Licenciatura em História desenvolve metodologia inclusiva de ensino

Os alunos da Licenciatura em História estão vivendo uma experiência marcada pela inclusão. Eles criaram mapas especialmente para serem lidos por pessoas cegas. Desta forma, os assuntos das aulas são trabalhados por meio de textos com o suporte de mapas em alto-relevo. No caso do Brasil, cada estado ganhou uma textura diferente e as legendas são escritas em Braille. Tudo é feito com material emborrachado e cola colorida.

A metodologia é adotada há anos pelo Prof. Dr. Luiz Carlos Luz Marques “Em todas as ocasiões em que alunas e alunos entraram no curso apresentado algum tipo de limitação (visual, auditiva, motora etc.), houve um esforço, por parte dos docentes e funcionários, de acompanhá-los de perto”, enfatiza o professor. Ele conta ainda que a experiência repercutiu no meio acadêmico. “Em 2009, os mapas feitos pelos alunos se transformaram num case científico durante o congresso da Associação Nacional de Professores Universitários de História (Anpuh)”, contou Luz Marques.

Eis que o método inclusivo segue atual e vem sendo aplicado na turma do 1º período deste semestre 2018.2. A reportagem acompanhou uma das aulas que tratava dos parques e sítios arqueológicos brasileiros. A turma fez dois mapas, um do Brasil e o outro do Nordeste, especialmente para o aluno Mateus Bezerra Jerônimo. Aos 20 anos, ele enxergou um mapa pela primeira vez.

“É uma sensação ótima descobrir a localização geográfica de cada estado. Só falando não dá para assimilar. É um modo novo de enxergar porque geralmente não há essa possibilidade de tocar. Essa metodologia é algo libertador por essa possibilidade de ver”, disse Mateus durante a leitura do mapa do Nordeste.

Entre os amigos da turma, a experiência despertou o altruísmo. “É uma experiência muito rica porque faz a gente refletir sobre esse sentimento de empatia, de se colocar no lugar do outro, de reparar a dificuldade que ele encontra. É uma experiência única”, disse Celly Monike da Silva Nascimento.

“É uma experiência incrível porque trabalha tanto a questão da inclusão social como também faz a gente aprender. Seremos professores e temos que trabalhar isso desde cedo. Não é só Mateus que apresenta essa condição. No futuro vamos encontrar outros, então é um aprendizado não só para o agora, mas também para a nossa vida”, comentou Gerardo Magela ao refletir sobre o papel dessa metodologia em sua formação.

“Para a formação de futuros professores é essencial despertar, desde o início da licenciatura, para as tantas possibilidades que a criatividade, aliada ao rigor científico, abre para integrar os alunos e despertar interesse. Para mim, o uso das novas tecnologias de comunicação, voltado para o ensino, unido à criatividade e ao trabalho em equipes representa uma “lufada de ar puro”, um momento de rejuvenescimento”, afirmou o professor Luiz Carlos.

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