Encontro analisa atuação das agências de comunicação corporativa em tempos de convergência digital

A atuação das assessorias de comunicação em tempos de convergência digital marcou a abertura do 6° Encontro Estadual de Jornalistas de Assessorias de Comunicação. O tema foi debatido pelo presidente da Associação Brasileira das Agências de Comunicação em São Paulo (Abracom – SP), Carlos Carvalho, e pelo diretor do Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco (Sinjope) Osnaldo Moraes. A mesa foi presidida pela jornalista e professora da Unicap, Andrea Trigueiro.

De acordo com Carlos, o setor de comunicação corporativa gera aproximadamente 15 mil empregos somente nas agências, sem contar com os profissionais que atuam nas próprias empresas. O seguimento  faturou no ano passado R$ 2,3 bilhões.  Outros dados apresentados por ele revelam que 57% dos profissionais de agência de comunicação são jornalistas por formação, seguidos de relações públicas (10%),  publicitários (8%), administradores de empresas (5%) entre outros profissionais.

Ele também esboçou um breve histórico de como este segmento de mercado se configurou no Brasil. “Com o fim da ditadura, as empresas descobriram a necessidade de se relacionar com a imprensa. Passaram a contratar profissionais de redação por eles entenderem como funcionavam os veículos e o timing. Muitos profissionais foram atraídos pelos salários mais altos, carros do ano, finais de semana garantidos sem plantões”.

Mas os novos hábitos de consumo surgidos a partir da revolução digital têm provocado mudanças cada vez mais complexas e profundas na área de comunicação. Carlos ressaltou que a publicidade tradicional, que financia o jornalismo profissional, vem enfrentando dificuldades nessa fase de transição alterando os modelos de negócio. Mas ele não vê o cenário como ameaça e sim como uma oportunidade. “A comunicação é o maior ativo que uma empresa tem para se manter atuando. Ela precisa se relacionar com o cliente para continuar vendendo”.

Essa reinvenção do jornalista que atua em agências de comunicação tem muito a ver com as mudanças de audiência. Carlos apresentou dados da Pesquisa Brasileira de Mídia 2016 encomendada pela Secretaria de Comunicação da Presidência da República ao Ibope. A Internet já é o segundo meio mais demandado por quem procura se informar. A TV aberta ainda segue na liderança, mas já perdeu uma vantagem significativa. O Rádio apresentou crescimento enquanto revistas e jornais estão em queda. Ainda de acordo com Carlos, a mídia tem perdido espaço em índices de confiança. “A categoria que está no topo é a de ‘pessoas como eu’, isso significa dizer que o público confia mais naquelas pessoas que têm hábitos em comum, preferências pela mesma marca, etc”, disse ele ao se referir ao público das redes sociais.

Prof. Juliano Domingues é presidente do Sinjope e coordenador do Mestrado em Indústrias Criativas da Unicap

Para Carlos, essa nova ordem tende a favorecer à comunicação corporativa desde que os profissionais tenham habilidades em gerar relacionamentos duradouros com todos os públicos da empresa; domine a organização e distribuição de conteúdos para quem vai realmente prestar atenção; promova o diálogo e interação nas redes sociais sem abandonar os canais tradicionais. “Temos que ter a capacidade de entender o ambiente de negócios, saber como se posicionam os concorrentes daquela marca e propor soluções de relacionamento com os seus públicos”.

Ele finalizou a apresentação traçando um pouco do perfil profissional exigido por este segmento de mercado ao jornalista. “É preciso ter cursos complementares, entender um pouco de psicologia comportamental, relações de consumo. Essas habilidades aliadas à formação de jornalista são muito bem-vindas neste setor”.

O 6º Encontro Estadual de Jornalistas de Assessorias de Comunicação é uma realização do Sinjope e Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), com apoio da Abracom, Unicap e Governo de Pernambuco.

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