Bacharelado em Teologia realiza programação especial pelos 5 anos do pontificado do Papa Francisco

O curso de bacharelado em Teologia da Universidade Católica de Pernambuco preparou uma programação especial para celebrar os cinco anos do Pontificado do Papa Francisco, comemorado em todo o mundo nesta terça-feira (13). Na Capela da Unicap, houve um momento de ação de graças conduzido pelo professor Padre José Fabrício. Orações foram entoadas em forma de cânticos gregorianos.

Na sequência, professores e alunos se dirigiram ao auditório Dom Helder Camara, onde aconteceu uma mesa-redonda com a participação do Pró-reitor Comunitário e coordenador do Instituto Humanitas Unicap, Prof. Dr. Padre Lúcio Flávio Ribeiro Cirne; do Pró-reitor de Graduação e Extensão, Prof. Dr. Degislando Nóbrega de Lima; e do Padre Valdir Manoel. Cada um deles abordou um aspecto diferente do atual papado.

Degislando falou sobre a eclesiologia, ressaltando o contexto da renúncia de Bento XVI, o conclave que escolheu o então cardeal Bergoglio como Papa e as crises enfrentadas pela Igreja na época. O teólogo recordou a emoção do dia do resultado do conclave, quando desceu com os alunos em direção ao auditório para acompanhar a transmissão pela TV que revelou quem era o novo Papa. Ele também destacou a chamada “eclesiologia do nós” que significa o “caminhar juntos pelo mesmo caminho”.

Ele falou ainda sobre as transformações lideradas pelo Pontífice. “Do ponto de vista eclesiológico, a renovação para o Papa Francisco não significa adequação ao mundo, que na sua avaliação só quer brilho e glamour. Ele critica fortemente esses critérios do mundo. Ele quer renovação que venha da originalidade e da simplicidade apostólica, uma renovação que torne clara a diferença do ser cristão. A fé é um caminho no qual Deus nos acompanha e no qual a Igreja deve seguir com as pessoas”, afirmou Degislando ao citar palavras do Papa Francisco. Outro ponto marcante da eclesiologia analisado pelo professor foi a “centralidade dos pobres na missão da Igreja”.

Logo depois, quem falou foi Padre Lúcio Flávio, que abordou pontos da encíclica Laudato Si, a exemplo dos conceitos de Casa Comum, paradigma criacionista e a Trindade. “Pela primeira vez, um documento pontifício populariza o termo Casa Comum. Um termo aparentemente simples, mas que tem uma densidade e sutileza importantíssimas porque abrange, pela primeira vez, um paradigma ecológico ou socioambiental”.

Ainda de acordo com Padre Lúcio, esse conceito de ecologia integral é um dos elementos principais da Laudato Si. “Quando falamos de meio ambiente, fazemos referência também a particular relação entre natureza e sociedade. Isso impede-nos de considerar natureza como algo separado de nós ou como uma mera moldura na nossa vida. Estamos incluídos nela, somos parte dela e compenetramos. As razões pelas quais um lugar se contamina exige uma análise do funcionamento da sociedade. Lógica da natureza, lógica da sociedade. As duas coisas andam juntas. Dada a amplitude das mudanças, já não é possível encontrar uma resposta específica, independente para cada parte do problema. É fundamental buscar soluções integrais que considerem as interações dos sistemas naturais entre si e com os sistemas sociais. Não há duas crises separadas. Uma ambiental e outra social, mas uma única e complexa crise socioambiental. As diretrizes para a solução requerem uma abordagem integral para combater a pobreza, devolver a dignidade aos excluídos e simultaneamente cuidar da natureza”, disse ao ler um trecho da encíclica.

Padre Lúcio fez colocações sobre o paradigma evolucionista, que analisa a autonomia própria das criações divinas. “Deus, nosso criador, não cria uma criação completamente acabada, finalizada. Deus cria uma criação criadora, uma criação cheia de potencialidades. Quem coloca essa novidade? Quem coloca essas potencialidades? É o próprio criador. Deus faz com o criador com que as coisas se façam como elas se fazem. Ou seja, Deus cria o universo, Deus cria o ambiente com autonomia própria”.

O Pró-reitor Comunitário chama a atenção também para o 5º capítulo do documento papal que relaciona à Trindade com a ideia de respeito à diversidade. “A unidade da Trindade não significa a uniformidade das criaturas. E quando ele aplica isso a questão do desenvolvimento sustentável, o Papa questiona uma forma hegemônica, uma forma uniforme, unilateral e um desenvolvimento imposto por países do Norte que querem que a mesma forma de desenvolvimento se aplique aqui no Brasil ,seja no Sul ou Nordeste, seja na Amazônia. Como é que ficam as nossas populações indígenas? Nossos ribeirinhos e quilombolas, com toda a sua riqueza, com toda a sua cultura? Será que eles têm que aceitar forçosamente um modelo único de desenvolvimento?”

Na sequência, Padre Lúcio finalizou sua participação citando mais uma frase do Papa Francisco na qual ele ressalta que a encíclica não trata de uma simples ecologia verde: “Quem é surdo para escutar o clamor do pobre, também não tem ouvidos para escutar o grito da natureza”.

O último a falar na mesa-redonda foi o Padre Valdir. Ele traduziu algumas homilias da manhã do Papa Francisco lidas em missas que aconteceram na Capela Santa Marta. De acordo com ele, são textos de linguagem coloquial, mas que não são banais ou superficiais. “São questões pontuais sem deixar o todo da Igreja”.

Ainda segundo Padre Valdir, as homilias começaram a chamar a atenção por sua profundidade logo depois da eleição do Papa Francisco. “Nessas homilias estão tudo aquilo em como o Papa está conduzindo a Igreja. É a mente dele, o que ele pensa e ao mesmo tempo aquilo que ele deseja para a Igreja. Nessas homilias da manhã em que o Papa expressamente coloca a sua posição, a sua intenção ou para onde ele deseja que caminhe a Igreja”.

Os trechos de homilias apresentados pelo Padre Valdir abordaram ainda a dimensão do perdão. “Ele fala inúmeras vezes da dimensão da misericórdia, não da misericórdia superficial somente para ser bonzinho, mas do sentido pleno daquilo que a doutrina da Igreja pensa”. Num outro momento destacou a confissão “enquanto encontro com Jesus e não uma lavanderia para se tirar manchas de pecados”. E por último, falou de Jesus enquanto único salvador. “O Papa é enfático: somente Jesus salva, somente ele pode nos salvar. Uma salvação comprometida”.

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