Alunos, professores e funcionários engajados pela vida no Setembro Amarelo na Unicap

Glauce Araújo, formada em engenharia pela Católica, retornou à Universidade, como estudante do 7º período de Psicologia. Segundo ela, sua experiência como engenheira no serviço público ao lidar com as comunidades, em morros e encostas da cidade de Olinda, durante cinco anos, exercitou nela a escuta e o acolhimento ao conviver, com as pessoas simples de comunidades.

De acordo com Glauce, o despertar para ingressar, como estudante no curso de Psicologia, se fortaleceu ainda mais quando seu filho foi diagnosticado com autismo, e a sua convivência com psicólogos e psiquiatras a fez tomar um novo rumo, graças a ele, ela disse. ” A partir daí, eu me mobilizei muito, na formação dele como estudante, e tanto, que ele se formou recentemente aqui pela Universidade em Jogos Digitais”.

Ainda segundo Glauce, que participou junto a outros alunos das atividades de mobilização do Setembro Amarelo na Unicap, iniciadas nos dias, 9 e 10 no térreo do Bloco A, a adesão da comunidade acadêmica e do público em geral, tem sido grande. “A gente está muito feliz, porque estamos propagando, e acolhendo as pessoas que aqui chegam, com propostas e necessidades de esclarecimentos sobre o tema”.

A supervisora do curso de Psicologia da Universidade Católica de Pernambuco, a psicóloga e professora Danielle Leite, também estava presente na mobilização e refletiu sobre as manifestações afetivas, escritas no painel instalado no local.

Expressões como família, bichinhos, Deus, momentos felizes, vida, respondem a uma pergunta: O que te motiva a viver? Para a professora, o significado para essas palavras tem motivações individuais, porém, ela analisa com abrangência, embora tenha reconhecido não ser fácil responder. “A dimensão da particularidade que parte da versão histórica de cada indivíduo, da própria historicidade de cada pessoa, mas de uma forma ou de outra a gente pode pensar que são dimensões que vinculam a pessoa à vida, aos vínculos familiares, amigos, fé, à crença”.

Ainda segundo Danielle, a “intervenção” exposta no Setembro Amarelo propõe um diálogo e uma “sensibilização” esclarecedora e reflexiva sobre a prevenção ao suicídio. “Queremos chamar as pessoas para falar um pouco sobre questões relacionadas ao ato de por fim a vida, ou como a gente, preferiu abordar, o que inclui as pessoas à vida”.

Sobre a influência das redes sociais digitais na associação à motivação da vida, a supervisora sorriu e disse ser uma questão muito polêmica e não tem uma definição exata se é bom ou ruim. “Particularmente, eu vejo as redes sociais numa dimensão muito polêmica, eu acho que elas têm uma dimensão positiva, no momento em que aproximam as pessoas que fisicamente se encontram distantes, mas ao mesmo tempo, acho que é um lugar muito perigoso, principalmente quando a gente vive uma cultura do imediatismo e da exposição”.

Ainda segundo a psicóloga, a sociabilidade virtual pode passar indevidamente, em alguns casos, a imagem de felicidade e alegria eternas. Danielle Leite explicou que os acontecimentos bons e os não tão bons fazem parte da vida. A tristeza, a perda e o luto são situações com as quais a sociedade precisa aprender a lidar. Para finalizar, a psicóloga frisou que muitas pessoas querem por fim a dor, não necessariamente à vida, ressaltando que a questão do suicídio deve ser problematizada na sociedade. Ela vê na educação em todos os níveis um dos caminhos importantes para desestigmatização do suicídio.

print
Compartilhe:

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.