A 17ª Semana dos Museus aborda a Cultura e a Educação Patrimonial na Unicap

A 17ª Semana dos Museus realizada em todo o Brasil pelo Instituto Brasileiro de Museus, foi promovida pelo Museu de Arqueologia da Universidade Católica de Pernambuco, no Auditório Dom Helder Camara, na última sexta-feira trazendo o tema “Museus como núcleos culturais, a memória das tradições”.

O evento trouxe experiências amplas voltadas ao campo da educação patrimonial e contou com a participação da Profª Drª Suely Luna, da Universidade Federal Rural de Pernambuco, que apresentou a palestra “A Importância da Educação Patrimonial para a Preservação da Cultura”.

A professora começou falando que os museus aos poucos estão se tornando equipamentos culturais populares, uma realidade já vivenciada em função das ações culturais dos últimos anos, por meio das quais a ideia limitada de lugares elitizados vem sendo desconstruída, dando lugar à democratização da acessibilidade aos diversos públicos.

Os museus, longe de serem ambientes de exposição do antigo e das antiguidades intocáveis, são espaços onde a educação patrimonial vem sendo trabalhada, tendo como referência das primeiras ações o Museu Imperial de Petrópolis.

Em sua exposição, a cultura e o patrimônio são conceitos abordados de maneiras diferentes em alguns campos acadêmicos e exemplificou como sendo uma ampla atividade humana, individual ou coletiva. “Nós somos a cultura” explica.

Para a especialista em educação patrimonial, a sociabilidade é uma característica fundamental para se ter a noção de cultura. Os saberes, as crenças, os mitos, os fazeres são inventados, aprendidos e partilhados por nós, “ o patrimônio é uma parte dessa cultura”.

Suely Luna também falou do apego da sociedade aos costumes do passado e trouxe o hip-hop como exemplo de uma cultura da atualidade. O patrimônio, para a professora é um assunto de toda a sociedade e não deve haver discriminações ou limites de conceitos estabelecidos por instituições oficiais. A designação de preservação e conservação deve ir além dos monumentos históricos, chegando a ser dialogado com as pessoas, valorizando a diversidade cultural e a memória afetiva dos lugares onde esses bens se encontram.

Um exemplo de desconstrução do patrimônio material e memorial no Recife, trazido por Suely, foi a demolição do Bairro de São José. Para ela, a ideia de modernidade em achar que o novo pode substituir o antigo, pode pôr um fim a identidade cultural e histórica de lugares e pessoas. A construção da Dantas Barreto foi um exemplo de uma má gestão do então prefeito Augusto Lucena na década de 1970, afirma. “Ele destruiu uma relação de pessoas que existiam naquele espaço”, pontuou.

Segundo Suely Luna, a educação patrimonial em suas linguagens, mesmo estando enterrada, representa a cidadania. “Em um mundo onde o imediatismo tomou conta das pessoas, a Arqueologia e a Educação Patrimonial são instrumentos importantes para mediar a reflexão acerca do que fomos, do que somos e do que queremos ser“.

Outra abordagem importante do Patrimônio Imaterial Brasileiro, foi trazida pelo fotógrafo Paulo Airton Maia Freire, em sua pesquisa, Maracatu Rural: rito, festa e antropologia visual, sobre o Maracatu de Baque Solto Cambinda Brasileira da região da Zona da Mata Norte de Pernambuco. O pesquisador falou da riqueza imagética dos caboclos de lança do maracatu e da memória dos moradores do Engenho Cumbe.

Em seguida, a coordenadora do Museu de Arqueologia da Unicap, Roberta Richard Pinto, falou da importância da arqueologia para a dignidade humana, evidenciando a memória e a história do Agreste pernambucano representados no acervo preservado dos indivíduos pré-históricos em exposição.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

print
Compartilhe:

Deixe um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.