“Dois Dedos de Prosa” com Mia Couto na Católica

Com reportagem de Júlia Farias e Tayná Chagas

O auditório G2 da Universidade Católica de Pernambuco ficou lotado, na manhã desta quarta-feira (17), durante a primeira edição do projeto Dois Dedos de Prosa. A estreia não poderia ter sido em melhor estilo. O convidado foi o escritor e biólogo moçambicano Mia Couto. A iniciativa é fruto de parceria entre o curso de Letras e o Programa de Pós Graduação em Ciências da Linguagem da Unicap (PPGCL). Antes do bate-papo com Mia, o Reitor, Prof. Dr. Pe. Pedro Rubens, e a Pró-reitora de Pesquisa e Pós-graduação, Profª Drª Valdenice José Raimundo, deram as boas vindas.

Os encontros literários Dois Dedos de Prosa nascem com o propósito de ser um espaço de diálogo entre o autor de literatura e a recepção de suas obras. Pretendem ser, também, um ambiente de reflexão teórico-metodológica e de discussão de temáticas importantes para a teoria literária e as Ciências da Linguagem, bem como um incentivo de práticas de leitura e do prazer do texto. A cada edição haverá um autor ou personalidade literária que possa apresentar e propor questões ligadas à sua obra e suas respectivas implicações culturais.

Fotos: Carla Siqueira

Mia Couto possui uma obra literária extensa e diversificada, incluindo poesia, contos, romance e crônicas. E o escritor moçambicano mais traduzido da história. Suas obras estão presentes em 24 países. Seu romance Terra Sonâmbula é considerado um dos doze melhores livros africanos do século XX. Entre os diversos prêmios literários que recebeu, está o Camões em 2013, um dos mais importantes da língua portuguesa. Mia também ganhou o Neustadt International Prize, em 2014, pelo conjunto da obra. Ele e o poeta pernambucano João Cabral de Melo Neto, premiado em 1992, são os únicos escritores laureados que escreveram em língua portuguesa. Em 2015, Mia foi indicado para o Man Booker International Prize.

A mediação do debate de hoje (17) ficou a cargo do Prof. Dr. Pe. André Araújo. Ele é doutor e mestre em Letras e Estudos Literários pela Universidade Federal de Minas Gerais, além de graduado em Letras-espanhol pela UFMG e em filosofia e teologia pelo Centre Sèvres Facultés Jésuites de Paris. O evento foi transmitido ao vivo na página do Facebook da Unicap. Na terça (16) à noite, Mia participou do relançamento seguido de debate de um clássico da literatura nacional: Grande Sertão Veredas, de Guimarães Rosa. O evento (também transmitido ao vivo) foi realizado pela editora Companhia das Letras em parceria com a Unicap e teve mediação do jornalista e crítico literário Schneider Carpeggiani.

Entre o público presente, o sentimento era de felicidade e gratidão pela oportunidade de ter Mia Couto na Unicap. “Nós, de Letras, estamos muito felizes por este presente que a gente recebe na semana de aniversário do curso de Letras, que completa amanhã (18) 76 anos de idade. Gente de outros estados, de outras instituições querendo participar…foi um momento muito interessante pra gente”, disse o coordenador do curso de Letras da Unicap, Prof. Dr. Antônio Henrique Coutelo.

“É uma emoção muito grande, uma oportunidade única para a gente que gosta de literatura e, sobretudo, de língua portuguesa. Essas discussões não se reduzem a uma cultura. Estou muito emocionada por viver este momento que junta tantos colegas e alunos também”, contou a Profª Drª do PPGCL, Isabela Rêgo Barros.

“Por ser um escritor africano e ele trazer um pouco das questões da África, um continente tão desconhecido pra gente, infelizmente, e que deveria ser mais conhecido por nós devido à ancestralidade. Espero aprender um pouco mais sobre a África, o que ele denuncia, o que ele critica e o que ele expressa através da sua obra”, afirmou a jornalista Ariella Rophe.

“A palestra ultrapassou minhas expectativas. É muito diferente ter contato com o autor. A gente sente que, quando ele reproduz aquela fala de tudo o que a gente viu (leu) dentro dos textos, dos livros dele, ele fala com mais emoção, fala direto com o público”, vibrava a mestranda do PPGCL Ivanise Maia.

“Achei uma palestra maravilhosa. Ele foi bastante explícito e de uma forma carinhosa, meiga. Um autor renomado, reconhecido internacionalmente. A Unicap está de parabéns por trazer um escritor de tanta qualidade”, comemorava a doutoranda do PPGCL Maria José Cavalcanti de Andrade.

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