50 anos do assassinato de Padre Henrique serão lembrados na mesa-redonda “Missão, martírio e verdade”

Em memória pelos 50 anos da morte do Padre Antônio Henrique, sequestrado, torturado e assassinado pela ditadura militar implantada à época no Brasil, a Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) promove na próxima sexta-feira (24), a mesa- redonda “Missão, martírio e verdade”. A palestra contará com a participação do assessor da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Pe. José Ernanni Pinheiro, do jurista Roberto Franca e do secretário-geral da Comissão Estadual de Memória e Verdade, Henrique Mariano.

A mesa-redonda faz parte do evento “Pelo direito à memória: ditadura nunca mais! 50 anos do assassinato de Padre Henrique”, que contará, ainda, com uma celebração eucarística presidida pelo Arcebispo de Olinda e Recife, Dom Fernando Saburido, na Catedral da Sé, em Olinda, no próximo domingo (26). Além disso, na segunda-feira (27), às 18h, na Igreja das Fronteiras, no Derby, haverá uma vigília pelos 50 anos de martírio do padre. Na ocasição, os atores Júnior Aguiar e Daniel Barros apresentarão a peça “O pro(fé)ta: o bispo do povo”.

 

Memória

Muito ligado ao então Arcebispo e defensor dos Direitos Humanos, Dom Helder Camara, de quem foi assessor, Antonio Henrique Pereira Neto, que além de padre era sociólogo e professor,  tinha apenas 28 anos quando foi sequestrado e encontrado morto com sinais de tortura na Cidade Universitária do Recife. Atribuído aos militares, como forma de reprimir as atividades de Dom Helder e de seus auxiliares, e visando frear as ações desenvolvidas pelo jovem católico, contrário aos métodos da ditadura, o inquérito do crime jamais foi finalizado pelo regime ditatorial, que queria tratar o homicídio como um episódio comum.

O caso passou 45 anos sem um esclarecimento oficial, o que só veio a acontecer em 2014, através de relatório da Comissão da Verdade de Pernambuco. Foi revelado, finalmente, que o assassinato do Pe. Henrique tratou-se de um crime político, praticado por agentes do governo militar, em razão das ideias e atividades do religioso.

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