13º ENPJ conta com a participação de Roger de Renor e de estudantes de Jornalismo

O espaço da ciência no telejornalismo brasileiro.  A regulamentação da TV Pernambuco. Dois debates diferentes e integrados no evento Relatos de Experiência. Dentro da programação do 13º ENPJ, professores, alunos e jornalistas se reuniram na sala 307 do bloco G4 da Universidade Católica de Pernambuco para discutir duas temáticas relacionadas ao campo do jornalismo. O produtor cultural e atual diretor-presidente da TV Pernambuco, Roger de Renor, debateu sobre a regulamentação da emissora. Além dele, duas alunas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) apresentaram um projeto de pesquisa intitulado “A ciência no telejornalismo brasileiro”.

As estudantes Júlia Arraes e Raíssa Ebrahim abriram o primeiro momento. O espaço foi reservado para apresentação de um trabalho realizado por elas e pelas alunos, também da UFPE, Ana Carolina Siqueira e Davi Lira de Melo, sob orientação da professora Isaltina Maria de Azevedo. Elas apresentaram um resultado parcial do pesquisa, que visa a análise qualitativa e quantitativa de como a ciência é trabalhada e abordada pelo telejornalismo. “Partimos do pressuposto que o conhecimento científico é inerente a uma sociedade democrática”, ressaltou Júlia.  

A primeira delimitação feita foi a definição de que ciência, no estudo, seria produção científica acadêmica. O procedimento metodológico aplicado seguiu com a análise de quatro telejornais de emissoras públicas e privadas. Segundo elas, as notícias veiculadas sobre ciência podem aparecer em três categorias: foco, gancho e curiosidade. Um dos questionamentos levantados foi o fato de o jornalista sempre ratificar o posicionamento do cientista. Outro aspecto criticado foi sobre a falta de acesso da população brasileira às experiências científicas. Comparando as emissoras privadas e públicas, as alunas verificaram, até agora, uma maior ausência de matérias dessa especificidade em TVs públicas. 

TV PERNAMBUCO

Na segunda parte do evento, o produtor cultural Roger de Renor expôs suas ideias e opiniões sobre diferentes  assuntos. Em uma conversa informal, Roger levantou aspectos relevantes como a importância de uma mobilização em prol da regulamentação da TV Pernambuco, a cultura da internet e concessões públicas.

A proposta de reformulação da TV estatal consiste em torná-la uma TV pública. “No fim de maio, iremos apresentar as propostas de mudanças para que atinja o potencial que ela possui”, apontou. Na ocasião, foram destacados os problemas que permeiam a emissora. Os equipamentos ultrapassados, a falta de investimento financeiro e a precária transmissão na cidade do Recife e nos municípios do interior foram apenas alguns listados.

Para Roger, durante o processo de regulamentação da emissora, torna-se indispensável a compreensão de profissionais que trabalham com o audiovisual sobre o conceito de TV pública. Ele também enfatizou a importância do engajamento de diversos setores da sociedade pernambucana em uma mobilização para pressionar e, dessa forma, poder construir uma nova TV Pernambuco. “Muita gente esquece o que foi a TV PE. Vários profissionais como Cláudio Assis, Lírio Ferreira e Paulo Caldas já atuaram nela.”

Entre os conteúdos abordados, dois ganharam um espaço maior na discussão. O produtor fez uma crítica relacionada às empresas de comunicação que possuem concessão pública para atuar como empreendimento educativo, mas que desvirtuam o propósito por focar em fins lucrativos. Além disso, Roger teceu comentários sobre a cultura da internet. “A geração atual perdeu o costume de assistir televisão, devido à preferência pela internet”, destaca.

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