Instituto Humanitas Unicap faz ação solidária junto ao povo Pankararu

Com informações de Artur Peregrino – Instituto Humanitas Unicap

Logo após  a divulgação do resultado das eleições de 2018, a comunidade Pankaruru teve a escola, o posto de saúde e a igreja de uma aldeia incendiados. O ato criminoso motivou professores, alunos e funcionários ligados ao Instituto Humanitas Unicap – Grupo Amigos no Caminho – e à disciplina Humanidade e Transcendência do curso de Letras, a fazerem uma ação solidária nos dias 15 e 16 de junho de 2019.

O povo Pankararu vive entre as serras e brejos no sertão pernambucano, próximo às margens do Rio São Francisco. O território Pankararu é estimado em 15.926 hectares e ocupa áreas dos municípios de Tacaratu, Jatobá e Petrolândia. “Existem cerca de 8.000 Pankararus vivendo nesse território, mas há uma diáspora. Muitos estão deixando esses territórios”, conta o professor Artur Peregrino.

“Apesar de demarcada a terra, muitos posseiros se recusam a receber a indenização e sair da área indígena, sem contar que essa relação entre índios e não índios é conflituosa desde o início, uma vez que os posseiros ocupam as melhores, se não as únicas, áreas disponíveis para a agricultura”, relata Artur.

Se antes se vivia quase exclusivamente do trabalho na roça, da coleta e da caça no mato, hoje os Pankararus estão buscando novas oportunidades de geração de renda para a comunidade, a exemplo de projetos de produção de mudas de reflorestamento. A participação no Projeto Gestão Ambiental que tem desenvolvido experiências agroecológicas tem sido uma experiência de muito sucesso. Muitos indígenas Pankararu resolveram estudar, inclusive concluindo cursos de pós-graduação como mestrado e doutorado. Na aldeia Riacho dos Padres, o indígena João Pankarau é pai de duas ex alunas da Unicap já graduadas: “Tenho duas filhas que fizeram universidade no Recife. Já terminaram. Estudaram na Universidade Católica. Uma terminou Administração e outra Fisioterapia. É uma benção para o povo Pankararu”.

Contam os mais velhos que muito antes do reconhecimento pelo Estado brasileiro, a terra indígena Pankararu já tinha sofrido grande redução de sua área original. Nesse processo, foram muitas as atrocidades, muitas perdas. A língua materna foi uma delas e as palavras que restam não formam um vocabulário suficiente. Mas a resistência do povo Pankararu fez com que conseguisse reconquistar a terra. No dizer da liderança Vasco Sarapó “o sangue e o sonho de nossos antepassados permanecem em nós. Apesar dos galhos terem sido cortados, seus frutos roubados e até seu tronco queimado, as raízes estão vivas e ninguém pode arrancá-las”.

O povo Pankararu tem suas festas e rituais. A Festa do Imbu, também chamada de corrida do Imbu, é um dos eventos mais importantes desta tradição. Ela acontece uma vez por ano seguindo o ciclo da safra do imbu, fruto de especial significado para a alimentação e mitologia Pankararu. Cada povo indígena tem suas lutas, festas e rituais.

A cada ano, as comunidades do Rio Grande do Sul celebram o aniversário do martírio do índio Sepé Tiaraju. Sempre acontecem Romarias da Terra no extremo sul do Rio Grande em memória dos mártires. A alma do povo gaúcho vibra quando lembra as comunidades indígenas guaranis dos Sete Povos das Missões, particularmente o grande chefe Sepé, que o povo carinhosamente invoca como São Sepé Tiaraju. Há séculos, o povo o considera São Sepé. Só agora, com o Papa Francisco, o Vaticano acolheu o pedido para reconhecê-lo como santo católico. Como a palavra católica significa universal São Sepé tem uma amplitude própria do Espírito Divino que se manifesta presente nas culturas.  

“O Povo Pankararu nos dá um grande testemunho. Depois de tantos séculos de resistência a tantas violências e perseguições, a fidelidade dos povos indígenas à unidade da comunidade, à preservação de suas culturas de origem e a profunda comunhão com a mãe Terra e a natureza se tornam para os cristãos um verdadeiro testemunho. Que o aprendizado vivido junto aos indígenas nos tornem mais humanos e buscadores de uma espiritualidade cada vez mais inclusiva”, completa Artur.

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