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Apresentação

Início das Pesquisas

As pesquisas arqueológicas desenvolvidas pela UNICAP foram iniciadas em 1982, a partir do projeto de pesquisas arqueológicas do Município de Brejo da Madre de Deus, elaborado pela professora Jeannette Maria Dias de Lima.

Os trabalhos de campo para a documentação dos sítios de Arte Rupestre, concentraram-se em 1983, nas escavações do Sitio da Furna do Estrago, um abrigo sob-rocha, de 125m² de área coberta de onde foi retirado um total de 83 esqueletos humanos datados de aproximadamente dois mil anos, e materiais diversos de ocupações mais antigas, datadas entre três e onze mil anos, constituídos principalmente de restos da Microfauna Pré-histórica.

Os estudos de Antropologia Biológica revelaram que os esqueletos resgatados são de uma população de indivíduos Braquicéfalos (Cabeças Chatas), de constituição robusta, bem nutridos, com estatura médio-baixa, tendo os homens uma estatura entre 1,57 e 1,63m e as mulheres, entre 1,49 e 1,59m. Essas características aproximam a população Pré-histórica da Furna do Estrago da população nordestina atual de “Cabeça Chata”, revelando que as amostras de esqueletos pertencem a um precedente Pré-histórico do homem nordestino atual. A homogeneidade dessa característica tem sua explicação nos casamentos consangüíneos e na adaptação ao ambiente semi-árido.

Padrão de Sepultamento

Os adultos foram sepultados na posição fetal, em decúbito lateral direito ou esquerdo, amarrados com cipós e embrulhados em esteiras de folhas de palmeiras. Quase sempre estavam acompanhados de colares, fabricados de diversas matérias-primas, como ossos e dentes de animais, sementes, amazonita (mineral) e outros.

A rápida desidratação da matéria orgânica no ambiente seco da furna permitiu a conservação de algumas partes moles, como a pele sobre os ossos, além de coprólitos,(fezes) na cavidade abdominal de muitos esqueletos e até mesmo restos de cérebro dentro de alguns crânios.

As crianças eram sepultadas diretamente no solo, em decúbito dorsal, com os braços e pernas flexionados, e geralmente não traziam adornos, mas apresentavam impregnações de ocre (Óxido de ferro), os recém-nascidos estavam em “cestinhas”, elaboradas em fibras vegetais ou embrulhados em esteiras do mesmo material, com os braços e pernas flexionados. Apenas dois recém-nascidos foram encontrados com adornos, que, nesse caso, foram contas de amazonita em um e conchas marinhas em outro. Quanto ao ocre, sempre presente provavelmente fazia parte do cerimonial de enterramento como até hoje observamos em alguns grupos indígenas atuais.

Patologias e Alimentação

Patologia e alimentação O bom estado de nutrição do grupo humano pré-histórico resgatado da Furna do Estrago e a ocorrência, nessa população de patologias, como por exemplo, a Espinha Bífida oculta (Mielomeningocele), despertam interesse especial no conhecimento dos restos alimentares arqueológicos. Não se conhecem até hoje as causas dessa má formação, porém acredita que muitos fatores podem causar a espinha bífida, entre eles estão às causas genéticas, cromossômicas e ambientais (Delisa, 1992)1

Os estudos dos restos alimentares arqueológicos mostram que os recursos alimentares utilizados pelo homem na Pré-história correspondem, em parte, aos recursos disponíveis na região de caatinga nas áreas menos impactadas, o que corrobora a hipótese de permanência do mesmo meio ambiente na região da pesquisa, ao menos nos últimos dez últimos milênios.

Os resultados dos estudos sobre os recursos alimentares da caatinga poderão indicar uma correlação entre o consumo de certos alimentos e as patologias ou estados de nutrição do homem pré-histórico bem como poderão orientar o consumo de alimentos vegetais aos quais o homem atual recorre nas épocas de seca.

1.Delisa, J. A. Medicina de Reabilitação: Princípios e Práticas. São Paulo, Manole, 1992. p. 469-473.

Colaboradores

O Laboratório e o Museu de Arqueologia da UNICAP contam com colaboração de professores, pesquisadores e alunos da UNICAP e de outras Instituições, nacional e internacional que têm deixado importantes contribuições durante visitas que fizeram ao nosso Museu. Entre estes colaboradores citamos os Professores: Dr. Pedro Jimenez Lara (Instituto de Investigaciones Histórico-Sociales, Universidad Veracruzana, México); Prof. Dr. André Prous (UFMG); Prof. Dr. Edson Silva (UFPE); Dr. Claudio Henrique Dias (Procurador Geral do IPHAN); Prof. Dr. Luiz Carlos Luz Marques (Coordenador do Curso de História da UNICAP); Prof. Marcelo Labanca Corrêa de Araujo (Coordenador do Curso de Direito; Profa. Julia Berra (Arqueóloga do IPHAN). Contarmos ainda, com a participação efetiva de alunos da graduação da UNICAP pertencentes aos cursos de Ciências Biológicas, História, Jornalismo, que atuam como voluntários e estagiários no Laboratório, desenvolvendo atividades pedagógicas de pesquisa. Atualmente o Laboratório e o Museu de Arqueologia da UNICAP são coordenadas pela Profa. Dra. Maria do Carmo de Caldas Dias Costa.