Encerramento da 17ª Semana da Mulher na Unicap aborda raça, gênero e criminologia: o controle social das mulheres negras

O encerramento da 17ª Semana da Mulher na Unicap foi marcado por uma mesa de debates que abordou Raça, Gênero e criminologia: o controle social das mulheres negras. O tema foi discutido pelas professoras e pesquisadoras de Direito Naila Ingrid Chaves Franklin, da Fundação de Ensino Superior de Rio Verdade (Fesurv); Fernanda Frizzo Bragato, da Universidade do Vale do Rio Sinos; e pela advogada Fernanda Lima da Silva que defendeu dissertação na linha de pesquisa Sociedade, Conflitos e Movimentos Sociais, na Universidade de Brasília.

O debate teve a mediação da Pró-reitora de Pesquisa e Pós-graduação da Unicap, Profª Drª Valdenice José Raimundo. Pouco antes, o grupo cultural Cordão de Bruta Flor recebeu o público ao som do maracatu. O evento foi transmitido ao vivo pela página do Instituto Humanitas Unicap (IHU) no Facebook.

Naila abriu as explanações dedicando sua fala à vereadora Marielle Franco. Baseada em sua pesquisa no mestrado da UnB, ela falou sobre a posição das mulheres no contexto estruturante a partir de uma perspectiva crítica da criminologia. Naila explicou que o controle social é uma categoria da Criminologia que pode ser classificada em Formal e Informal. “É uma categoria que se relaciona com as relações de poder”. Ela se utilizou desta categoria para mensurar diferenças entre homens e mulheres no sistema prisional entre outros aspectos.

Na sequência, a mestra em Direito Fernanda Lima abordou o contexto racial e feminino no processo de formação das cidades brasileiras. “A cidade no Brasil ela é necessariamente uma cidade negra e a cidade negra é necessariamente uma cidade das mulheres porque é quem dá vitalidade e as sustenta são efetivamente as mulheres negras”.

A perspectiva histórica também foi o tom da abordagem de Fernanda Frizzo. Coordenadora do programa de Pós-graduação em Direito da Unisinos, ela é professora visitante da Fulbright na Cardozo Law School, além de ser coordenadora do Núcleo de Direitos Humanos da Unisinos. Frizzo falou sobre duas notórias feministas a partir de textos escritos nos séculos XVIII e XIX. O primeiro deles se chama Uma Reivindicação dos Direitos da Mulher, escrito pela britânica Mary Wollstonecraft e o outro intitulado E eu não sou uma mulher? de autoria Sojourner Truth. Esse texto faz parte de um famoso discurso da ativista americana feito na Convenção dos Direitos das Mulheres em Ohio.

Ao final de sua fala, Frizzo também mencionou Marielle Franco. “Ela está morta porque é uma mulher negra que ousou ocupar espaços políticos importantes dentro do Estado e da Sociedade, mas por outro lado ela é hoje o personagem político mais importante desse país. Vivemos tempos de retrocesso, mas é um sinal de que existem pontos disruptivos importantes dentro desses espaços de luta”.

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