Exposição reúne objetos antigos encontrados dentro de livros doados à Biblioteca Central da Unicap

Mais do que conhecimento, os livros podem guardar objetos de grande valor afetivo para seus leitores. É o que revela a exposição Memória e Esquecimento: fragmentos nos livros em cartaz  até 27 de outubro. A mostra foi elaborada a partir de material encontrado dentro de exemplares doados à Biblioteca Central da Unicap. São cartas, bilhetes, cartões postais, dinheiro antigo, fotografias, slides, negativos, artigos de jornais e até plantas esquecidos em meio às páginas.

Foi de uma rosa desidratada que o bibliotecário Pedro Manoel teve a ideia de começar a guardar o material juntamente com os colegas da Biblioteca. A mostra é resultado de uma seleção feita a partir de 1.429 objetos encontrados ao longo de oito anos. Entre as relíquias sentimentais estão folhas de uma roseira da terra natal de São Francisco, a cidade italiana de Assis.

“Os devotos dizem que ele se jogava nas roseiras para a remissão dos pecados e elas paravam de criar espinho”, conta Pedro. Há outros achados religiosos como um cartão de orações de Santa Teresinha contendo um fragmento de tecido que se acredita ter sido usado por ela. O mesmo ocorre com o santo jesuíta Francisco Gárate Aranguren, que atuou como enfermeiro na Universidade do Deusto, na Espanha.

Entre os artefatos que compõem a exposição, há objetos que ajudam a contar a história dos 75 anos da Universidade Católica de Pernambuco, completados no último dia 27 de setembro. É o caso do folder da 1ª Semana de Educação Moral e Cívica da Unicap datada de 1974. Os temas que pautavam a sociedade da segunda metade do século passado podem ser revistos nos artigos de jornais escritos por especialistas de várias áreas de fé católica como o controle artificial da natalidade.

Passeando pela exposição, é possível ver bilhetes com troca de juras de amor entre namorados. “Eles têm o poder de brincar com o imaginário de quem observa”, disse Pedro ao se referir a comentários de visitantes sobre possíveis triângulos amorosos presentes nas histórias. Há outros objetos exóticos como ingressos para o Fantasma da Ópera na Brodway, passagens aéreas para Paris ao lado de passes estudantis. “Na montagem, fizemos questão de estabelecer esses contrapontos”, explica Pedro que assina a curadoria.

Cartões postais de 1959, correspondências endereçadas a padres, 25 cartas e 20 envelopes, marcadores de páginas em couro (um deles italiano), cheques e até duplicatas bancárias também fazem parte do acervo. “São peças de valor sentimental de memória para as pessoas donas desses livros que passaram por suas memórias e em seguida foram esquecidas. Se alguém identificar os donos, a gente devolve porque nada disso foi doado e sim esquecido”, diz Pedro.

O aluno Vinícius Augusto visitou a exposição mais de uma vez

Desde a inauguração, 170 visitantes assinaram o livro de presença e teve gente que fez questão de deixar depoimentos ao lado das assinaturas. “Sensacional”, colocou Elisabeth Carvalho. “Exposição linda e cheia de lembranças”, registrou Letícia Melo. “Excelente iniciativa, adorei acessar as memórias e sentimentos de outros seres”, escreveu um visitante de assinatura ilegível.

“Conseguir resgatar esses objetos que tinham valor para seus donos, mas que foram esquecidos é uma proposta muito legal. É muito interessante resgatar essas memórias e esquecimentos que se ligam a esses livros”, disse o estudante Vinícius Augusto, aluno do 8º período do curso de Filosofia.

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