Alunos de Jornalismo da Unicap têm documentários aprovados no FestCine

 

Alunos do 8° período do curso de Jornalismo da Católica tiveram trabalhos aprovados na Mostra de Formação do FestCine – Festival de Curtas de Pernambuco. O festival é realizado desde os anos 2000 pelo Governo do Estado de Pernambuco, por meio da Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Fundarpe). É direcionado à exibição de curtas produzidos no Estado, e é uma oportunidade para jovens estudantes mostrarem seus projetos.

Um desses trabalhos é o documentário Eu sou lamento, que fala dos 30 anos do bloco negro Lamento Negro. Essa instituição tem papel de destaque dentro da comunidade musical de Pernambuco desde a década de 80, com ênfase no surgimento do movimento Manguebeat. Com berço no bairro de Peixinhos em Olinda, o bloco tem grande influência na comunidade, dialogando com temas como o empoderamento do povo negro, questões ligadas as religiões de matriz africana e ações de cunho social.

O Lamento Negro tem presença forte no carnaval da cidade e fomenta eventos durante o ano, como a ‘Noite do Turbante’. O documentário apresenta a influência desse bloco afro dentro da comunidade, no contexto e cenário musical desenvolvido em Pernambuco e em questões sociais no Estado, tanto no passado, quanto no presente. A história foi contada desde o começo através de relatos de personagens fundamentais para a fundação e a consolidação do bloco nesses 30 anos de estrada.

Os relatos contemplaram o surgimento do Lamento Negro, o auge, com a disseminação do movimento Manguebeat, e o momento e estrutura atual. Também foram ouvidos personagens de fora, que acompanharam a trajetória do bloco nos últimos 30 anos das mais diversas perspectivas, desde a produção musical, passando pela comunicação e até mesmo fãs e frequentadores das reuniões da instituição. A produção desse documentário teve início em 2016, mas em 2017 foi adicionada à disciplina de videojornalismo, ministrada pelo professor Ricardo Maia, no 6º período.

 

SERVIÇO

Estreia do Documentário “Eu Sou Lamento”

7 de dezembro, às 19h

Onde: Cinema São Luiz, R. da Aurora, 175 – Boa Vista, Recife.

Entrada Gratuita

Ficha Técnica

Direção: Almir Cunha

Produção: Almir Cunha e Osmair José

Roteiro: Marcela Coutinho e Tyago Bianchi

Edição: Camilla Santos Dias

Fotografia: Antônio Gabriel Machado e Camilla Santos Dias

Créditos: Camilla Santos Dias

 

Outro documentário aprovado foi o Carolinas, sobre mulheres do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST-PE), que enfatiza a questão do enfrentamento à questões que eles se deparam diariamente, como o costume de serem criminalizados, invisibilizados ou abordados fora de seu contexto pela mídia tradicional, fazendo com que o que realmente se passa dentro da organização dos movimentos sociais não tenha espaço na narrativa hegemônica. É justamente no enfrentamento dessa narrativa que o documentário Carolinas: as mulheres da ocupação Carolina de Jesus se coloca um elemento de disputa, trazendo à público as sentidos e aspirações de quatro mulheres que estão na luta pelo direito à moradia: Nalva, Marinete, Maria Andreza e Leleu. O filme tem estreia nesta sexta-feira (7/12), às 18h30, no Cinema São Luiz, durante a Mostra de Formação do FestCine – Festival de Curtas de Pernambuco, com entrada gratuita.

Realizado com o intuito de ser difundido para fins educativos e servir como registro para o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST-PE), o documentário traz relatos das quatro mulheres sobre diversos assuntos, como a violência policial, as vivências na ocupação e o processo de empoderamento experienciado por elas. “Não é fácil a luta. Mas se você se valorizar enquanto mulher, como lutadora, como guerreia, você consegue. É essa a experiência que eu estou tendo”, afirma a ocupante Nalva, em um dos momentos do vídeo.

A ocupação Carolina de Jesus surgiu em fevereiro de 2017 no Barro, Recife, quando cerca de mil famílias decidiram se juntar ao Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST-PE) e ocupar um terreno baldio ao lado do Terminal Integrado do Barro. O terreno, que pertencia ao Governo do Estado de Pernambuco, estava numa situação de ociosidade, sem a função social exigida pela Constituição Federal. O nome da ocupação é uma homenagem à escritora Carolina Maria de Jesus, falecida em 1977, mulher negra, pobre e moradora da periferia de São Paulo.

A produção foi realizada de forma independente pelos estudantes de jornalismo Sofia Lucchesi e André Norões, que assinam, respectivamente, como diretora e co-diretor do curta-metragem. O documentário foi desenvolvido durante a disciplina Técnicas de Captura e Edição para Vídeo, do curso de Jornalismo, com orientação do professor Filipe Falcão.

“Estudando um pouco sobre o assunto, descobri que é comum que as mulheres tenham um papel de destaque nos movimentos sociais de luta pela moradia. Justamente pela ligação que a mulher tem com o lar e o trabalho doméstico, imposta pela sociedade patriarcal e machista em que vivemos, elas acabam sendo as mais atingidas pela falta desse direito constitucional, especialmente as mulheres pobres e negras. Nas ocupações, elas subvertem essa opressão em empoderamento e consciência sobre seu lugar no mundo”, explica Sofia sobre o tema.

O desejo do documentário, desde a pré-roterização, era de se debruçar sobre o potencial desses processos micropolíticos, para além de conquistas “práticas” ou “materiais” do movimento, mas enfatizando as conquistas subjetivas para cada uma daquelas individualidades participantes deste processo. “Trazer a luta feminina e evidenciar as desigualdades de gênero no acesso à moradia, direito básico que atravessa a efetivação de todas as outras políticas públicas, é incentivar a tomada de consciência e autonomia das mulheres”, enfatiza Sofia.

SERVIÇO

Estreia do Documentário “Carolinas”

7 de dezembro, às 18h30

Onde: Cinema São Luiz, R. da Aurora, 175 – Boa Vista, Recife.

Entrada Gratuita

 

Ficha Técnica

Direção: Sofia Lucchesi

Co-direção: André Norões

Fotografia e montagem: Sofia Lucchesi e André Norões

 

A diretora do curta Carolinas, Sofia Lucchesi, produziu também algumas fotos na ocupação:

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