhuma. Eu sou gente!”

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