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Arqueologia

A Lição da Arqueologia

Para os que que a vivem, a Arqueologia é a aventura mais apaixonante. Nós propomos a palavra “vocação”. É isto sem dúvida alguma. Aqueles que desejam consagrar-lhe suas vidas não são certamente atraídos pelas situações materiais, que ela não proporciona nem assegura jamais. As posições são raras enqanto que a demanda é abundante e, mesmo quando se está preparado para ocupá-las, muitas vezes as circunstâncias políticas mudam projetos bem estabelecidos ou obrigam a adiamentos cuja duração, na maioria das vezes, não pode sequer ser calculada. Entretanto, ninguém se sente desencorajado, esperando, apesar de todas as contingências, que a partida possa ter lugar. Este apelo da amplidão, isto é, do deserto, é irresistível. Para os que ainda não conhecem a linguagem evocativa das solidões orientais, a palavra já é suficiente, para os que ai viveram e cuja vida ai foi tecida, a privação, enquanto se prolonga, acaba por ser intolerável. Por quê?

É que ao “deserto” e à sua atração se acrescenta, para os arqueólogos, outra coisa. Além da evasão do mundo presente, com todas as sua baixezas e as limitações que ele impõe, é todo o mistério de um passado soterrado que se tem a missão de trazer à luz. É certo que nem tudo apresenta o mesmo interesse e o arqueólogo sabe se contentar com alguns fragmentos, já que os milênios os enobreceram de alguma forma. Ele desenvolveu o hábito de não poupar seus esforços, sua técnica para retirar corretamente do solo os vestígios de uma humanidade há muito tempo consumida. Mas se por azar ou por vontade do destino – o fatum antigo – que se manifesta às vezes na carreira dos homens, num sentido favorável, mas também numa direção totalmente decepcionante, teve-se esta sorte de numa escavação fazer um dia uma grande descoberta – um palácio, um templo, uma tumba “real” intacta, uma coleção de arquivos. Eis o Mistério da Arqueologia, a ser perseguido pela humanidade.