Coletivo de Acadêmicas Negras promove debate sobre presenças negras na academia

O Coletivo de Acadêmicas Negras, composto por professoras da UNICAP, UFRPE, UFPE, UNINASSAU e ASCES-UNITA, foi idealizado pela professora de Serviço Social da Universidade Católica de Pernambuco e coordenadora do NEABI (Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros), Valdenice Raimundo.

“Temos nos reunido para pensar sobre o nosso cotidiano, pensar formas de enfrentamento ao racismo, compartilhar experiências profissionais. Fizemos o convite para  a juventude que quer acessar esse espaço, e nós vamos contar as nossas histórias entendendo que elas serão importantes para fortalecer esses jovens e estimulá-los a tentar mestrado, doutorado, concurso para professor e ocupar esse espaço”.

O CAN realizou nesta segunda-feira (26) sua primeira atividade: um debate sobre Presenças Negras na Academia. “Hoje a atividade tem como objetivo fortalecer a juventude negra que quer se inserir no espaço da universidade, no mestrado, doutorado, na vida acadêmica, como futuros professores”, comentou Valdenice.

O grupo estava representado por seis mulheres, dentre elas a professora do curso de História da UNICAP Maria Emília, que falou sobre a expectativa com os trabalhos realizados pelo coletivo: “Eu imagino que esse coletivo vai inaugurar um movimento dentro da universidade, criar de forma mais sistemática um espaço acadêmico e também de interação entre as pessoas, para a gente discutir essa transversalidade entre vida cotidiana, vida acadêmica, expor nossas pesquisas e experiências como mulheres negras acadêmicas”.

Já a professora do Centro de Educação da UFPE Auxiliadora Martins contou o que a motiva em participar deste movimento: “Eu parto do princípio de que a universidade brasileira foi pensada por uma elite para atender os interesses dessa mesma elite, deixando o povo preto e pobre do lado de fora dos muros da universidade, o que começou a ser reformulado a partir do ano de 2012, por conta da promulgação da Lei 2711, que é uma demanda histórica dos movimentos sociais negros e que estabelece cotas de 50% pra pessoas pobres e pretas entrarem na universidade, e isso é uma mudança social extremamente importante. Nós estamos aqui porque queremos fortalecer esses jovens, negros e negras”.

Já a professora do curso de Administração Ana Paula falou sobre as motivações dela: “Estou participando desse movimento pela questão que me inquieta, como mulher, como negra, e pela minha própria história de vida. Então, estou aqui para falar um pouco da minha experiência e, de certa forma, dizer aos meus irmãos de cor, de religião, de fé,  que eles têm um espaço dentro da academia, mas que não é fácil. Apesar de todos os caminhos que traçamos para chegar na universidade, dentro da própria universidade, eles sofrem racismo. O caminho é longo, mas sempre tem pessoas para nos ajudar”.

Natalia Diógenes, professora da Uninassau e doutoranda na área de Pscicologia na UFPE, comentou sobre a importância desse movimento e o que ele significa para ela: “Eu acho que esse movimento representa um processo de reverter o lugar no qual a sociedade racista brasileira colocou homens e mulheres negras, a população negra de modo geral. Acho que, nesse momento, a gente vem frisar a importância das presenças negras em todos os espaços. A gente vivencia um racismo que não é a nível comportamental, não é algo que algumas pessoas agem e outras não, mas é um racismo institucional. Ele está atrelado na formação, no histórico social do nosso país e nos atinge a todo momento, em diversos níveis. Eu, por exemplo, sou a única mulher negra na minha turma de doutorado e não é uma questão só de sermos poucas na academia, é uma série de discursos dizendo que a gente não deveria estar ali. Então,  precisamos dizer que esse lugar é nosso por direito. Esse é um momento de denúncia e de fortalecimento”.

A professora da UFPE Flávia Clemente deixou o seu registro da importância dessa unificação e fortalecimento de umas às outras: “Gostaria muito de registrar a felicidade de estar compartilhando esse momento com professoras maravilhosas, todas batalhadoras. Tenho certeza que as nossas histórias vão ter encontros em virtude do racismo e do sexismo que a gente vive na sociedade brasileira, desde sempre”

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